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[Entrevista] Nuseed quer ocupar mais de 400 mil hectares com cana-energia

Visando áreas com restrições ao cultivo, companhia australiana que comprou ativos da GranBio quer se aproximar dos produtores do Centro-Sul

NovaCana 10 min de leitura

A expansão dos canaviais para áreas consideradas restritivas parece ter ganhado uma nova aliada. Em setembro deste ano, a Nuseed – braço de inovação da australiana Nufarm – comprou os ativos comerciais e de melhoramento da GranBio. Com isso, as variedades de cana Vertix passaram para as mãos da multinacional, que se comprometeu a desenvolver novos cultivares.

Em entrevista ao NovaCana, o diretor comercial da Nuseed, Ricardo Bendzius, afirmou que a companhia pretende concentrar suas pesquisas na nova fronteira agrícola. O objetivo faz parte dos princípios ambientais da companhia, que quer incentivar a produção de biocombustíveis e biomassa em regiões sem vocação para o cultivo de alimentos.

“A Nuseed é o braço de inovação da Nufarm, uma empresa de defensivos agrícolas de grande porte”, define Bendzius. Ele conta que a companhia tem 326 funcionários espalhados em mais de 30 países; no Brasil, a estrutura completa da Nuseed tem 56 pessoas.

Com a presença da cana-energia no portfólio, entretanto, a perspectiva é que o país ganhe importância dentro das operações. “Somando o faturamento da Nuseed Brasil com sementes de grãos – sorgo, canola e girassol – com o que a cana-energia vai ter no futuro, nós estamos criando uma unidade de negócio que, em pouco tempo, vai se tornar a mais importante da companhia”, projeta.

Na entrevista completa, disponível para assinantes NovaCana, Bendzius fala também sobre os investimentos projetados, os próximos lançamentos, as metas de mercado e o que exatamente deve mudar para os produtores interessados nas variedades Vertix.

A expansão dos canaviais para áreas consideradas restritivas parece ter ganhado uma nova aliada. Em setembro deste ano, a Nuseed – braço de inovação da australiana Nufarm – comprou os ativos comerciais e de melhoramento da GranBio. Com isso, as variedades de cana Vertix passaram para as mãos da multinacional, que se comprometeu a desenvolver novos cultivares.

Em entrevista ao NovaCana, o diretor comercial da Nuseed, Ricardo Bendzius, afirmou que a companhia pretende concentrar suas pesquisas na nova fronteira agrícola. O objetivo faz parte dos princípios ambientais da companhia, que quer incentivar a produção de biocombustíveis e biomassa em regiões sem vocação para o cultivo de alimentos.

“A Nuseed é o braço de inovação da Nufarm, uma empresa de defensivos agrícolas de grande porte”, define Bendzius. Ele conta que a companhia tem 326 funcionários espalhados em mais de 30 países; no Brasil, a estrutura completa da Nuseed tem 56 pessoas.

Com a presença da cana-energia no portfólio, entretanto, a perspectiva é que o país ganhe importância dentro das operações. “Somando o faturamento da Nuseed Brasil com sementes de grãos – sorgo, canola e girassol – com o que a cana-energia vai ter no futuro, nós estamos criando uma unidade de negócio que, em pouco tempo, vai se tornar a mais importante da companhia”, projeta.

Na entrevista completa, Bendzius fala também sobre os investimentos projetados, os próximos lançamentos, as metas de mercado e o que exatamente deve mudar para os produtores interessados nas variedades Vertix.

A Nuseed comprou os ativos biológicos da GranBio na área de cana-energia e se comprometeu a fazer aportes em pesquisa e desenvolvimento. Quanto a empresa pretende investir na área nos próximos anos?
O nosso acordo com a GranBio para os ativos biológicos e o programa de melhoramento é que vamos continuar desenvolvendo variedades que têm um perfil para a produção de etanol de primeira geração e vamos também investir em variedades mais ricas em fibra, de maior interesse para o etanol de segunda geração. O nosso valor previsto de investimento para os próximos dez anos, entre pesquisa e estruturação da área comercial, desenvolvimento de produto e assistência técnica, vai ser de mais de R$ 75 milhões.

