Em evento realizado no começo da semana, o presidente da consultoria, Plínio Nastari, falou sobre a atual safra e as perspectivas para os próximos ciclos
Com a quebra da safra 2020/21, muitos produtores e companhias do setor sucroenergético estão preocupados com o futuro dos canaviais: eles temem as consequências da seca, dos incêndios e das geadas que ocorreram neste ano para as próximas temporadas.
Nesta terça-feira, 26, durante a 21ª Conferência Internacional promovida pela Datagro, o presidente da consultoria Plínio Nastari trouxe sua visão sobre a questão. A palestra incluiu dados sobre a atual safra e os efeitos da seca e das geadas vistas em 2021, além de perspectivas para os estoques de etanol, um panorama sobre a expansão do biocombustível produzido a partir do milho e expectativas para a emissão de créditos de carbono (CBios), do programa RenovaBio, nos próximos ciclos.
Segundo ele, o ciclo 2021/22 terá perdas de 86,9 milhões de toneladas, a maior já registrada pelo setor. O presidente da Datagro lembra que, em 2020, houve um período de seca e mais uma adversidade econômica, causada pela pandemia de coronavírus. Já este ano, enquanto acontecia uma reação do mercado, vieram os demais problemas climáticos.
Com isso, ele trouxe a perspectiva de uma “morte súbita” para a temporada 2021/22. Ou seja, haverá uma redução da moagem e um encerramento antecipado da safra.
De acordo com os dados da Datagro, a produtividade da região Centro-Sul alcançou 70,60 toneladas por hectare entre abril e setembro, uma queda de 14,7% em comparação com 2020/21. Por sua vez, a área colhida chegou a 6,68 milhões de hectares em 1º de outubro, um aumento de 9,7% ante a safra anterior.
Além disso, a oferta nacional de açúcar total recuperável (ATR) deve ficar em 81 milhões de toneladas nesta temporada, queda de 14,2% ante as 94,4 milhões de toneladas vistas em 2020/21. De acordo com dados da Datagro, em comparação com a safra anterior, a produção de açúcar irá recuar 6,6 milhões de toneladas – para 34,9 milhões –, enquanto a do biocombustível deve diminuir em 3,8 bilhões de litros, para 26 bilhões. Ainda assim, o mix produtivo seguirá mais voltado para o etanol, com uma elevação de 0,9 ponto percentual.
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, as expectativas da consultoria para a próxima safra, cenários por região, projeções de preço, projeções para o etanol de milho e um panorama do mercado de créditos de descarbonização (CBios), além de outros tópicos abordados por Nastari.
Com a quebra da safra 2020/21, muitos produtores e companhias do setor sucroenergético estão preocupados com o futuro dos canaviais: eles temem as consequências da seca, dos incêndios e das geadas que ocorreram neste ano para as próximas temporadas.
Nesta terça-feira, 26, durante a 21ª Conferência Internacional promovida pela Datagro, o presidente da consultoria Plínio Nastari trouxe sua visão sobre a questão. A palestra incluiu dados sobre a atual safra e os efeitos da seca e das geadas vistas em 2021, além de perspectivas para os estoques de etanol, um panorama sobre a expansão do biocombustível produzido a partir do milho e expectativas para a emissão de créditos de carbono (CBios), do programa RenovaBio, nos próximos ciclos.
Segundo ele, o ciclo 2021/22 terá perdas de 86,9 milhões de toneladas, a maior já registrada pelo setor. O presidente da Datagro lembra que, em 2020, houve um período de seca e mais uma adversidade econômica, causada pela pandemia de coronavírus. Já este ano, enquanto acontecia uma reação do mercado, vieram os demais problemas climáticos.
Com isso, ele trouxe a perspectiva de uma “morte súbita” para a temporada 2021/22. Ou seja, haverá uma redução da moagem e um encerramento antecipado da safra.
