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Trabalhadores

Ex-empregados da Usina São Fernando estão na fila para receber

Habilitação de créditos em processo de recuperação judicial demora além do normal e pagamentos definidos pelas sentenças judiciais demoram meses para ser creditados


O Progresso (Dourados-MS) - 28 out 2016 - 08:27

Advogados trabalhistas que atuam em Dourados reclamam que a habilitação de créditos junto à administração da Usina São Fernando, em recuperação judicial desde abril de 2013, está cada vez mais demorada. Uma assembleia de credores no dia 17 de novembro vai tentar salvar a usina da falência ao colocar em votação a proposta de criação de uma nova unidade que seria assumida pelo Grupo Merka, o mesmo que assumiu o controle da Usinavi Infinity em Naviraí e que tem como parceiro um Fundo Carval, formado por funcionários norte-americanos da multinacional Cargill.

A advogada trabalhista Ethel Eleonora Miguel Fernando, que defende dezenas de ex-funcionários da Usina São Fernando, explica que a demora na habilitação de créditos trabalhistas em empresas que passam por processos de recuperação judicial é tradicionalmente complicada e demanda até um tempo maior para o cliente receber. "Mas, no caso da Usina São Fernando, tanto a habilitação quanto o depósito das indenizações têm demorado além do normal", revela a advogada.

Ela lembra que muitos desses profissionais ainda estão desempregados ou vivendo de empregos informais, de forma que a demora na habilitação e no pagamento dos créditos acaba provocando um problema social sem precedentes. "Como fica a cabeça de um pai de família que depois de um desgastante processo trabalhista é informado que o magistrado julgou procedente seu pedido, mas que ele ainda vai esperar meses, talvez anos, para receber seus direitos?", questiona Ethel Eleonora Miguel Fernando.

Dívidas

A reportagem apurou que a Usina São Fernando, que entrou em recuperação judicial com dívidas que somavam R$ 1,2 bilhão, passados três anos e meio está devendo quase R$ 3 bilhões, resultado dos juros bancários. "Caso a assembleia de credores não aprove a proposta no dia 17 e a falência da empresa seja decretada, a situação desses trabalhadores ficará ainda mais crítica", alerta a advogada.

Ela ressalta também que as autoridades devem mobilizar todos os esforços possíveis para preservar os empregos e a função social da empresa. "Milhares de trabalhadores já foram demitidos, mas a usina ainda emprega cerca de 1.500 profissionais que ficarão em situação muito delicada em caso de falência", analisa Ethel Eleonora Miguel Fernando.

No auge da sua atividade produtora, a Usina São Fernando chegou a empregar 3.500 profissionais em diversos setores. Com uma plataforma moderna, a empresa esmagava 20 mil toneladas de cana-de-açúcar por dia, sendo que cerca de 55% do total eram transformados em etanol e os 45% restantes eram destinados à produção de açúcar. Hoje a empresa está moendo menos de 7 mil toneladas dias e em virtude do sucateamento e da falta de manutenção, todo processo produtivo está comprometido, a ponto de a usina ter ficado parada por dias por problemas numa esteira.

Marcos Santos


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