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Julio Cesar Vedana

A batalha de 45 dias pelo etanol nos EUA e como ela afetará as usinas no Brasil


NovaCana - 05 fev 2013 - 07:58 - Última atualização em: 25 fev 2013 - 18:42

Os telefones tocam com uma frequência incomum nos escritórios da EPA, agência ambiental dos EUA, em Washington. Ecoando as vozes de empresários, lobistas e políticos, o assunto principal é o mesmo que estampou as páginas e sites dos principais jornais do país: a recente proposta da EPA de aumentar o incentivo aos biocombustíveis, especialmente o etanol celulósico e, indiretamente, o etanol de cana do Brasil.

Na última quinta-feira, a presidente da EPA assinou um documento que aumenta o volume de mistura obrigatória para todos os combustíveis renováveis. Nesta proposta ficou definido o prazo de 45 dias para que as discussões acontecessem e as sugestões fossem enviadas para a agência.

Começou então, oficialmente, a movimentação para influenciar a decisão da EPA. Entre os grupos mais ativos na pressão estão representantes da indústria do petróleo, ambientalistas, pecuaristas e as usinas de etanol. Até mesmo a Unica tem se movimentado.

A polêmica maior na proposta da entidade ambiental dos EUA gira em torno da participação dos biocombustíveis avançados, que inclui o etanol de cana-de-açúcar e o etanol celulósico.

Pela nova determinação proposta, o etanol celulósico deve ir de 33 milhões de litros (8,7 milhões de galões) em 2012 para 53 milhões de litros (14 milhões de galões) em 2013. O volume é relativamente pequeno, mas está causando indignação das empresas de petróleo que fazem a distribuição do biocombustível. Elas alegam que o biocombustível não existe e, portanto, não deve haver essa exigência. Para justificar sua posição, a EPA nomeia e detalha as empresas que produzirão o produto e a quantidade a ser disponibilizada por cada uma.

Etanol verde e amarelo
Mas o assunto que realmente interessa para o Brasil é a determinação de ampliar o volume dos biocombustíveis avançados de 7,6 bilhões de litros (2 bilhões de galões) para 10,4 bilhões de litros (2,75 bilhões de galões). A intenção da EPA é que, desse total, as usinas norte-americanas de biodiesel preencham 4,8 bilhões de litros (1,28 bilhão de galões, equivalente em energia a 1,92 bilhão de galões de etanol).

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O diesel renovável (combustível diferente do biodiesel, cuja especificação se assemelha a do diesel) e o etanol de sorgo devem abocanhar cerca de 568 milhões de litros dessa fatia. Estes vão se juntar aos 53 milhões de litros de etanol celulósico. Sobram, portanto, 2,521 bilhões de litros (666 milhões de galões) para o biocombustível considerado avançado que for mais vantajoso financeiramente. Atualmente essa posição é ocupada justamente pelo etanol brasileiro (veja gráfico ao lado).

O único provável concorrente do biocombustível nacional em território americano é o biodiesel fabricado com ajuda da pujante indústria de soja. Neste ponto, a situação para o Brasil se mostra relativamente tranquila, como o portal novaCana já mostrou aqui, só uma reviravolta no mercado de soja faria as usinas sucroalcooleiras perderem um excelente 2013 em termos de exportação.

Inseguranças
A EPA, no entanto, não está segura de que o etanol de cana será realmente a opção mais utilizada. Nas projeções da agência foi considerado que o biodiesel poderia ocupar este espaço extra, já que as usinas de biodiesel possuem capacidade de produção acima de 4,8 bilhão de litros e conseguem atender volumes além deste limite com relativa facilidade. Além disso, a larga vantagem econômica do etanol de cana foi reduzida depois de o congresso americano ter reinstalado, até o final de 2013, o crédito de US$ 1 por galão concedido para as distribuidoras que misturarem o biodiesel.

Mesmo assim, a conta ainda fica favorável para o etanol importado e a opção do biodiesel local pode não ser tão interessante para as distribuidoras, em função do elevado preço do óleo de soja, que representa cerca 80% do custo final do biodiesel.

Estas variáveis foram suficientes para fazer a EPA ter dúvidas se essa situação se manterá por todo ano e busca sugestões antes de tomar uma decisão definitiva.

Preocupada, a Unica decidiu entrar na discussão. Em entrevista ao Wall Street Journal, a representante da entidade brasileira para a América do Norte, Letícia Phillips, contra atacou o lobby para reduzir os volumes de biocombustíveis avançados e classificou que tal medida "seria dar um passo atrás no programa inteiro".

Entre os argumentos contrários ao etanol brasileiro, está o fato de que o volume de 2,5 bilhões de litros que deverá ser importado em 2013, é muito maior do que o recorde que o Brasil foi capaz de enviar em um único ano para os EUA. Isto em um momento que o governo brasileiro confirmou a ampliação da mistura de etanol e reajustou o preço da gasolina. São todos fatores que geram insegurança na capacidade exportadora do Brasil.

Por outro lado, é esperado que a safra 2013/14 de cana-de-açúcar seja expressiva. Além disso, de 2006 a 2009, as exportações brasileiras de etanol se mantiveram, com larga vantagem e vários destinos, acima da meta proposta para 2013 da EPA.

Certo apenas é que existe uma predisposição da EPA, sob o comando de Obama, para manter a proposta divulgada na semana passada. Mas será preciso acompanhar de perto a movimentação dos próximos 45 dias para saber se a agência ambiental será influenciada a ponto de revisar a proposta. O resultado pode ser a confirmação de um mercado para o etanol brasileiro de 2,5 bilhões de litros em 2013.

É importante lembrar que este mercado só pode ser acessado por usinas devidamente cadastradas na agência ambiental dos EUA. Para acessar a lista completa de todas as 187 usinas brasileiras autorizadas a exportar etanol para os EUA, clique aqui.

Por Julio Cesar Vedana, diretor de redação do portal novaCana.com

Em resumo:
- Dentro de 45 dias a agência ambiental dos EUA (EPA) decidirá se mantém a proposta que pode proporcionar ao etanol brasileiro uma demanda recorde de 2,5 bilhões de litros.

- Este volume é maior que o gerado pelo aumento da mistura de etanol na gasolina de 20% para 25%.

- Apesar do lobby de vários grupos a favor e contra, a tendência é que a EPA mantenha a proposta formulada.

- O biodiesel fabricado nos EUA seria o concorrente mais próximo do etanol brasileiro. Atualmente o biocombustível de cana é economicamente mais vantajoso.

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