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Cana: Safra / Moagem

Centro-Sul dribla clima adverso e processa mais cana do que o esperado, afirma FCStone

Demanda acelerada e preços elevados devem levar produção de etanol a superar recordes, enquanto açúcar é preterido pelas usinas


INTL FCStone - 06 ago 2019 - 11:25

Apesar do veranico entre dezembro e janeiro e da ocorrência de geadas, o Centro-Sul brasileiro deve apresentar maior rendimento agrícola na safra 2019/20 de cana-de-açúcar, com expectativa de moagem atingindo 583,3 milhões de toneladas, segundo levantamento da INTL FCStone. Esta estimativa representa crescimento anual de 1,8% ou 9,1 milhões de toneladas ante à estimativa anterior, divulgada em maio.

Em relação ao ATR médio das lavouras, após os níveis recordes na temporada passada, a consultoria espera uma retração de 1,8% no comparativo anual, finalizando a safra em 135,4 kg/t, devido à maior umidade nos últimos 12 meses.

“Quando analisamos o ATR total, é possível observar que o crescimento do TCH compensou quase que integralmente o menor ATR da cana”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, Matheus Costa. Assim, ele espera que 79 milhões de toneladas de açúcares recuperáveis sejam processados no ciclo corrente, retração anual de 0,1%.

A INTL FCStone ainda projeta que a fabricação de etanol de cana atinja 30,4 bilhões de litros em 2019/20, crescimento de 1,3 bilhão de litros ante ao relatório de maio e 0,7% acima de 2018/19. Desse total, cerca de 21,3 bilhões de litros (+7,6% e +0,3%) serão destinados à produção de hidratado e 9 bilhões de litros (-4,3% e +1,5%) à destilação do biocombustível anidro.

A produção de açúcar, por sua vez, foi revisada pelo grupo para baixo em relação à última estimativa, para 26,1 milhões de toneladas (-6,1%). No comparativo anual, esse volume representa retração de 1,5% –o menor desde a safra 2006/07.

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“Ao longo de nosso Giro de Safra, em que percorremos cerca de 6,5 mil km ao redor de algumas das principais mesorregiões canavieiras, identificamos que as usinas têm direcionado o máximo de cana à produção de etanol, uma vez que os preços do biocombustível se mostram mais favoráveis ante aos valores oferecidos para o açúcar”, relata Costa.

Desde o início de abril, por exemplo, o hidratado comercializado em São Paulo apresentou remuneração média 7,5% superior àquela oferecida para o VHP exportação – segundo o analista, o diferencial chegou a atingir 19% na terceira semana de julho.

Além disso, ao contrário do que ele esperava no começo do ano, o açúcar vem perdendo ainda mais espaço em comparação com o ano passado, levando a consultoria a reduzir a projeção de mix açucareiro do Centro-Sul para 34,7%. Essa proporção é 0,5 ponto percentual menor ante ao recorde dos últimos vinte anos registrado em 2018/19, bem como 2,4 p.p. inferior ao valor apresentado na estimativa de maio.

Etanol de milho

As estimativas da INTL FCStone mostram que a produção de milho esperada para a safra 2018/19 no Brasil deve alcançar pouco menos de 100,5 milhões de toneladas, crescimento de 24,5% em relação ao ciclo anterior e novo recorde para produtores do país.

Devido à maior disponibilidade do cereal, destilarias têm encontrado ambiente favorável para aquisição da matéria-prima. Considerando este cenário, a INTL FCStone elevou suas estimativas de produção de etanol de milho no Centro-Sul, para pouco mais de 1,1 bilhão de litros, alta de 8,8% ante à expectativa de maio e de 42,9% no comparativo anual.