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Nissan renova parceria com Ipen para lançar célula de combustível a etanol no Brasil

Objetivo é tornar a tecnologia comercialmente viável e adaptá-la ao uso de gás natural e biogás para que possa ser exportada no futuro


Automotive Business - 15 jun 2021 - 07:57 - Última atualização em: 29 jun 2021 - 14:06

A Nissan anunciou nesta segunda-feira, 14, uma nova parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) para que possam desenvolver em conjunto uma tecnologia comercialmente viável de célula de combustível a etanol.

“É uma tecnologia impressionante que vai ajudar não só a Nissan em nível global, mas também o Brasil, já que é o maior produtor mundial de etanol”, disse o presidente da Nissan Mercosul e diretor geral da marca no Brasil, Airton Cousseau, durante apresentação do projeto à imprensa, que contou também com a participação do superintendente do Ipen, Wilson Calvo.

O sistema adotado pela Nissan é a célula de combustível de óxido sólido (SOFC, na sigla em inglês), que utiliza o etanol para criar eletricidade. Nessa tecnologia, o etanol passa por um equipamento chamado reformador, que vai extrair o hidrogênio, que por sua vez será combinado ao oxigênio do ar na célula propriamente dita. É a reação química dentro da célula (eletrólise) que vai gerar a eletricidade que alimentará o motor elétrico.

Para a companhia, há duas grandes vantagens nos veículos com SOFC em relação aos automóveis elétricos tradicionais. Como a eletricidade vem do etanol que está no tanque, o carro não precisa de uma enorme bateria, que chega a representar 25% do peso total do veículo. Basta uma versão muito menor, que seria constantemente recarregada pela célula de combustível.

O segundo benefício é a facilidade e rapidez de abastecimento. Não é necessário que haja uma rede de carregadores distribuídos pelo país nem é preciso esperar mais de uma hora para recarregar a bateria, como ocorre num automóvel elétrico convencional.

O veículo equipado com célula SOFC aproveita a rede de postos de combustível que já vendem etanol no Brasil, enquanto o tempo de abastecimento é o mesmo para encher um tanque normal. “Não existe problema de recarga porque a infraestrutura já está criada. É a mesma que usamos para os veículos que já rodam no Brasil”, diz Airton Cousseau.

O grande desafio, no entanto, é tornar essa tecnologia comercialmente viável, o que será o foco desta segunda fase do projeto da Nissan com o Ipen – ambas já tinham desenvolvido um projeto em 2019. Ele fazia parte de um longo desenvolvimento, que começou com os testes de dois protótipos no Brasil em 2016 e 2017, quando rodaram abastecidos em postos regulares com o etanol brasileiro. Os protótipos eram a van elétrica e-NV200 (vendida normalmente no Japão) que foi adaptada para receber o módulo SOFC.

Nos testes realizados na época, os protótipos mostraram uma autonomia de mais de 600 km, segundo a Nissan, para um tanque de 60 litros, que era abastecido metade com álcool e metade com água, aproximadamente. Considerando o preço médio do litro do etanol no Brasil a R$ 4,39 (segundo a ANP), o custo para rodar 600 km seria de R$ 131,70, o que daria R$ 0,22 por quilômetro rodado.

Não é “emissão zero”

Ao contrário do que ocorre com um carro elétrico a bateria, o veículo com célula a etanol produz algum nível de emissão de CO2, mas os engenheiros dizem que é muito mais baixo que qualquer motor a combustão, inclusive abastecido com álcool. A tecnologia, porém, é chamada de ciclo zero de emissão porque o pouco CO2 emitido seria todo absorvido durante o cultivo da cana-de-açúcar.

O gerente sênior de engenharia da Nissan, Ricardo Abe, explica que o objetivo é desenvolver um equipamento que seria comercializado não apenas no mercado brasileiro, pois o sistema pode permitir o uso de outro tipo de combustível para gerar o hidrogênio, dependendo da disponibilidade do país. “É uma solução de eletrificação não só para o Brasil, mas para outros mercados também. Todos que tenham etanol, gás natural e biogás”, esclarece o engenheiro.

Airton Cousseau deu alguns exemplos onde essa tecnologia será mais vantajosa. “Os Estados Unidos têm o E85 de etanol de milho [85% álcool e 15% gasolina] e é hoje o segundo maior mercado do mundo; a eletrificação vem sendo puxada com força. Há também locais da China onde um dos principais combustíveis para veículos é o gás natural”, lembrou o executivo. “Se pudermos ter condições de exportar essa tecnologia, seria sensacional, pois mercado existe”.

A Nissan diz que é cedo para dar estimativas de valores de um veículo com célula SOFC. “Não temos ideia de custo até porque precisa definir uma cadeia de fornecedores e ter um preço que seja competitivo”, comenta Ricardo Abe. O objetivo inicial será tentar integrar o reformador à célula principal, para deixar o conjunto mais compacto e leve. Também não há previsão de lançamento, já que esta fase do projeto deve se estender até 2025.

Zeca Chaves


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