Cana: Safra / Moagem

Conab reduz estimativa para safra de cana 2022/23, a 572,9 milhões de toneladas

Perspectiva da entidade passou de alta em relação à safra anterior para uma retração de 1%


Conab - 19 ago 2022 - 09:32

A produtividade da atual safra de cana-de-açúcar começa a mostrar recuperação após dois ciclos de adversidades climáticas. O segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2022/23, divulgado nesta sexta-feira, 19, aponta um aumento de 1,6% na média nacional no rendimento das lavouras do país, o que seria um contraponto para a redução de 2,6% na área de cultivo.

Com isso, a Conab calcula uma produção de 572,9 milhões de toneladas de cana, uma ligeira queda de 1% se comparada com o ciclo anterior. Em relação às 596,1 milhões de toneladas projetadas no primeiro levantamento, a queda é de 3,9%.

“Se na temporada 2020/21 o desenvolvimento da cultura foi influenciado pela falta de chuvas e no ciclo 2021/22, além da estiagem, foram registradas fortes geadas em importantes regiões produtoras, na safra 2022/23 as condições climáticas foram mais favoráveis”, declara a Conab.

De acordo com o documento, os agricultores deverão colher nesta safra 70,48 toneladas de cana por hectare colhido. No ciclo de 2021/22, a produtividade esteve estimada em 69,35 toneladas por hectare. Já em 2020/21 o desempenho das lavouras ficou em torno de 70,36 toneladas por hectare, valor considerado próximo ao esperado para a atual temporada.

Ainda segundo a Conab, a melhora no desempenho é impulsionada por um maior índice registrado nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, com variações positivas de 6% e 3,5%, respectivamente. Entre os estados, o destaque foi para Goiás (+3,8%) e Minas Gerais (+3,2%). Em São Paulo, principal estado produtor, e no Paraná o desempenho das lavouras ainda reflete o clima adverso das últimas temporadas.

“A recuperação da produtividade desacelera a queda na produção, uma vez que a Conab espera uma nova redução na área”, aponta a companhia, que segue: “Se em 2020/21 foram destinados cerca de 8,6 milhões de hectares, na safra passada a área ocupada ficou em 8,3 milhões de hectares. Já neste ciclo, há uma nova diminuição, com estimativa de 8,1 milhões de hectares”.

De acordo com a Conab, a diminuição é explicada pela competitividade com grãos como milho e soja, que atualmente apresentam boa rentabilidade para o produtor, aliada às lavouras de reforma que tiveram o corte inviabilizado pelas condições climáticas.

Produção

Com a queda na colheita de cana, a Conab espera um menor volume produzido tanto para o açúcar como para o etanol. De acordo com o levantamento, a produção de açúcar está estimada em aproximadamente 33,9 milhões de toneladas, diminuição de 3% quando comparado com 2021/22.

No caso do etanol, é estimada uma produção de cerca de 25,83 bilhões de litros do combustível a partir da cana, redução de 2,2%.

Em contrapartida, o etanol proveniente do milho continua em expansão. Nesta safra, é esperado mais de 4,5 bilhões de litros produzidos, um aumento de 30% em relação à temporada anterior.

Mercado

De acordo com dados do Ministério da Economia, as exportações brasileiras de açúcar chegaram a 8,1 milhões de toneladas no acumulado de abril a julho de 2022, redução de 14,6% na comparação com igual período do ciclo anterior. Apesar da queda no volume embarcado, o valor dessas exportações alcançou cerca de US$ 3,2 bilhões, representando um leve aumento de 0,7% na comparação com igual período do ano passado.

Segundo a Conab, a valorização do real frente ao dólar e o aumento das incertezas sobre a economia mundial – o que gera preocupação em relação ao consumo e maior volatilidade nos preços – estão entre os motivos que explicam o menor volume exportado de açúcar.

Em relação ao etanol, o Brasil exportou cerca de 607,8 milhões de litros no acumulado dos quatro primeiros meses da safra 2022/23 (abril a julho), segundo o ministério. O volume corresponde a uma queda de 10,7% na comparação com igual período da safra passada.

“Assim como no caso do açúcar, essa redução é influenciada pela desvalorização do dólar em relação ao real, além da estimativa de queda na produção. Os preços domésticos em patamares elevados no começo da temporada também limitaram a exportação do etanol brasileiro”, detalha a Conab.

Levantamentos da Conab

Ao longo do ano-safra, a Conab faz quatro estimativas da cana-de-açúcar.

Os números e o comparativo entre os levantamentos estão presentes em uma planilha completa no NovaCana DATA, que inclui gráficos e o histórico das safras desde 2014/15. O acesso é exclusivo para assinantes.

Mais informações

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