Solução otimiza o trabalho da área de recursos humanos das sucroenergéticas, facilitando o pagamento com geração de cartões e disponibilização de aplicativo para celular, realidade até então distante para trabalhadores de usinas que recebiam em espécie ou cheque

Social Bank 28 mai 2021 - 10:23

Abrir uma conta bancária, realizar uma transferência ou pagar um boleto são ações corriqueiras para boa parcela da população. Entretanto, mesmo que a quantidade de pessoas não bancarizadas venha diminuindo com o passar do tempo, ela ainda é relevante. Muitos brasileiros não possuem qualquer relacionamento bancário, seja por não terem acesso a uma agência, serem analfabetos ou, até mesmo, estarem negativados.

Considerando as 180,57 milhões de pessoas com relações financeiras ativas em 30 de abril deste ano de acordo com o Banco Central (BC) e a população brasileira estimada em 213 milhões em 2021 conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 32 milhões de cidadãos estão fora do sistema financeiro. Além disso, é importante frisar que os dados do BC contabilizam qualquer relação bancária, não necessariamente seu uso recorrente.

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Assim, uma conta digital é distante da realidade dessa parcela de brasileiros. É o que ocorre, por exemplo, com muitos trabalhadores das usinas de cana-de-açúcar, especialmente os canavieiros que vivem em zonas interioranas e rurais e não dispõem de agências bancárias próximas.

A dificuldade de acesso à informação, o desconhecimento do uso de celulares e o analfabetismo contribuem para o agravamento da situação, que desemboca em insegurança financeira e até na vulnerabilidade de uma população mais propensa a cair em golpes.

É o caso de profissionais que são interpelados por agiotas nas portas das usinas. Os golpistas aguardam a saída dos funcionários para fazer a troca dos cheques por dinheiro vivo, mas não sem antes cobrar uma taxa que pode chegar a até 10%. Portanto, um salário de R$ 1 mil fica reduzido a R$ 900, por exemplo, afetando justamente a parte mais desamparada do setor, já exposta a um trabalho exaustivo e a longas jornadas.

Assim, quando a usina faz pagamentos em cheque ou em dinheiro vivo – modalidades que requerem um alto investimento por parte da empresa – há riscos à segurança do trabalhador.

Era o que ocorria na usina Ipojuca, do grupo e da cidade pernambucana de mesmo nome. Conforme relata o analista financeiro da empresa, Raul Cabana, era preciso contratar um carro-forte para efetuar os pagamentos. O veículo ia até a tesouraria da unidade e os lotes de pagamentos eram direcionados aos engenhos, onde os funcionários esperavam para receber. Na sequência, os trabalhadores muitas vezes viajavam com o dinheiro no bolso.

“Eles têm muita dificuldade de lidar com o banco, operação bancária, senha, cartões... Nós tivemos muitos obstáculos para fazer pagamentos por um tempo, pois as pessoas não tinham conta”, relata a diretora de recursos humanos do grupo Eduardo Queiroz Monteiro (EQM), Claudia Dantas. A empresa possui duas usinas no Nordeste, a Cucaú, em Rio Formoso (PE), e a Utinga, em Rio Largo (AL).

Facilidade para usina e funcionário

Uma opção para lidar com problemas como esses são as alternativas digitais. A solução de pagamento de salários promovida pelo Social Bank, por exemplo, auxilia grupos sucroenergéticos como o EQM e o Ipojuca a oferecerem aos seus funcionários condições facilitadas para recebimento e uso do dinheiro, com a abertura de uma conta digital sem burocracias e o uso de um cartão bandeirado para compras e saques.

A intenção é incluir os colaboradores financeiramente, ressignificando a forma como eles se relacionam com dinheiro. Ou seja, por mais que todos nas usinas possam receber nesta modalidade, o foco é a inclusão financeira de trabalhadores vulneráveis de sucroenergéticas do país. Muitas destas pessoas estão em fragilidade econômica devido a árduas condições de trabalho, dificuldades de manuseio do próprio salário e pouco acesso a serviços financeiros.

Conforme expõe Cabana, da Ipojuca, a partir do momento em que se regulariza o contrato de trabalho, o funcionário já sai com o cartão do Social Bank na mão. Dantas, da EQM, complementa: “É tudo muito mais simples e rápido, e isso ajudou muito. Hoje, grande parte do nosso público, principalmente o que mora em zona rural ou em cidades vizinhas às usinas, recebe via cartão”.