De acordo com os dados da Datagro, a produtividade da região Centro-Sul alcançou 70,60 toneladas por hectare entre abril e setembro, uma queda de 14,7% em comparação com 2020/21. Por sua vez, a área colhida chegou a 6,68 milhões de hectares em 1º de outubro, um aumento de 9,7% ante a safra anterior.
Além disso, a oferta nacional de açúcar total recuperável (ATR) deve ficar em 81 milhões de toneladas nesta temporada, queda de 14,2% ante as 94,4 milhões de toneladas vistas em 2020/21. De acordo com dados da Datagro, em comparação com a safra anterior, a produção de açúcar irá recuar 6,6 milhões de toneladas – para 34,9 milhões –, enquanto a do biocombustível deve diminuir em 3,8 bilhões de litros, para 26 bilhões. Ainda assim, o mix produtivo seguirá mais voltado para o etanol, com uma elevação de 0,9 ponto percentual.
Expectativas para 2022/23
Segundo Nastari, o plantio para colheita em 18 meses foi “muito comprometido” este ano, atrasando o desenvolvimento da cana e levando os produtores a se programarem para uma colheita em 12 meses. Entretanto, nem mesmo esta estratégia pôde ser executada devido à seca, o que postergou o plantio para outubro, quando as chuvas começam a normalizar.
Para completar, ele alega que muitos dos incêndios ocorridos nos canaviais em 2021 foram criminosos, atingindo principalmente as regiões do triângulo mineiro e de Ribeirão Preto (SP). De acordo com o executivo, isso intensificou o atraso do desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul, pois a cana plantada entre fevereiro e maio queimou e precisou ser replantada, impactando diretamente a safra 2022/23. Além disso, as queimadas afetaram a rebrota de cana soca e causaram falhas de brotação por morte de soqueira, atrapalhando todo o planejamento de colheita.
Adicionado a isto, ele reforça que existe a perspectiva das usinas terem dificuldade para estocar insumos, com uma possível falta de fertilizantes estratégicos, como potássio, fósforo, calcário, gesso e outros agroquímicos.
Neste contexto, o presidente da Datagro acredita que é provável que ocorra um atraso no reinício da moagem, que também contará com uma cana de baixa qualidade. De acordo com ele, o cenário deve melhorar apenas a partir do segundo semestre de 2022.
Colocando em números, a consultoria projeta que a moagem de cana no Centro-Sul durante a safra 2022/23 pode chegar a até 565 milhões de toneladas, em uma visão otimista. Já em um cenário pessimista, o total seria de 530 milhões de toneladas – consideravelmente abaixo das 605 milhões de toneladas vistas na temporada 2020/21. Conforme Nastari, o volume só deve voltar a tais patamares no ciclo 2023/24.
A Datagro ainda prevê que a produção de açúcar na região Centro-Sul pode ficar entre 31,6 milhões de toneladas e 33,7 milhões de toneladas, observando os mesmos cenários.
Fatores altistas e baixistas
Em sua fala na conferência, Nastari ainda listou os aspectos que deverão influenciar – para mais ou para menos – o preço do açúcar e do etanol no Brasil. De acordo com ele, o valor da commodity no mercado de Nova York deve oscilar entre o preço de oportunidade do etanol hidratado no Brasil e a paridade de exportação do açúcar na Índia, sem subsídio.
Entre os principais elementos para aumento estão: a probabilidade de atraso da safra 2022/23; o aperto no balanço entre oferta e demanda de etanol no Brasil; o possível atraso da safra na Índia devido ao prolongamento do período de chuvas; a recuperação do preço do petróleo com redução dos estoques norte-americanos; e o impacto da alta do preço do gás natural sobre os custos de produção de açúcar na Europa e os de etanol de milho nos Estados Unidos.
Já entre fatores que podem diminuir os preços, Nastari destaca: o enfraquecimento do suporte no mercado físico; a previsão de mais chuvas em outubro na região Centro-Sul; a possibilidade de aumento na produção de açúcar da Tailândia; o fortalecimento do dólar; fretes mais altos, que podem diminuir a demanda do mercado físico; a janela de importação para a China ainda fechada, mesmo com preço doméstico subindo; e a janela de importação de etanol também fechada.