A GranBio tem 11 variedades de cana protegidas no momento. A Nuseed pretende registrar mais cultivares? Há alguma meta no horizonte?
Vamos continuar registrando para podermos fazer o lançamento comercial. A nossa meta é lançar de um a dois produtos por ano a partir de 2023. Para o ano que vem, nós já temos um produto em fase de registro, a Vertix 12.

E quais são as principais características dessa variedade?
A Vertix 3, que é o produto mais plantado, rende 108 quilos de ATR [açúcar total recuperável] por tonelada. Esse novo produto pode chegar a 125 kg/t. Também é uma variedade muito produtiva, mas seu principal diferencial é que ela tem quase 10% a mais de ATR.

O anúncio da parceria com a GranBio também falava em adaptar as variedades de cana-energia para diferentes tipos de clima e solo. Esse é realmente o plano?
O que nós temos como meta são áreas de ambientes restritivos. Queremos crescer nessas áreas, pois há uma carência de variedades tolerantes ao estresse hídrico. Também são locais em que não vamos competir com a produção de alimentos. Essa é uma preocupação da Nuseed: que a expansão da cana-energia aconteça em áreas que não têm vocação para a produção de alimentos, para a agricultura tradicional e para variedades açucareiras. Esse é um posicionamento muito claro da companhia do ponto de vista de sustentabilidade. Olhando para a perspectiva de expansão da área plantada de cana-de-açúcar, acreditamos que vai existir uma oportunidade de, mais ou menos, 6 milhões de hectares de áreas cultiváveis com essas características. São áreas que vão estar vocacionadas principalmente para a produção de etanol e nós queremos participar disso.

Também havia sido divulgado que, atualmente, há cerca de 8 mil hectares de cana-energia, no Brasil e na Argentina. Que área plantada a Nuseed pretende alcançar? E em quanto tempo?
Nós queremos ter uma participação importante nos ambientes restritivos. A nossa participação atual é pequena, estamos em menos de 1% da área cultivada. A meta de longo prazo é chegar a, pelo menos, 7% de participação nos ambientes restritivos. Então, se a gente tem 6 milhões de hectares de ambiente restritivo em potencial, a nossa meta de longo prazo é de 7% de participação nesse mercado [nota da edição: esta área potencial seria equivalente a 420 mil hectares].

A aposta, então, segue sendo na cana-energia?
Sim. A cana-energia é bastante superior a uma cana tradicional, mas nós não vamos ser concorrentes, vamos ser um complemento. Vamos imaginar que uma usina precisa produzir mais biomassa do que ela já tem: nós teremos uma opção. Vamos imaginar que a usina precisa de uma variedade de cana que tenha mais flexibilidade nas duas pontas de colheita, no início e no fim: nós teremos uma opção. Vamos imaginar que a usina quer irrigar uma área para ter uma produtividade muito maior: nós teremos uma opção.

Uma das vantagens da cana-energia é o ciclo mais longo que o da cana convencional, demandando uma menor renovação do canavial e, consequentemente, reduzindo custos. Considerando também a produtividade dessa cana, ela realmente propicia um maior retorno para o produtor neste momento?
O nosso posicionamento nesse sentido tem dois pontos importantes. O primeiro deles é que a gente tem uma produtividade por hectare maior. Então, apesar da cana Vertix 3 ter menor ATR, com uma produtividade maior, ela vai ser superior em termos de tonelada de ATR por hectare do que outras variedades nesse mesmo ambiente. Esse é o primeiro ponto: a nossa meta é oferecer acima de 9,5 toneladas de ATR por hectare. Hoje, nesses ambientes, uma usina média está abaixo de 8 t/ha. Então, acreditamos que a cana-energia vai agregar valor ante as variedades tradicionais. O segundo ponto é a longevidade, a idade do canavial. Nossos dados indicam que vamos conseguir, pelo menos, oito cortes. Isso é uma grande economia para as usinas. O custo da cana colhida vai ser menor porque você vai ter um menor valor médio de reforma. Ao invés de depreciar em quatro cortes, serão oito. Então, a nossa cana vai ser mais barata do que a tradicional.

