

Efeitos da geada: Em relação aos efeitos da geada ocorrida na primeira quinzena de julho, levantamento conduzido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) em parceria com a Unica sinaliza que cerca de 400 mil hectares com cana-de-açúcar no Centro-Sul foram impactados. Dessa região, estima-se que aproximadamente 65% da área acometida ainda não havia sido colhida. Cabe ressaltar que a proporção de área atingida pela geada varia entre as regiões produtoras do Centro-Sul. De forma geral, foram verificados impactos mais relevantes em Mato Grosso do Sul e Paraná, assim como na região sul do Estado de São Paulo. Áreas representativas com lavoura de cana-de-açúcar em Minas Gerais, norte de São Paulo e Goiás também foram prejudicadas.
Análise sobre impactos da geada: “Em algumas unidades produtoras, a geada chegou a impactar quase 50% da área cultivada”, explica o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. “As condições climáticas observadas nessa primeira quinzena dificultaram a operacionalização da colheita em muitas regiões, prejudicando o processamento”.
Produção quinzenal de açúcar: Reflexo da menor moagem e do mix mais alcooleiro, a produção de açúcar caiu 19,08% nos 15 primeiros dias de julho, com 1,94 milhão de toneladas fabricados frente às 2,40 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo período da safra 2018/2019.
Produção quinzenal de etanol: No caso do etanol, o volume produzido alcançou 2,17 bilhões de litros, sendo 724,29 milhões de litros de etanol anidro e 1,44 bilhão de litros de etanol hidratado.
Mix de produção: Essas cifras de produção só foram possíveis devido ao aumento de 2,28 pontos percentuais na proporção de cana-de-açúcar direcionada à fabricação do renovável (63,97% na safra atual, contra 61,69% na mesma quinzena de 2019/2020).
ATR quinzenal: No comparativo quinzenal, a queda na concentração de ATR alcançou 4,89% (mais de 7 kg): 138,03 kg de ATR por tonelada na primeira metade de julho de 2019, ante 145,13 kg verificados no mesmo período do ano passado.
Rendimento agrícola mensal: Dados de produtividade apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) baseados em uma amostra de 148 unidades produtoras, indicaram um rendimento médio de 85,69 toneladas de cana-de-açúcar por hectare para a lavoura colhida em junho de 2019. Esse índice é 3,61% superior aquele observado no mesmo mês de 2018 (82,71 toneladas por hectare).
Moagem acumulada: No acumulado desde o início da safra até 16 de julho de 2019, a moagem alcançou 258,13 milhões de toneladas, recuo de quase 4% na comparação com o valor apurado em igual período no último ano (268,86 milhões de toneladas).

Análise sobre a produção: “Os números dessa quinzena acentuaram a percepção de uma safra ainda mais alcooleira neste ano. Até o momento, a produção de açúcar já registra queda de 1,32 milhão de toneladas”, comentou o executivo da Unica. Ainda, enquanto a moagem quinzenal diminuiu 9,53% no comparativo com 2018, a produção de açúcar caiu mais de 19%, o que ratifica o entendimento de que a safra será efetivamente mais alcooleira e, portanto, com menor produção de açúcar.
Rendimento agrícola acumulado: No acumulado desde o início da atual safra até o final de junho, a produtividade alcançou 84,87 toneladas por hectare, ante 82,11 toneladas verificadas em igual período do ciclo 2018/2019.
Evolução do ATR: O incremento na produtividade agrícola foi neutralizado pela redução na quantidade de açúcares por tonelada de cana processada. Até 16 de julho, a quantidade de açúcares obtida por hectare colhido diminuiu 4% na comparação com o mesmo período da safra anterior. No acumulado desde o início da safra até 16 de julho de 2019, a concentração de ATR por tonelada de matéria-prima colhida atingiu 126,31 kg, contra 131,71 kg no ciclo 2018/2019.
Prejuízos futuros da geada: Nas áreas atingidas pela geada em que a lavoura já havia sido colhida, é esperado algum impacto na produtividade do próximo ciclo agrícola. Nas regiões em que a cana não havia sido colhida, o prejuízo causado pela geada depende do estágio de desenvolvimento da lavoura acometida. Isso porque, no caso de morte da gema apical situada no ápice da planta é necessária a antecipação da colheita da área afetada, mesmo que a cana-de-açúcar ainda não tenha atingido o estágio ideal de maturação e desenvolvimento. “Na nossa visão, a área de cana adulta impactada pela geada poderá apresentar perda média de até cinco toneladas por hectare na produtividade esperada para essa safra”, acrescenta o diretor da Unica.
Outras consequências da geada: Além da perda de produtividade, nas unidades em que o impacto da geada foi relevante, existe a necessidade de redesenho do planejamento da colheita. Como consequência dessa mudança, é esperada perda de qualidade da matéria-prima que não será processada no ponto ideal de maturação. “A alteração no cronograma de colheita em algumas unidades deve comprometer a qualidade da cana colhida na safra 2019/2020. Esse aspecto pode reduzir ainda mais a concentração de ATR na planta, que já apresenta valor médio inferior ao do ano passado”, conclui Rodrigues.
Etanol de milho: Em relação ao etanol de milho, foram fabricados 44,12 milhões de litros na primeira metade de julho. Entre abril até o dia 16 deste mês, a produção somou 338,68 milhões de litros, crescimento de 80,34% sobre o volume apurado para o mesmo período de 2018.
Vendas quinzenais de etanol: O volume de etanol comercializado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul nos primeiros 15 dias de julho totalizou 1,38 bilhão de litros, sendo 109,44 milhões de litros direcionados ao mercado externo e 1,28 bilhão de litros vendidos domesticamente.
Vendas domésticas de etanol: No mercado interno, a quantidade de etanol hidratado comercializado alcançou 914,08 milhões de litros, alta de 17,37% na comparação com o volume comercializado na mesma quinzena de 2018. No caso do etanol anidro, as vendas domésticas alcançaram 361,02 milhões de litros, recuperação de 9,14% sobre a mesma quinzena do ano passado.
Análise sobre as vendas de etanol: Rodrigues ressalta que “o levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que na última semana apenas seis municípios da amostra apurada nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás apresentaram paridade de preço com a gasolina acima de 70%”. Essa condição retrata a elevada competividade do hidratado para o consumidor e explica o maior volume de etanol comercializado pelas usinas, conclui o executivo.
Competitividade do etanol: De fato, análise compilada pela Unica a partir de dados publicados pela ANP indica que na semana de 14 a 20 de julho de 2019, o preço relativo do etanol hidratado em relação à gasolina alcançou 53,9% no Mato Grosso, 61,9% em São Paulo e Goiás, e 67,6% no Paraná.
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