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Cana: Variedades

Brasil aprova 1ª cana transgênica no mundo, diz CTC [atualizado]

A nova variedade é resistente à broca, principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano


CTC - 08 jun 2017 - 11:58 - Última atualização em: 09 jun 2017 - 13:43

Atualização (08/06, às 13h50): O texto foi substituído para incluir mais informações sobre as características da variedade aprovada e o processo de obtenção da aprovação junto à CTNBio.

Atualização (09/06, às 13h40): Foram acrescentadas informações sobre o processo de chegada do poduto ao cultivo comercial e a concorrência com o açúcar e o etanol de culturas transgênicas.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (8/6) o uso comercial da primeira cana-de-açúcar geneticamente modificada (Cana Bt) desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). A Cana Bt passou por rigorosa avaliação da CTNBio, que a considerou segura sob os aspectos ambiental e de saúde humana e animal. Esta é a primeira cana-de-açúcar geneticamente modificada aprovada para comercialização no mundo.

Agora, a assessoria de imprensa da CTNBio afirmou que a cana transgênica ainda precisa ser avaliada e registrada pelo Ministério da Agricultura.

Ainda vai levar cerca de três anos para que a área de cana-de-açúcar transgênica seja cultivada comercialmente, porque as usinas precisarão de tempo para reproduzir as mudas, disse o presidente do CTC, Gustavo Leite, em entrevista à Bloomberg. Durante esse período, a empresa também se empenhará para conseguir a aprovação para a variedade transgênica da planta em países que importam açúcar do Brasil, disse ele.

"[A cana transgênica] vai ser uma revolução para os produtores porque reduzirá as despesas do combate a essa praga e limitará o impacto do inseto sobre a produtividade da cana-de-açúcar", Gustavo Leite (CTC)

A nova variedade, CTC 20 Bt, tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura. De acordo com levantamento realizado por especialistas, as perdas causadas pela broca chegam R$ 5 bilhões anuais, devido a perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura, há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho, algodão, entre outras.

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma Leite. O executivo explica ainda que com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM) foi submetido à CTNBio no final de 2015 para análise de risco à saúde e ao meio ambiente usando padrões aceitos internacionalmente. Estudos de processo provaram que o açúcar e etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional. Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente à broca).

Após a aprovação final e registro da Cana Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da CTC 20 Bt e monitorando o plantio. Gustavo Leite explica que “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma Gustavo Leite.

Concorrência transgênica

Embora o Brasil continue sendo o maior produtor e exportador de açúcar, nos últimos anos os produtores brasileiros enfrentaram uma concorrência mais acirrada das crescentes safras de cana de outros países. Ao mesmo tempo, produtores de açúcar de beterraba usaram a tecnologia de modificação genética para aumentar suas safras. A broca da cana é a praga mais grave a afetar a safra brasileira e provoca prejuízos anuais de cerca de R$ 5 bilhões (US$ 1,5 bilhão) para os produtores do país, disse Leite à Bloomberg.

Embora a cana-de-açúcar transgênica seja relativamente nova, o milho transgênico é variedade atualmente dominante nos EUA, maior produtor de etanol do mundo, e a ciência de cultivos também ajudou imensamente a aumentar a produtividade da soja.

Com informações adicionais da Agência Estado e da Bloomberg; edição novaCana.com

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