Após dificuldades climáticas, diretores das sucroenergéticas falam sobre ações corretivas
Considerando uma seca que já dura mais de dois anos, a incidência de geadas e, também, o problema dos incêndios, a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) previu uma quebra recorde para a safra 2021/22. A expectativa é que esta seja a pior temporada da última década para a região Centro-Sul, com uma redução de 12% na moagem de cana-de-açúcar, que ficaria em 530 milhões de toneladas.
Neste cenário, a atenção dos produtores já se volta para a recuperação dos canaviais para as próximas safras. O assunto foi tratado no 15º Grande Encontro sobre Variedades de Cana, Maturadores e Produtos Estimulantes, promovido pelo grupo Idea.
Para falar sobre as mudanças climáticas e ações para garantir a produtividade dos canaviais foram convidados o gerente agronômico da Raízen, Hamilton Jordão, e o diretor agrícola da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), Rodrigo Vinchi. Juntas, as duas empresas comandam atualmente 35 usinas pelo Brasil.
Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes, as principais medidas tomadas pela Raízen e pela Atvos para enfrentar o cenário climático atípico, que irá afetar tanto a produtividade quanto o planejamento da safra 2022/23.
Considerando uma seca que já dura mais de dois anos, a incidência de geadas e, também, o problema dos incêndios, a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) previu uma quebra recorde para a safra 2021/22. A expectativa é que esta seja a pior temporada da última década para a região Centro-Sul, com uma redução de 12% na moagem de cana-de-açúcar, que ficaria em 530 milhões de toneladas.
Neste cenário, a atenção dos produtores já se volta para a recuperação dos canaviais para as próximas safras. O assunto foi tratado no 15º Grande Encontro sobre Variedades de Cana, Maturadores e Produtos Estimulantes, promovido pelo grupo Idea.
Para falar sobre as mudanças climáticas e ações para garantir a produtividade dos canaviais foram convidados o gerente agronômico da Raízen, Hamilton Jordão, e o diretor agrícola da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), Rodrigo Vinchi. Juntas, as duas empresas comandam atualmente 35 usinas pelo Brasil.
Os executivos compartilharam as principais medidas tomadas por cada sucroenergética para enfrentar o cenário climático atípico, especialmente com as geadas vistas em 2020, que irão afetar tanto a produtividade quanto o planejamento da safra 2022/23.
As medidas da Raízen para as próximas safras
No caso da Raízen, Jordão afirma que o primeiro passo é verificar o processo de brotação do canavial, acompanhando a plantação e fazendo amostragens do campo para identificar se os toletes terão condições para brotar.
Ele explica que, em áreas onde houve a queima ou com seca extrema, a Raízen trabalhou com a aplicação de vinhaça localizada ou aspersão. Segundo Jordão, a medida foi assertiva: “Conseguimos, em nosso volume de área, recuperar a brotação nos canaviais que sofreram queima ou impacto muito forte seca ou da geada”.
Ainda assim, ele ressalta a importância de manter o monitoramento. Segundo Jordão, mesmo com a brotação, as áreas mais afetadas pelo clima nesta safra terão impactos na sua produtividade.
Além disso, a vinhaça também vem sendo utilizada pela empresa como um veículo para aporte do inseticida contra o bicudo da cana-de-açúcar. De acordo com o gerente agronômico, essa estratégia tem apresentado bons resultados, melhorando a eficiência de controle. Ele, entretanto, demonstrou preocupação para o próximo ano em relação ao corte das soqueiras, alertando que as ações no controle de pragas do solo devem ser mais intensivas.
Da mesma forma, os produtores devem ficar atentos para os efeitos das ervas daninhas, especialmente considerando a demora para o fechamento do último ciclo. As adversidades climáticas que afetaram a cana-de-açúcar não levaram a uma supressão das pragas e, por essa razão, Jordão recomenda “pegar essas primeiras gerações para não potencializar o problema lá na frente”.
