Cana: Safra / Moagem

StoneX projeta moagem de 583,1 milhões de toneladas de cana na safra 2023/24

A StoneX divulgou hoje, 19, suas primeiras estimativas para o ciclo 2023/24; as informações foram reforçadas na Conferência NovaCana 2022


StoneX - 19 set 2022 - 16:41
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Conferência NovaCana 2022 recebeu, em primeira mão, as estimativas da StoneX

A moagem no Centro-Sul deve totalizar 583,1 milhões de toneladas na próxima temporada, podendo representar aumento anual de 4,6%, de acordo com a StoneX. Em meio à expectativa de um quadro climático mais próximo da normalidade, os canaviais devem passar, em 2023, por um inverno e um outono mais típico da região, com menores volumes de chuvas e temperaturas mais baixas da observada em 2022, segundo a StoneX.

Com isso, a consultoria espera que a concentração de açúcar total recuperável (ATR) das lavouras apresente ligeiro avanço frente ao estimado para a temporada 2022/23, na ordem de 0,5%, totalizando 140,6 kg/t. Tal perspectiva, contudo, poderá ser revisada caso a ocorrência de La Niña seja confirmada nos próximos meses – fenômeno que, geralmente, resulta em menor umidade no Centro-Sul, o que tende a elevar a concentração de açúcares no colmo da cana, de acordo com o que aponta a entidade.

“O mix produtivo, assim como no ciclo atual para a próxima temporada, também estará rodeado de incertezas”, pontua o relatório da StoneX.

Depois de uma quebra prematura no ciclo 2021/22, que provocou uma forte escalada nos preços no primeiro trimestre de 2022, o etanol passou a mostrar quedas constantes nas cotações, motivadas pelas novas dinâmicas no mercado de combustíveis, que permitiu uma perda considerável de competitividade entre o hidratado e a gasolina.

Conforme a StoneX, para o ciclo 2023/24, a safra apresenta uma tendência de crescimento no mix de açúcar, porém ainda deverá ser mais voltada para a produção de etanol, uma vez que, com a retomada da cobrança de impostos, o etanol tende a ser mais competitivo que a gasolina em algumas regiões do Centro-Sul.

Além disso, a consultoria pontua que a precificação do açúcar tende a permanecer num cenário mais baixista, já que as expectativas para o ciclo global 2022/23 (outubro a setembro) trazem um superavit de 3,88 milhões de toneladas. Sendo assim, a consultoria acredita que 45% do volume de biomassa processada deverá ser destinado à produção de açúcar, alta de 0,2 pontos percentuais do mix projetado para 2022/23.

“Contudo, o setor segue acompanhando as atualizações no mercado de combustíveis, visto as novas dinâmicas na redução das alíquotas aplicadas no cálculo dos impostos estaduais e possível retomada na cobrança dos impostos federais no início de 2023,” destaca. Diante dessas mudanças, a StoneX projetou um crescimento para o consumo de Ciclo Otto de 1,1% e, considerando uma maior competitividade para o etanol, estimou-se um share do hidratado de 28,0%.

Com isso, a oferta de açúcar pelo Centro-Sul em 2023/24 deve totalizar 35,2 milhões de toneladas (+5,7%), ao passo que a destilação de etanol de cana é estimada em 26,5 bilhões de litros (+4,7%). Especificamente, a StoneX espera que a produção de hidratado seja de 16,4 bilhões de litros – avanço safra-a-safra de 4,2% – enquanto 10,1 bilhões de litros de anidro devem ser ofertados pelas usinas do Centro-Sul (+5,6%).

Por fim, a consultoria vê que a produção de etanol de milho continue ganhando espaço no mercado de etanol e apresente crescimento anual de 22,2%, totalizando 5,5 bilhões de litros – levando a produção total do biocombustível na temporada para 32 bilhões de litros, alta de 7,4% frente ao volume estimado pela StoneX para a safra 2022/23.

“O setor da destilação do etanol pelo grão vem crescendo exponencialmente na região Centro-Oeste do Brasil, e deve ganhar cada vez mais espaço no mercado alcooleiro do país, com expectativa de abertura de novas usinas e ampliação da capacidade produtiva nos próximos anos”, aponta.

Impacto do clima no campo

Após enfrentar um período grande de seca e de fortes geadas durante o ciclo 2021/22, o setor sucroenergético vem demonstrando sinais de recuperação nesta safra 2022/23, e deve permanecer sustentando esse otimismo na próxima temporada, que se iniciará em abril de 2023, de acordo com a entidade.

Até o momento, os modelos climáticos apontam para um volume de precipitações mais próximas da normalidade, com exceção dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que possuem expectativa de chuvas acima do normal.

Esta tendência, de acordo com a StoneX, deve persistir, pelo menos, até o fim da primavera em grande parte do Centro-Sul brasileiro. Ainda assim, é preciso ponderar que a probabilidade de incidência do La Niña, mesmo que com menos intensidade, até o fim do último trimestre de 2022, pode prejudicar a regularidade do regime de chuvas – colocando-se como ponto de atenção para o potencial produtivo das lavouras.

Caso esta tendência de chuvas se concretize, é provável que a produtividade dos canaviais mantenha um crescimento que já se observa no ciclo atual, conforme pontua a entidade.

Ainda que de modo preliminar, a StoneX projeta que as toneladas de cana por hectare médias na região avancem 4,2% no comparativo safra-a-safra, alcançando patamar de 75,5 t/ha em 2023/24.

A área canavieira também deve observar leve recuperação das perdas projetadas para 2022/23, segundo a entidade. “Embora a rentabilidade elevada das demais culturas como a soja e o milho mantenha uma competitividade elevada com os canaviais em algumas regiões, a conjuntura para o setor sucroenergético se mostra favorável para a ampliação dos investimentos na produção”, pontua. De fato, a consultoria estima que a extensão destinada à cana tenha crescimento anual de 1%, para 7,78 milhões de hectares.


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