Trabalhadores

Combate ao trabalho escravo bate recorde de fiscalizações em 2021

Fiscais resgataram quase 2 mil trabalhadores em condições de trabalho análogo à escravidão em 443 ações fiscais no ano passado; é o maior número de fiscalizações desde 1995, quando a política pública foi implementada


O Estado de S. Paulo - 28 jan 2022 - 15:03 - Última atualização em: 31 jan 2022 - 08:25

Auditores-fiscais do trabalho resgataram 1.937 trabalhadores em condições de trabalho análogo ao escravo em 443 ações fiscais ao longo de 2021 – maior número de fiscalizações desde o começo da política pública de combate ao trabalho escravo, em 1995 –, segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

Assim como no balanço anterior, a maior parte das operações de resgate aconteceram no trabalho rural: 89% das pessoas foram resgatadas no meio.

O cultivo de café foi a atividade econômica com o maior número de trabalhadores resgatados (310). Em seguida, vieram o cultivo de alho (215), a produção do carvão vegetal (173), o serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (151), o cultivo de cana-de-açúcar (142) e a criação de bovinos para corte (106).

Especificamente em relação à cana-de-açúcar, o número representa um aumento de 215,5% em relação a 2019, quando 45 trabalhadores foram resgatados – não foram registrados casos em 2020. Em 2021, de acordo com o SIT, cinco locais foram fiscalizados, 45 trabalhadores foram formalizados, 120 guias de seguro-desemprego foram emitidas e as verbas rescisórias somaram R$ 853,31 mil. Ao longo do ano, a fiscalização emitiu 36 autos de infração em Ituverava (SP), 26 em Delta (MG), 26 em Prata (MG) e 11 em Tamboara (PR).

Considerando todos os setores, Minas Gerais lidera o ranking entre os estados, com 768 resgatados – mais que o dobro do segundo colocado, Goiás, com 304. Os trabalhadores receberam R$ 10,23 milhões em verbas salariais e rescisórias, o triplo do valor levantado em 2020 (R$3,61 milhões).

Mais de 1,8 mil crianças e adolescentes foram registradas pela inspeção em situação de trabalho infantil. Quase a metade delas, 48%, exerciam atividade elencada na lista TIP, a de piores formas de trabalho infantil.

O perfil social dos resgatados é de maioria masculina (90%) e de pretos ou pardos (80%). No perfil étnico, 3% dos trabalhadores resgatados eram indígenas.

Ao longo de 27 anos, 57.644 trabalhadores foram resgatados no Brasil. Eles receberam mais de R$ 122 milhões em verbas salariais e rescisórias durante as operações.

Levy Teles
Com informações adicionais NovaCana


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