O presidente da Datagro ainda afirma que o cenário de importação pode se manter difícil “por conta da elevação dos custos de produção do etanol nos Estados Unidos”.
Reação do mercado de etanol ao preço da gasolina
Nastari ainda comenta a tendência dos preços do etanol no Brasil, que devem permanecer em alta de acordo com as expectativas de reajuste no valor de seu concorrente fóssil. De acordo com ele, depois do mais recente aumento realizado pela Petrobras, a defasagem entre o valor da gasolina nas refinarias e o de importação está em 13,3%.
Nastari aponta que, normalmente, este índice é mantido pela Petrobras entre 8% e 10%, mas ele chegou a 17% antes do reajuste anunciado na segunda-feira, 25.
Este cenário, segundo ele, tem levado a um aumento nos preços do etanol, tanto do hidratado como do anidro. Além disso, o prêmio do segundo em relação ao preço do primeiro já está em 15%. “O valor está bem acima da máxima registrada nos últimos cinco anos”, completa Nastari.
O presidente da Datagro ressalta que, com a alta dos preços, há uma retração na demanda do biocombustível hidratado. Entre janeiro e setembro, ele cita que foram consumidos 13,15 bilhões de litros, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, a demanda por gasolina subiu 10,7%, para 28,22 bilhões de litros.
Em relação ao preço de equivalência, definido pela própria consultoria e que já considera os valores de comercialização dos CBios emitidos pelo programa RenovaBio, Nastari afirma que o preço do etanol hidratado vai determinar o piso do preço para o açúcar bruto cotado em Nova York
Segundo ele, no último dia 25, os valores de base em Ribeirão Preto (SP) foram de 21,80 centavos de dólar por libra-peso para o açúcar vendido no mercado interno; de 19,63 cents para o açúcar VHP embarcado em Santos; de 20,83 cents para o etanol anidro; e de 19,32 cents para o hidratado. Enquanto isso, no mercado de Nova York, o açúcar era negociado a 19,39 centavos de dólar por libra-peso.
“É interessante ver a movimentação de relatividade desses preços ao longo do tempo, o que acaba influenciando o direcionamento de mix dos produtores”, completa Nastari
Ao mesmo tempo, devido à desvalorização do real sobre o dólar, os preços do açúcar bruto em Nova York se encontram a níveis elevados, ficando acima do máximo visto nos últimos cinco anos: com uma cotação equivalente a R$ 2.355 por tonelada, eles estão 30% acima na comparação anual. Por essa razão, como informa Nastari, os produtores já estão fixando preços para a safra 2022/23 e cerca de 40% do volume exportável da próxima temporada já foi negociado, um patamar dez pontos percentuais acima de um ano antes.
Geração de CBios inferior à meta em 2022
Com a elevação da meta do RenovaBio no próximo ano, Nastari acredita que a geração dos créditos de descarbonização (CBios) pode ficar abaixo do estipulado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Em sua projeção, ele considera a quebra da safra e as dúvidas sobre o cronograma de aumento da taxa de mistura de biodiesel ao diesel. Entretanto, o cenário é positivo quando são considerados as emissões feitas ainda em 2021.
“A geração de CBios prevista para 2022, mais o estoque de passagem de créditos em 31 de dezembro deste ano, serão suficientes para atender a nova meta definida pelo governo”, garante o presidente da Datagro.
Considerando o objetivo de emitir até 35,98 milhões de CBios, a Datagro prevê que a oferta total pode alcançar 40,16 milhões de créditos em 2022. Para o ano seguinte, a estimativa é chegar a 44,63 milhões de CBios para uma meta de 42,35 milhões de créditos de carbono.
Entretanto, para 2024 e 2025, a consultoria acredita que não será possível ultrapassar as metas de créditos de descarbonização definidos no cronograma do RenovaBio. “Aqui entra a necessidade de continuarem os investimentos em expansão da produção de etanol para que seja cumprida a meta”, destaca.