Além disso, o Social Bank oferece uma conta digital ao usuário que é feita em menos de dez minutos. O setor de recursos humanos da usina, que realiza o pagamento por meio do banco, tem acesso a um portal no qual faz tanto a gestão da emissão de cartões – que podem ser pré-determinados e adquiridos com base no cronograma de pessoal da usina – quanto a realização de pagamentos, que ser feito em lotes. Assim, no dia em que a contratação é feita, o departamento de recursos humanos entrega o cartão ao funcionário e, em questão de horas, já é possível disponibilizar um pagamento.

Em um estilo de trabalho como o da cultura de cana-de-açúcar, em que há grande rotatividade de pessoal contratado, esta agilidade ganha ainda mais relevância, especialmente no período de início de safra, quando a entrada de profissionais é intensiva. A usina pode ter cartões na gaveta que podem ser facilmente ativados a cada contratação.

Cabana relata que o número de funcionários da Ipojuca cresce de 1,2 mil para 3 mil no período de safra, que ocorre de setembro a fevereiro no Nordeste. “Trabalhamos com uma grande quantidade de mão de obra sazonal”, relata. Além disso, a cada temporada, sempre tem novas pessoas que precisam ter seu modo de pagamento cadastrado.

Paralelo a isso, para abrir a conta digital, o profissional só precisa baixar o aplicativo do Social Bank em seu celular, preencher informações básicas de cadastro e tirar uma fotografia com a câmera do próprio aparelho. Em seguida, o funcionário já pode utilizar o cartão nas funções saque, débito ou crédito. Não é preciso ir a uma agência ou aguardar um período considerável para a chegada do cartão.

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A funcionalidade leva agilidade ao processo de contratação e dinamiza o setor de recursos humanos da usina, mitigando as burocracias inerentes à abertura de contas tradicionais. “Isso facilita muito a questão de dar o atendimento para o nosso público interno”, detalha Dantas, do EQM.

Cabana aponta que, além da praticidade na remuneração dos trabalhadores, há economia de tempo e recursos. “Uma coisa é estar no final do processo de pagamento e o funcionário já estar com o recurso na conta e outra é estar com o dinheiro na mão, em espécie. Era uma preocupação da empresa, dar a segurança ao funcionário para que ele não sofresse a subtração do seu recurso enquanto não pudesse fazer jus ao que recebeu”, completa.

Ainda de acordo com o analista financeiro, a aceitação dos trabalhadores foi boa, especialmente com a opção de sacar o valor ou fazer compras com o cartão. “A importância para nós neste contexto é a facilidade de abertura de conta, a praticidade de poder usar o celular e o fato de já ter o cartão aqui para fazer o cadastro do funcionário”, enumera.

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Relacionamento próximo

Abrir uma conta bancária com poucos toques na tela ainda não é comum em instituições financeiras tradicionais. Bancos também não costumam abrir contas para pessoas com crédito negativado, por exemplo.

Observando a realidade das usinas, Cabana acrescenta que outro problema é que, na maioria das vezes, os bancos queriam que fossem abertas contas correntes e não contas salários. “Para eles, era mais importante que pudessem vender cartão de crédito e outros produtos do que só disponibilizar a conta para as pessoas sacarem o valor”, relata.

Além disso, como a maioria dos trabalhadores são analfabetos ou semianalfabetos, eles muitas vezes não entendiam os contratos de abertura que estavam assinando, completa o analista financeiro da Ipojuca.

“Uma pessoa, mesmo negativada, consegue abrir uma conta de pagamento. Com isso, conseguimos tirar toda a burocracia do sistema tradicional que é bem mais engessado”, detalha a superintendente de negócios do Social Bank, Debora Sumitomo. De acordo com ela, a solução do Social Bank se reflete em uma maior democratização do acesso, especialmente para profissionais mais vulneráveis socialmente.

Além disso, ainda segundo ela, algumas cidades até dispõem de agências bancárias, porém isso não é uma regra; muitas vezes, elas ficam distante de onde o trabalhador reside. Com isso, nem sempre há um caixa eletrônico próximo disponível para saques.

É a situação que ocorre com os canavieiros que prestam serviços à EQM. Dantas, diretora de recursos humanos do grupo, explica que muitos deles vivem em cidades do interior e até mesmo em fazendas e engenhos nas zonas rurais da Mata Sul de Pernambuco. Ainda que alguns possuam contas em bancos tradicionais, outros optam pelo Social Bank justamente pela facilidade de recebimento e uso do dinheiro, além da dificuldade de acesso a instituições financeiras maiores.

