Apesar do início de safra alcooleiro, as mudanças no mercado podem levar as sucroenergéticas a darem preferência para o adoçante

NovaCana 10 ago 2022 - 08:48

Depois da quebra vista na última safra, a moagem de cana-de-açúcar registrou uma queda anual de 11,7% no primeiro trimestre da atual temporada. Mas há espaço para otimismo no ciclo 2022/23, com a perspectiva da chegada de uma recuperação, ainda que modesta.

Os produtos – em especial o açúcar – devem continuar trazendo boas margens para as sucroenergéticas, especialmente por conta das fixações de preço já realizadas.

Ainda assim, o cenário também envolve ressalvas. O etanol, por exemplo, pode perder um pouco do destaque visto no início da temporada, após as alterações tributárias relacionadas aos combustíveis. Assim, mais cana-de-açúcar pode ser direcionada para a fabricação do adoçante, pressionando os preços.

Desta forma, é preciso olhar com cuidado para o futuro. Para falar deste contexto e do que esperar para esta e para a próxima temporada, o diretor da Czarnikow, Tiago Medeiros, estará presente na Conferência NovaCana 2022, que acontece em São Paulo (SP), nos dias 19 e 20 de setembro.

Ele será um dos palestrantes do painel “Inteligência de mercado para 2023”, ao lado da analista de açúcar da S&P Global Platts, Luciana Torrezan, e do gerente comercial da Sucden Brasil, Ulysses Carvalho.

Com MBA em finanças corporativas e graduação em administração, Medeiros começou sua carreira em 1996, em um banco de investimento na área de finanças corporativas. Em 1998, ele entrou na Czarnikow do Rio de Janeiro, com foco em trading físico e de derivativos, tornando-se diretor global da área de finanças corporativas, onde concluiu mais de US$ 4 bilhões em transações de fusões e aquisições e de dívida. Hoje, ele é diretor geral da Czarnikow Brasil e membro do conselho de administração da Czarnikow Group.

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A programação completa da Conferência NovaCana 2022 já está disponível. Clique aqui para se inscrever.

Medeiros conversou com o NovaCana sobre o tema que será abordado no painel da Conferência e falou sobre as tendências para a safra. Confira a entrevista completa a seguir.

Esta safra está tendendo para um mix de produção mais alcooleiro. Você acredita que o açúcar pode voltar a ganhar espaço no decorrer da temporada ou a tendência já está consolidada?
Acreditamos que pode ganhar espaço, sim. O aumento dos açúcares totais recuperáveis (ATR) a partir do mês de julho, na nossa expectativa, vai fazer o mix retornar um pouco na direção do açúcar. Além disso, temos visto um preço do adoçante muito firme, enquanto o do etanol está cedendo por conta desta mudança da política de preços dos combustíveis e, também, com o deslanchar da safra, com aumento da oferta do biocombustível. O açúcar pode, e deve, trazer um retorno melhor do que o etanol em alguns momentos da safra e o mix pode ser mais açucareiro. A nossa projeção de mix para esse ciclo seria 44% voltado para o adoçante, um pouquinho abaixo do ano passado.

Como as mudanças na tributação dos combustíveis devem afetar o mercado?
A gente acredita que a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na gasolina, de certa forma, está sendo compensada com a nova tributação do etanol, que começa a entrar em vigor de fato esta semana na maioria dos estados [a entrevista foi realizada em 18 de julho]. Dito isso, o efeito continua sendo ligeiramente negativo, mas a gente acredita em preços do etanol acima ou em torno de 17 centavos de dólar por libra-peso, segundo a base do mercado internacional de açúcar.

Em maio deste ano, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) apontou para um pequeno superávit 237 mil toneladas de açúcar no saldo global, mas há quem aposte em déficit. Qual é a sua visão?
Falando do ciclo próximo ciclo 2022/23, (entre outubro e setembro), a nossa previsão é um superávit, em torno de 1,9 milhão de toneladas, o que representaria uma queda em relação à safra atual, na qual trabalhamos com um superávit em 5,8 milhões. Estamos confiantes ainda no programa de aumento da utilização de sacarose na produção de etanol na Índia e temos visto algumas safras ao redor do mundo com uma taxa de recuperação mais lenta do que a gente imaginou, além de um aumento de consumo.

Como a atual situação da safra brasileira pode afetar o balanço global de açúcar?
A safra brasileira, tem hoje um índice de qualidade, em toneladas de cana por hectare, e um ATR muito baixos. A matéria-prima de início de safra estava bem ruim, então, poderemos ter um rendimento mais constante ao longo do tempo. Porém, se a produtividade no final de safra começar se deteriorar muito, podemos ter uma redução no nosso número de moagem, que está atualmente em 551 milhões de toneladas, mas com uma tendência de revisão para baixo. Dependendo da qualidade da cana na segunda metade da safra, essa previsão pode sofrer novas reduções.

Os preços dos produtos, que estavam em alta, mostram agora sinais de estabilidade. Além disso, há aumento de custos. A margem de lucro deve ficar mais apertada neste ano? Qual será o impacto disso?
A margem este ano deve ser até maior. No ano passado, apesar de termos preços elevados, teve hedge em patamares de preço muito abaixo do atual. O preço médio hedgeado para esta safra deve ser maior do que a da passada, mesmo com o aumento de custo. No entanto, o aumento de custo está, em grande parte, associado a fertilizante e a diesel, que são dois produtos influenciados pelo preço do petróleo, que por sua vez influencia o preço do etanol. Então, de alguma forma, o etanol mais alto compensa o aumento de custo, enquanto o açúcar está hedgeado em um preço mais elevado em comparação com o ano passado. Por isso, acredito que a margem deve ser um pouco maior e com um pouco mais de cana.


Estas e outras discussões sobre a safra 2022/23 e o futuro do mercado acontecerão durante a Conferência NovaCana 2022. A programação completa está disponível no site do evento.


Giully Regina – NovaCana


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