Cana: Safra / Moagem

Conab estima moagem de 568,4 milhões de toneladas de cana em 2021/22

Valor representa uma queda de 13,2% em relação à safra anterior


NovaCana - 23 nov 2021 - 10:31 - Última atualização em: 09 dez 2021 - 15:39

Em sua terceira estimativa referente à temporada de cana-de-açúcar 2021/22, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) afirma que já foi possível considerar os efeitos adversos da estiagem e das baixas temperaturas registradas em junho e julho deste ano, inclusive com episódios de geadas em algumas áreas de produção, sobretudo em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.

“Em decorrência desses problemas, este levantamento aponta para uma redução na produção de cana-de-açúcar em comparação à temporada passada. A estimativa é que sejam colhidos 568,4 milhões de toneladas, representando um volume de matéria-prima 13,2% menor em relação à safra 2020/21”, afirma a publicação.

O valor também representa uma redução ante a projeção de 592 milhões de toneladas, publicada em agosto. O novo levantamento da entidade, que é realizado por meio de consultas e visitas às usinas, foi divulgado nesta terça-feira, 23.

Moagem por região

No Sudeste, principal região produtora do país, a previsão da Conab é de uma redução de 16,8% na produção, alcançando 356,7 milhões de toneladas. O valor é resultado da diminuição de 4,1% na área cultivada, além das adversidades climáticas.

Já no Centro-Oeste, houve redução de 0,8% na área a ser colhida, para um total de 1,8 milhão de hectares. Neste caso, a produção estimada é de 132,2 milhões de toneladas, 5,4% menor que a obtida na safra anterior.

No Nordeste, por sua vez, a redução está estimada em 13,6% na área a ser colhida. Entretanto, como há uma estimativa de aumento de 4,6% na produtividade, a região deverá registrar uma produção de 43,7 milhões de toneladas, 9,7% menor que àquela observada na última safra.

Na região Norte, houve redução de 0,9% na área a ser colhida e um incremento de 8,9% na produção, totalizando 3,8 milhões de toneladas.

Por fim, para a região Sul, a Conab espera um pequeno aumento de 0,4% na área cultivada, mas com produção total estimada em 31,9 milhões de toneladas, uma redução de 6,6% em comparação com a safra anterior, devido à diminuição na produtividade.

Produtos

No terceiro levantamento, os resultados apontam que a menor oferta de cana deve afetar a produção dos derivados na maioria das regiões produtoras do país. Segundo a Conab, a produção de açúcar no país foi estimada em 33,9 milhões de toneladas, uma redução de 17,8% em relação ao produzido na temporada anterior.

Além disso, desde a safra 2019/20, a Conab passou a disponibilizar para o público as estatísticas totais de etanol, com informações sobre o etanol à base de cana-de-açúcar e de milho. A produção total de etanol, proveniente das duas matérias-primas, é estimada em 28,27 bilhões de litros, uma redução de 13,7% em relação à safra passada.

Especificamente, a estimativa de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar é de 24,8 bilhões de litros, redução de 16,6% em comparação à safra 2020/21. Ainda assim, a produção de etanol anidro proveniente da cana deverá crescer em 4% em relação à última temporada, alcançando 9,69 bilhões de litros. Quanto ao etanol hidratado de cana, o total a ser produzido deve chegar em 15,11 bilhões de litros, redução de 26% em relação à safra anterior.

No caso do etanol à base de milho, a produção total continua em expansão e deverá ter um aumento de 14,9% em relação à safra passada. A Conab estima uma produção de 3,47 bilhões de litros nesta temporada. A produção de etanol anidro a partir do milho é estimada em 0,97 bilhão de litros, 4,2% superior em comparação com a temporada passada, e a produção de etanol hidratado a partir do milho deve ser de 2,5 bilhões de litros, um aumento de 19,7% em comparação à safra 2020/21.

Mercado

No acumulado dos primeiros sete meses da safra 2021/22, de abril a outubro deste ano, o Brasil exportou cerca de 16,9 milhões de toneladas de açúcar, o que corresponde a uma redução de 17,9% na comparação com igual período do ciclo anterior, influenciada pela queda da produção brasileira de cana na safra atual.

De acordo com a Conab, a restrição da oferta interna e a antecipação da entressafra em algumas usinas da região Centro-Sul do país colaboram para o aumento do preço do açúcar no mercado doméstico e redução das exportações. Em outubro de 2021, o Brasil exportou cerca de 2,3 milhões de toneladas de açúcar, o que representa uma redução de 9% em relação ao mês anterior e de 41,4% na comparação com outubro do ano passado.

Em relação ao mercado de etanol, o Brasil exportou cerca de 1,13 bilhão de litros no acumulado de abril a outubro de 2021, o que corresponde a uma redução de 38,6% em relação a igual período do ciclo anterior.

Conforme a entidade, a queda é influenciada pela limitação da produção no ciclo atual e pela restrição da oferta doméstica. Além da baixa produção, a queda do volume importado também impactou na oferta interna, diante da taxa de câmbio elevada no Brasil e da taxação integral do etanol proveniente dos Estados Unidos em 20%, após o encerramento da cota de importação com tarifa preferencial em dezembro de 2020.

Com isso, a quantidade importada tem como origem principal o Paraguai, que sozinho segue como responsável por cerca de 99,8% de todo o etanol importado pelo Brasil no período.

Levantamentos da Conab

Ao longo do ano-safra, a Conab faz quatro estimativas da cana-de-açúcar. Os números e o comparativo entre os levantamentos estão presentes em uma planilha completa no NovaCana DATA, que inclui gráficos e o histórico das safras desde 2014/15. O acesso é exclusivo para assinantes.

Mais informações

NovaCana
Com informações da Conab


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