De acordo com Cabana, antes do Social Bank – majoritariamente utilizado para pagar canavieiros e funcionários da indústria e administração agrícola da usina –, os bancos interpelavam a gerência de recursos humanos da empresa para que os trabalhadores fizessem um convênio a fim de terem empréstimo consignado, por exemplo. “Hoje, existe uma liberdade com relação ao funcionário. Você envia o recurso para a plataforma de pagamento e ele pode direcionar para onde quiser”, detalha.

Um atendimento mais próximo e personalizado entre a instituição bancária e a usina também é uma vantagem. O objetivo é construir um trabalho em conjunto com a empresa, algo que dificilmente ocorre em grandes bancos, que só são acessados quando há algum problema específico.

“Fazemos questão de ter essa participação. Quando tem qualquer situação do dia a dia – e problemas surgem o tempo inteiro –, estamos aqui para ajudar. Tratamos diretamente, traçamos o plano de ação e vemos que essa proximidade faz diferença”, detalha Sumitomo.

Além disso, a superintendente de negócios do Social Bank enxerga que o segmento é muito desassistido pelo sistema bancário tradicional e que faz sentido investir nele. “Temos atuação forte com as usinas que já são nossas clientes e a intenção é expandir”, completa.

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Atualmente, a atuação do Social Bank no setor sucroenergético atinge dez empresas. Com dois anos de presença, a companhia já atingiu mais de 20 mil colaboradores.

De acordo com os dados do banco digital, somente o grupo Farias agrega 11 unidades espalhadas pelos estados de Goiás, Rio Grande do Norte e Acre. No total, o banco atende 6,7 mil trabalhadores.

O Social Bank também está presente no grupo São José, que tem uma unidade localizada em Igarassu (PE).

Aprendizado com bons resultados

Conforme relata Dantas, do EQM, o Social Bank tem um representante disponível para atender prontamente tanto os trabalhadores quanto a própria usina. “Essa pessoa está sempre à disposição, vem para dentro da empresa, dá as orientações do uso do aplicativo, atende os funcionários. Estamos sempre em contato quando surge qualquer dúvida. Isso tem tido um bom resultado”, completa a diretora de recursos humanos.

Com isso, os promotores realizam in loco um processo introdutório de educação tecnológica e financeira com os trabalhadores. “Tem momentos específicos em que eles possuem uma atuação de maior porte, normalmente no período de contratação, quando começa a safra e há um contingente maior de mão de obra”, explica Sumitomo, que completa: “Levamos essa introdução financeira ainda preliminar e básica”.

Desta forma, os profissionais do Social Bank caminham junto com a equipe de recursos humanos. “Em muitas usinas, começamos a trabalhar localmente com promotores e eles praticamente viraram pares dos gestores de RH, vivendo essa realidade em conjunto. Nós estamos presentes”, afirma a superintendente de negócios do Social Bank, Debora Sumitomo.

Em 2019, equipes de produto, inteligência de mercado e do comercial do Social Bank fizeram uma visita à usina Vale Verde, do grupo Farias, em Itapaci (GO), que possui quase mil trabalhadores. O objetivo foi ajudar na inserção ao sistema financeiro, pois, para muitos colaboradores, este foi o primeiro contato com uma instituição financeira e com um cartão para recebimento de salário.

Outra visita já havia ocorrido em 2018 à cidade de Ipojuca (PE), onde está localizada a unidade de mesmo nome. A equipe conheceu os trabalhadores, acompanhou e orientou sobre melhores práticas em educação financeira, sobre o uso dos meios de pagamento digitais e sobre os cartões físicos, que facilitam o recebimento do salário e o controle financeiro.

Essa introdução tecnológica é necessária, uma vez que os canavieiros até possuem smartphones, porém desconhecem as funções básicas que têm nas mãos. “É ensinar a baixar o aplicativo e fazer com que entendam que o dinheiro não precisa estar debaixo do colchão, guardado, para ser dele”, conta Sumitomo. Os promotores explicam que o trabalhador possui uma conta digital e que podem ter maior assistência na gestão desse recurso no próprio aplicativo.

Além disso, na mesma conta, é possível administrar gastos diários e guardar determinada quantia, por exemplo. O usuário ainda tem a chance de possuir uma conta compartilhada com o ou a cônjuge por meio de um cartão secundário para destinar recursos para gastos fixos ou para a família. Ele também consegue quitar boletos, transferir para outras contas e realizar saques em caixas eletrônicos 24 horas, no comércio credenciado ou até mesmo em uma lotérica, serviço que está temporariamente suspenso devido à pandemia de coronavírus.