Etanol de milho
O presidente da Datagro ainda trata sobre a expansão do etanol de milho, que mantém seu crescimento mesmo em um cenário de preços mais elevados do grão. Uma das razões para isso, segundo ele, é a comercialização dos coprodutos como o DDG, muito utilizado pelo setor pecuário.
Desde a safra 2015/16, o biocombustível produzido a partir do cereal cresceu de 141 milhões de litros aos 3,32 bilhões esperados para a atual temporada. A consultoria também espera que, na safra 2028/29, a produção de etanol de milho alcance, ou até mesmo ultrapasse, a marca de 8 bilhões de litros.
Com essa expansão, Nastari argumenta que o bicombustível produzido a partir do grão tem amenizado o impacto do clima na safra de cana, e consequentemente, o efeito no preço repassado ao consumidor.
Cenário atual por região
Os dados da Datagro também apontam que a moagem de cana-de-açúcar no Norte-Nordeste está ganhando ritmo, após um início de safra chuvoso na região. Até o final de setembro tinham sido moídas 14,94 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 8,6% ante o mesmo período da temporada anterior.
Em relação à produção de açúcar e etanol, a região também viu aumentos. O adoçante totalizou 520,94 mil toneladas (+13,5%), enquanto o biocombustível fechou 30 de setembro com 789,62 milhões de litros (+11,2%).
Do total de etanol produzido, as usinas do Nordeste deram preferência para o anidro, com 412,23 milhões de litros, aumento de 17,6%. Apesar da produção centrada no biocombustível a ser misturado à gasolina, Nastari ressalta que a expansão do mercado de etanol hidratado também tem sido notável na região.
Por outro lado, a moagem do Centro-Sul tem desacelerado e está “encaminhando para a morte súbita”, de acordo com Nastari. Com um total de 467,44 milhões de toneladas moídas até 1º de outubro, a região registrou uma queda de 6,9% ante o mesmo período do ano anterior.
Como consequência da quebra, as produções de etanol e açúcar também caíram na comparação anual. Foram produzidas 29,19 milhões de toneladas do adoçante (-8,9%) e 22,79 bilhões de litros do biocombustível (-3,3%). Segundo Nastari, estes percentuais devem se manter negativos até o final da safra.
Do total de etanol produzido na região Centro-Sul, o anidro cresceu 24,4% no período, enquanto o hidratado caiu 15,4%. De acordo com o presidente da Datagro, esta diferenciação denota a prioridade do produtor para garantir a oferta de anidro e, consequentemente, leva a uma menor oferta de hidratado. “Isso, inclusive, acompanha a redução de consumo de hidratado por conta da perda de competitividade”, conclui.
Este foi o maior mix de etanol anidro em sete anos na região, alcançando 24,8% na segunda quinzena de setembro.
Estoques de etanol
Em relação ao armazenamento de etanol, Nastari acredita que os estoques devem ser escoados até o início da safra 2022/23. Atualmente, o volume nos tanques de anidro está mais alto do que nos últimos três anos, principalmente devido ao aumento de 7,3% no consumo de combustíveis do ciclo Otto durante 2021.
Da mesma forma, os estoques de hidratado também tendem a se esgotar, mas sem qualquer risco de desabastecimento. “Prevemos que, em breve, a janela de arbitragem para importação de etanol deve se abrir e algum volume deve entrar no Brasil para complementar essa oferta”, afirma Nastari.
A consultoria, entretanto, estima um crescimento mais modesto para o consumo de combustíveis do ciclo Otto para 2022, em 1,5%. Já em 2031, último ano da projeção, devem ser consumidos quase 80 bilhões de litros em gasolina equivalente. “Estes são os números que norteiam o nosso planejamento para o final da safra 2021/22 e a safra 2022/23”, conclui o executivo.
Giully Regina – NovaCana