Em relação à adubação dos canaviais, ele explica que a Raízen vem utilizando o óxido de cálcio na cana soca, dando um maior aporte para que a planta possa se recuperar. Jordão relata que a prática já era utilizada em algumas áreas do grupo, mas foi intensificada devido à seca, por ser mais difícil disponibilizar um corretivo na soqueira em um ano sem chuvas.
O diretor também observa que, durante o tratamento foliar, é preciso esperar o momento certo, preparando a cana-de-açúcar com produtos à base de aminoácidos. Em seguida, o grupo organiza o fertilizante da seguinte forma: para as plantas que serão colhidas no meio da safra, já é adicionado o nitrogênio; e para aquelas que são colhidas a partir do meio do ciclo, é adicionado um teor maior do químico ou é realizado um parcelamento do fertilizante foliar.
Além disso, ele afirma que os canaviais da Raízen recebem hormônios como a giberelina, juntamente com fungicidas, “pensando na limpeza da folha e no aumento da taxa fotossintética, para ganho de TCH [toneladas de cana por hectare]”.
Outro ponto importante, de acordo com Jordão, será a reorganização e o manejo de colheita para não prejudicar as próximas safras. Ele relata que é possível que aconteça uma colheita de canas de diferentes idades, considerando que houve três geadas no último ciclo e a produção teve que ser priorizada.
Estratégias definidas pela Atvos
Em vídeo gravado especialmente para o evento, o diretor agrícola da Atvos, Rodrigo Vinchi, reafirmou que a safra foi muito complicada do ponto de vista meteorológico devido à seca e às geadas. “A questão é um pouco mais complexa do que apenas lançar mão de um plano corretivo”, afirma.
Dessa forma, ele conta que o objetivo da sucroenergética seria desenvolver um canavial mais vigoroso, que poderia enfrentar momentos climáticos difíceis com um melhor resultado.
Para isto, Vinchi ressalta que é necessário conhecer as regiões onde estão os canaviais do grupo. Segundo ele, com as informações corretas, é possível criar medidas para corrigir potenciais problemas relacionados com solo e clima. “Esse entendimento é fundamental para montar nossa estratégia de manejo”, ressalta.
De acordo com o diretor, a Atvos busca conhecer a fundo o potencial produtivo de cada solo. Assim, é possível, por exemplo, alocar ambientes mais restritivos no momento da safra em que o déficit hídrico seja menor. “Em hipótese alguma nós podemos manejar um solo de baixíssimo potencial no terço final de safra, pois estaríamos expondo essa área a um maior déficit hídrico e, consequentemente, a produtividade seria menor”, explica.
Do ponto de vista operacional, Vinchi relata que boa parte das usinas do grupo estão em regiões de Cerrado, com solos normalmente mais ácidos. Por conta disso, para manter os níveis de produtividade, a companhia investe em insumos e equipamentos; o objetivo seria garantir que os produtos sejam incorporados da forma correta, resultando em correção mais eficaz. De acordo com Vinchi, esse é o primeiro grande passo para mitigar um clima mais austero.
A nutrição é outro ponto explorado pela Atvos para garantir canaviais mais vigorosos, segundo o diretor. Mas, além de nutrir da maneira correta, ele ressalta que é importante realizar as ações na hora certa, de acordo com as situações enfrentadas no dia a dia.
“Algumas das nossas usinas têm um período de falta de chuvas, então, a estratégia tem que estar conectada a isso”, afirma e completa: “Não adianta colocar fertilizante no solo sem água no sistema para levar esse insumo até a raiz”.
Por fim, ele também defende ações de proteção do canavial contra pragas e ervas daninhas, ressaltando que, em solos menos férteis, existe um limiar tênue entre controlar ervas daninhas e intoxicar a cana-de-açúcar. De acordo com Vinchi, a Atvos tem tomado muito cuidado neste manejo, para controlar as pragas sem afetar negativamente o canavial.
Giully Regina – NovaCana