Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

Após três dias de geadas, Brasil conta mais perdas no milho e na cana-de-açúcar


Reuters - Publicado: 02 Jul 2021 - 07:39

As áreas agrícolas do Brasil voltaram a ser atingidas por geadas nesta quinta-feira, 1º, pelo terceiro dia consecutivo, com indicações de que as lavouras de milho e cana sofreram mais os efeitos do frio, que pegou em menor escala cafezais, segundo meteorologistas.

Ainda que seja difícil quantificar no momento todos os problemas para safras que já sofriam os efeitos de prolongada seca, boa parte das áreas atingidas de milho, no Paraná e Mato Grosso do Sul, estava em fases suscetíveis a perdas pelo frio.

No caso da cana, atingida também em São Paulo, maior produtor brasileiro, a gramínea é menos resistente a geadas que o café, por exemplo. Áreas cafeeiras do sul de Minas Gerais, onde está a maior produção nacional, também tiveram temperaturas muito baixas, mas o fenômeno foi de intensidade menor.

“O milho foi o principal; sofreu com falta de chuva no começo e, agora, recebeu geada muito forte. As perdas no milho são muito grandes, os vídeos mostram as folhas congeladas se quebrando”, disse a meteorologista Carine Gama, da Somar. “De forma geral, a cana foi bem atingida também, eu consideraria como a segunda cultura mais atingida”.

Na quarta-feira, o frio foi bastante intenso chegando a importantes regiões de São Paulo, que responde por mais de 60% da fabricação de açúcar do país, que é maior exportador global da commodity. Mas voltou a atingir o milho do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Após as geadas, a consultoria StoneX reduziu nesta quinta-feira sua projeção para a segunda safra de milho do Brasil 2020/21 a 60,45 milhões de toneladas, ante 62 milhões estimados no mês anterior, sem descartar novas reduções quando o cenário ficar mais claro.

Mas já se fala em quebra de safra pelo frio de 6 milhões de toneladas, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima. “Ou seja, se a produção de milho (do Brasil na segunda safra) era estimada entre 62 e 65 milhões, hoje podemos falar que é seguramente abaixo de 60 milhões de toneladas”, afirmou.

A segunda safra de milho do país já havia sido fortemente afetada pela seca, que provocou redução de mais de 20 milhões de toneladas ante o potencial.

De acordo com Edmar Gervásio, especialista em milho do Departamento de Economia Rural (Deral), o órgão do Paraná só deverá divulgar informações sobre os impactos da geada em algumas semanas. “A avaliação preliminar indica que a geada atingiu basicamente todas as regiões produtoras, porém com impactos variados”, disse ele.

Os preços do milho, que vinham caindo antes das geadas com o início da colheita, voltaram a engatar alta, acumulando ganhos de 4% nesta semana, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e já estão próximos de R$ 90 a saca.

Já o açúcar chegou a atingir mais cedo uma máxima de quatro meses, subindo cerca de 3% na sessão desta quinta-feira, antes de reduzir ganhos.

Segundo a Rural Clima, geadas nesta quinta-feira foram registradas no oeste e norte de São Paulo, Triângulo Mineiro, sudoeste goiano e algumas áreas do sul de Minas Gerais. Segundo Santos, as geadas também foram registradas em plantações de tomate, feijão e batata, o que pode afetar a inflação nas próximas semanas.

Roberto Samora