Cogeração de energia

Cogeração de energia

Indústria brasileira deve impulsionar mercado livre de energia a partir de 2024


EPBR - Publicado: 06 Fev 2023 - 09:32

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 56% das indústrias hoje no mercado cativo de energia têm interesse em migrar para o ambiente livre a partir de 2024.

O levantamento indica um potencial de entrada de 45 mil novos consumidores no modelo que permite a negociação direta com as geradoras ou comercializadoras – geralmente de energia renovável, como solar e eólica. Hoje, 10,5 mil empresas estão nesse mercado.

Portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no ano passado abriu a possibilidade para que empresas de alta tensão possam migrar em 1º de janeiro de 2024.

A sondagem consultou 2.016 empresas – 794 pequenas, 724 médias e 498 grandes, em outubro de 2022.

Atualmente, 59% das grandes empresas entrevistadas obtêm fornecimento do mercado livre, sendo 52% exclusivamente desse mercado.

No médio porte, 57% estão no cativo e 25% somente no mercado livre; enquanto 70% das pequenas empresas obtêm energia do mercado cativo e apenas 6% estão totalmente no livre.

Entre as que estão no ambiente regulado, 59% das grandes afirmam a possibilidade de ir para o livre, e 61% das médias.

O número cai um pouco entre as pequenas empresas, pois apenas 48% indicaram a possibilidade de migrar.

Por terem um perfil de consumo de eletricidade elevado, a CNI estima que a mudança pode levar a uma economia de 15% a 20% na conta de luz. “O momento é de preparação”, diz Roberto Wagner Pereira, especialista em Energia da CNI.

Ele explica que 2023 será um ano para estudar o mercado, planejar e fazer contas sobre a viabilidade de ingressar no mercado livre. “A estimativa é de que 45 mil indústrias têm condições de migrar a partir de 2024”, afirma.

Perfil de consumo

A eletricidade é a fonte usada por 78% das indústrias, algo bem próximo da pesquisa feita em 2016 (79%). Em seguida vêm óleo diesel (4%), gás natural (4%), lenha (3%) e bagaço de cana (2%).

Nos últimos 12 meses, o aumento médio dos gastos com eletricidade no custo total de produção foi de cerca de 13%. Para 75% das empresas, esse aumento teve impacto relevante sobre seus custos, sendo médio ou alto para 40% delas.

Uma das queixas é o aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, identificado como “alto” para 41% das entrevistadas, mas apenas um quinto tem planos de diversificação de fontes.

Para compensar os gastos, a eficiência energética tem ganhado impulso. A maioria (52%) investiu em máquinas mais eficientes. Entre as grandes empresas, esse percentual chega a 63%.

Quatro novas comercializadoras por mês

Entre o final de 2021 e outubro de 2022, o consumo de energia via mercado livre cresceu em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal, de acordo com a Abraceel, associação que representa as comercializadoras de energia. Apenas Amazonas, Rondônia e Goiás não registraram crescimento.

Segundo a pesquisa, quatro novas comercializadoras surgem por mês para atender a demanda aquecida, que cresceu 18% no período. No último ano, 49 novas empresas surgiram, elevando o número para 482 comercializadoras de energia.

Nayara Machado