Trabalhadores

Maioria das geradoras renováveis carece de políticas de gênero na América Latina

Emprego das mulheres é considerado um fator crítico para o crescimento econômico da América Latina e Caribe, segundo estudo do BID


EPBR - 03 out 2022 - 08:46

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com 102 empresas de geração de energia renovável da América Latina e Caribe aponta que as companhias mais eficientes na relação capital-trabalho são aquelas com maior participação de mulheres.

Ainda assim, a diversidade está longe do ideal e nem mesmo os novos empregos em geração renovável estão conseguindo fechar a lacuna.

De acordo com o BID, 68% das empresas pesquisadas na Bolívia, Chile, Costa Rica, México, Panamá e Uruguai não tinham uma política de gênero em vigor.

“Já sabemos a importância das políticas de gênero e equidade, mas este estudo mostra que existe uma relação entre diversidade de gênero e eficiência econômica em empresas de geração renovável”, comenta a especialista sênior no BID, Michelle Hallack.

O emprego das mulheres é considerado um fator crítico para o crescimento econômico da América Larina e Caribe.

A estimativa do banco é que o PIB da região poderia crescer em US$ 2,5 trilhões se a disparidade de gênero na força de trabalho fosse totalmente eliminada – em todos os setores.

Mudaram a tecnologia, nada mudou

O setor energético global está passando por grandes transformações e carrega junto a promessa de trazer novas oportunidades para compensar o fechamento de vagas em indústrias convencionais, como o carvão.

Mas os novos empregos correm o risco de repetir velhos padrões.

Uma das conclusões da pesquisa é que não houve mudança estrutural nos papéis que as mulheres ocupam, ao comparar empresas de renováveis com outras de geração.

Nos postos de tomada de decisões, por exemplo, a proporção de mulheres na diretoria e em cargos de gestão é de 24% e 22%, respectivamente – não muito diferente da média geral, 22% e 29%.

Considerando o tamanho, aquelas com maior capacidade de geração instalada tendem a contratar mais mulheres, mas elas ocupam principalmente cargos não técnicos – a participação das mulheres diminui em cargos que exigem ocupações mais técnicas.

As mulheres representam 36% dos funcionários STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática), 39% dos funcionários não-STEM e 48% dos funcionários não qualificados das empresas de geração renovável pesquisadas.

“Este estudo confirma que uma mudança na tecnologia por si só não gera mudanças qualitativas no mercado de trabalho na perspectiva de gênero”, dizem as pesquisadoras.

Para alavancar mudanças reais, serão necessárias políticas de inclusão capazes de incentivar as mulheres a estudar carreiras relacionadas à ciência e tecnologia, apontam.

O cenário não é melhor no Brasil

Um estudo publicado em julho do ano passado pela empresa de seleção de executivos FESA Executive Search revela que, nas 25 principais empresas de energia que atuam no Brasil, apenas 6% dos cargos de liderança são exercidos por mulheres.

O levantamento considerou a partição feminina em posições de CEO ou líder de áreas como operações, manutenção, novos negócios e engenharia e construção.

Já nos cargos de direção, as mulheres representam 19%, enquanto em posições de apoio ao negócio, como nas áreas jurídico e regulatório, RH, financeiro ou comunicação, o número chega a 13%.

A situação é um pouco melhor em companhias de capital europeu.

Nelas, a média de mulheres na alta liderança é de 39%, enquanto empresas de origem brasileira e norte-americana possuem 22% e 11% de mulheres, respectivamente.

Nayara Machado

Tags: Emprego

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