Quando foi feito o anúncio da aquisição, a entrada de uma empresa australiana no ramo de pesquisa e desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar levantou questões sobre a “saída” de uma inteligência desenvolvida nacionalmente. A pesquisa seguirá acontecendo no Brasil?
Nós estamos investindo no Brasil, estamos construindo. Além dos investimentos na estação experimental de Alagoas, em Barra de São Miguel, vamos construir uma segunda estação experimental em São José do Rio Preto (SP). É a partir dali, em direção a Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás, que estão os ambientes mais restritivos, para onde a cana-de-açúcar se expandiu recentemente, com projetos de greenfield. E é ali que tem o maior problema de manejo de variedades, onde está faltando produto. Esse é o primeiro sinal de que a Nuseed vai investir no Brasil: vamos construir uma segunda estação experimental e vamos contratar pessoas. Hoje, temos 16 pessoas, mas vamos ter 36 pessoas na área de pesquisa nos próximos três anos, entre doutores, mestres e outros funcionários, que vão trabalhar no apoio aos experimentos. Além disso, a Nuseed não tem know-how em cana-de-açúcar. Quem tem o conhecimento é o José Bressiani, que é o diretor de pesquisa científica e de cana-energia. Ele vai ter um papel importante e está localizado no Brasil, então, é natural que os investimentos sejam feitos e o conhecimento seja gerado a partir do Brasil para outros países ao redor do mundo.

Como vai ser a atuação nessas estações em Alagoas e em São Paulo. Elas são similares?
A estação de Barra de São Miguel é similar à que o CTC tem em Camamu (BA). Ela faz o mesmo tipo de trabalho, que são os cruzamentos. Já a estação de São José do Rio Preto vai fazer os outros estágios de desenvolvimento, que são o avanço e a seleção de clones. A gente precisava ter uma estação experimental mais próxima da realidade de clima e solo da região Centro-Sul. Vamos começar a espalhar, nas várias áreas e usinas parceiras, os clones que estão avançando e que, possivelmente, vão se tornar variedades comerciais. Esse é o conceito.

Mas existe a perspectiva de ter algo internacional no desenvolvimento de cana?
Primeiro, o que precisa acontecer é a internacionalização do etanol, seja de primeira ou de segunda geração. Isso precisa acontecer antes de a gente pensar em levar a pesquisa para outros países. Mas a biomassa é outra grande oportunidade. Então, pode ser que existam países que estão mais interessados em biomassa do que em etanol. Vamos observar como esses projetos vão evoluir antes de alocar recursos. Mas a nossa intenção é internacionalizar; já estamos conversando com os nossos pares da Austrália. O caminho natural é que começarmos a levar nossa tecnologia para países que já plantam cana-de-açúcar, como África do Sul, Austrália e assim por diante.

Para um produtor interessado na cana-energia, o que muda na prática com a aquisição dos ativos?
O que mudou é que, agora, ele vai ter uma equipe comercial. Antes era só um trabalho de pesquisa e esse time também ajudava no trabalho comercial. Então, o produtor vai ver mais pessoas oferecendo, promovendo, educando e dando assistência técnica e segurança. A Nuseed é uma empresa agrícola, enquanto a GranBio é uma empresa de tecnologia industrial, vamos dizer assim. Nós somos uma empresa de agricultura, de genética de plantas. A Nuseed é líder no mercado de sementes de sorgo, é líder do mercado de canola, é líder de mercado de girassol. Nós já estamos acostumados a lidar com a produção de grãos e, agora, vamos ter a produção de cana-de-açúcar. Foi por isso que a GranBio se interessou pela nossa proposta. Nós somos muito complementares ao que a GranBio faz. A GranBio é uma empresa de perfil industrial e nós somos uma empresa com o perfil genético de produção agrícola.

Renata Bossle – NovaCana

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