Para que essas práticas sejam adotadas, entretanto, é preciso trabalhar a confiança dos canavieiros, pois a maior parte não possui a cultura do pagamento digital no seu dia a dia. “Se o pagamento da conta não for em uma casa lotérica ou bancária, eles não se sentem seguros com a operação”, relata Sumitomo.

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Apesar de ser um trabalho demorado e que requer tato por parte dos promotores do Social Bank, a dedicação já se reflete em números. Quando o banco digital iniciou o contato com o grupo Farias, por exemplo, o uso do aplicativo por parte dos trabalhadores era pequeno, com apenas 33,7% deles criando a conta digital. Com a potencialização destes ensinamentos, o índice atingiu quase 85,9% dos colaboradores que possuem smartphone.

“São trabalhadores rurais com o aplicativo, com a conta digital e, para a gente, isso é uma grande vitória. É essa a construção que fazemos estando no campo. Além disso, há a interação com o administrativo e com o RH contando com nossa participação direta”, detalha Sumitomo.

Logicamente, essas mudanças são gradativas; ainda existem muitos trabalhadores que preferem realizar o saque dos valores, mas esta possibilidade já é uma alteração da realidade, uma vez que o dinheiro estará seguro até que seja preciso tirá-lo da conta. “Tem todos os benefícios da facilitação, mas também este olhar diferenciado para os trabalhadores rurais”, pondera Sumitomo.

Ela ainda destaca que o comportamento usual do trabalhador canavieiro é receber o dinheiro e reservar. “O ‘guardar embaixo do colchão’ é a realidade para eles. Muitos permanecem longe de suas casas durante o período de safra, vindos de regiões mais afastadas, e vão juntando dinheiro para levar para a família”, relata.

Cabana complementa, falando sobre outro tipo de comportamento: “Os trabalhadores rurais, que têm um volume financeiro menor, geralmente não fazem transferências. Eles pegam o dinheiro da feira, fazem os pagamentos e, o que sobra, usam para poder viver a vida”, conta.

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Economia local beneficiada e melhor qualidade de vida

Com uma conta digital à mão, o trabalhador não precisa ter o dinheiro em espécie para juntar ou gastar naquilo que necessita. “Eles estão aprendendo que podem comprar com o cartão, na modalidade débito, e pagar o supermercado sem precisar sacar”, conta Dantas.

Os usuários ainda têm a possiblidade de sacar os seus salários no comércio credenciado junto ao Social Bank. A solução foi implantada para passar a movimentar a economia local, composta por pequenos estabelecimentos, varejistas, farmácias, supermercados e postos de gasolina. Nestes locais, as pessoas podem pagar suas compras com o cartão e encontrar pontos de saque. “O estabelecimento tem a nossa solução para captura de pagamento e de ativação para realizar saque por meio da nossa maquininha”, explica Sumitomo.

O benefício é uma via de mão dupla. Além da facilidade de compra para o canavieiro, a roda da economia local também gira mais rápido com o maior consumo em pequenos estabelecimentos como esses. “É uma modelagem que atende a todo o ecossistema local, realizando o fluxo financeiro”, completa Sumitomo.

Uma maior inclusão financeira e social pode gerar mais segurança e qualidade de vida para os trabalhadores rurais. Para Dantas, a conta digital é um instrumento de modernização do público a partir do momento em que o funcionário usa um serviço até então distante da sua realidade.

“É a inclusão de pessoas que não faziam operações bancárias e estão passando a manusear esse serviço e ter a possibilidade de compra; é uma inovação comprar e pagar com débito, pois eles eram muito acostumados a pagar só com dinheiro”, expressa a diretora de recursos humanos.

Sumitomo corrobora com essa visão e considera uma satisfação tornar realidade algo que as pessoas não imaginaram ser possível. “Nós achamos que entendemos, mas, quando vamos para o campo vivenciar isso, é completamente diferente. A partir do momento em que a gente apresenta a solução, é gratificante ver como eles percebem que possuem uma conta, são ativos financeiramente e fazem parte do todo”, relata.

Por mais que seja algo temporário, uma vez que a maioria dos canavieiros são contratados apenas por um período, a usina passa “a oferecer um ambiente favorável para que eles vivenciem uma experiência financeira melhor”, conforme Sumitomo.

Conteúdo patrocinado por Social Bank – NovaCana

Texto: Gabrielle Rumor Koster
Infográficos: Lais Mizuta