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Safra 2020/21 de cana no Centro-Sul começa com queda de preços para açúcar e etanol

Os contratos futuros de açúcar com vencimento em maio registram menor valor desde setembro de 2018; produtores brasileiros se beneficiam da depreciação do real

NovaCana 5 min de leitura

Por Nicolle Monteiro de Castro*

A safra de cana da região Centro-Sul do Brasil começou oficialmente nesta quarta-feira (1º), mas o cenário de preços para açúcar e etanol nunca foi pior para os produtores.

O contrato futuro de açúcar da ICE NY11 com vencimento em maio fechou o dia sendo negociado a 10,04 centavos de dólar por libra-peso, o menor valor para o contrato do mês desde 26 de setembro de 2018, quando fechou em 9,90 centavos de dólar por libra-peso. Na época, os produtores brasileiros estavam maximizando a produção de etanol hidratado, que pagava mais no mercado interno do que as exportações de açúcar bruto.

Agora, com o mercado de etanol enfrentando uma queda abrupta na demanda, o único ponto positivo para os produtores brasileiros parece ser a forte depreciação do real em relação ao dólar. A taxa de câmbio caiu de R$ 4,0258/US$ em 1º de janeiro para R$ 5,2590/US$ nesta quarta-feira – consequentemente, o preço para exportação de açúcar, quando convertido em reais, subiu.

No primeiro trimestre de 2019, as exportações de açúcar bruto, quando convertidas em reais, atingiram um preço médio de R$ 1.057/t. Agora, no mesmo período de 2020, esse valor saltou 26,3%, para uma média de R$ 1.335/t. Desta forma, ele está R$ 300/t acima do custo de produção estimado por analistas consultados pela Platts.

Por Nicolle Monteiro de Castro*

A safra de cana da região Centro-Sul do Brasil começou oficialmente nesta quarta-feira (1º), mas o cenário de preços para açúcar e etanol nunca foi pior para os produtores.

O contrato futuro de açúcar da ICE NY11 com vencimento em maio fechou o dia sendo negociado a 10,04 centavos de dólar por libra-peso, o menor valor para o contrato do mês desde 26 de setembro de 2018, quando fechou em 9,90 centavos de dólar por libra-peso. Na época, os produtores brasileiros estavam maximizando a produção de etanol hidratado, que pagava mais no mercado interno do que as exportações de açúcar bruto.

Agora, com o mercado de etanol enfrentando uma queda abrupta na demanda, o único ponto positivo para os produtores brasileiros parece ser a forte depreciação do real em relação ao dólar. A taxa de câmbio caiu de R$ 4,0258/US$ em 1º de janeiro para R$ 5,2590/US$ nesta quarta-feira – consequentemente, o preço para exportação de açúcar, quando convertido em reais, subiu.

No primeiro trimestre de 2019, as exportações de açúcar bruto, quando convertidas em reais, atingiram um preço médio de R$ 1.057/t. Agora, no mesmo período de 2020, esse valor saltou 26,3%, para uma média de R$ 1.335/t. Desta forma, ele está R$ 300/t acima do custo de produção estimado por analistas consultados pela Platts.

Além disso, alguns produtores conseguiram valores ainda mais altos ao fixar o preço de suas exportações de açúcar quando a combinação do contrato futuro de açúcar ICE NY11 e da taxa de câmbio era ainda mais atraente. Em 12 de fevereiro, por exemplo, o preço equivalente atingiu R$ 1.513/t.

Etanol em queda

Embora a produção de açúcar possa ir bem para muitos exportadores brasileiros, o preço doméstico do etanol hidratado doméstico registra recordes mínimos diariamente.

A S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado em Ribeirão Preto a R$ 1.600/m³, o menor preço desde 18 de julho de 2017. Sem a incidência de ICMS, PIS e Cofins, o preço cairia para R$ 1.277/m³, ficando R$ 143/m³ abaixo da estimativa de custos de produção.

Porém, as usinas que precisam aumentar seu fluxo de caixa para atender às necessidades da folha de pagamento não têm a opção de armazenar a parcela inicial da safra e aguardar a retomada do consumo de combustíveis. Segundo a maior parte das distribuidoras de combustíveis, o volume típico de vendas só deve ser retomado a partir de maio.

“No momento, não há racionalidade na estratégia de vendas. Trata-se de desespero”, disse um membro do Sindicom. De acordo com ele, as usinas estão baixando seus preços diariamente, em um esforço para capturar o interesse dos compradores.

Conforme os cálculos da Platts, quando o preço do etanol hidratado é convertido em açúcar bruto, ele equivale a 7,98 centavos de dólar por libra-peso, o menor valor da série histórica, iniciada em abril de 2014. Apesar do declínio dos preços nos contratos futuros de açúcar, o adoçante está pagando mais para as usinas do que o biocombustível no mercado doméstico.

Assim, depois de dois anos consecutivos em que a indústria de cana do Centro-Sul maximizou a produção de etanol, pode haver uma reversão no mix de produção para a safra 2020/21. Os analistas consultados estimam que o direcionamento da cana para o açúcar possa atingir até 48% da moagem total, 14 pontos percentuais a mais do que na safra 2019/20.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana

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