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Cana: Safra / Moagem

Mix para açúcar deve ser de até 34,5% na safra 2019/20, diz presidente da Canaplan

Contrariando expectativas de mix mais açucareiro, safra 2019/20 deve ter mix de 34% para o adoçante


novaCana.com - 30 mai 2019 - 09:42

A ideia de que a safra seria mais açucareira está caindo por terra. Segundo o presidente da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, em abril era esperado que, na primavera, o mix fosse ainda mais açucareiro do que agora, chegando a 38%. Na ocasião, a perspectiva era de que a safra terminasse com cerca de 36% da matéria-prima sendo destinada ao adoçante.

Entretanto, agora é esperado um mix entre 34% e 34,5% para o açúcar. O valor é inferior ao registrado na média da safra passada. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), 35,2% da cana foi destinada para a fabricação de açúcar em 2018/19.

“Tem usina até mesmo desativando a produção de açúcar e mudando a expectativa da safra 2019/20 de acordo com os produtos finais”, explica Corrêa durante evento Expedição Custos Cana, que acontece hoje (30) em Piracicaba (SP). Ele destaca que a tendência dos últimos anos é que a safra se torne cada vez mais alcooleira.

Conforme o presidente, no início do ciclo eram esperadas 28 milhões de toneladas da commodity e 28 bilhões de litros de etanol. Agora, a perspectiva é de 2 milhões de toneladas a menos para o adoçante.

“Isso impactará o mercado de forma relevante, quando perceberem que a safra do Brasil realmente será muito mais alcooleira”, explica.

Além disso, de acordo com ele, o crescimento do consumo no Ciclo Otto deve aumentar com a maior oferta de etanol.

Canaviais envelhecidos

A expectativa da Canaplan é que sejam colhidas entre 555 a 580 milhões de toneladas de cana na temporada. De acordo com Carvalho, houve uma redução da área para a temporada 2019/20, com a seca de 2018 e um aumento da idade média dos canaviais.

Corrêa, inclusive, reforça o cenário preocupante dos canaviais brasileiros. "Depois da temporada 2015/16, a produtividade agrícola caiu em todos os anos. Em quatro safras, perdemos 10 toneladas de cana [por hectare]. É demais. Muito envelhecimento, baixos níveis de renovação", detalha.

"Temos uma herança negativa de anos, com práticas agronômicas limitadas, políticas públicas calamitosas, ciclo de preços baixos e endividamento crescente: tudo isso culmina nesta safra",  Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Canaplan)

De acordo com ele, o setor brasileiro perdeu cerca de uma tonelada de ATR por hectare, na média, desde 2015/16. "É difícil saber o que esperar das unidades com baixa produtividade. Há uma volatilidade grande entre elas", completa.

Conforme os dados apresentados, a idade média dos canaviais aumentou em 1%, enquanto a concentração de ATR caiu em 2%. Assim, para Carvalho, a safra ficará abaixo da anterior em todos os níveis, exceto na produção de etanol.

"Existem diferenças muito grandes entre regiões, mas o padrão é vermelho", conclui.

Gabrielle Rumor Koster e Rafaella Coury – novaCana.com