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Imprecisões em atualização do Consecana evidenciam discordâncias entre usinas e produtores

Nova e significativa alteração inclui valores adicionais por um caldo mais puro, prêmio para fornecedores mais produtivos e o RenovaBio, porém, falta clareza nos parâmetros


novaCana.com - 11 abr 2019 - 10:30 - Última atualização em: 11 abr 2019 - 12:31

Em 2019, o setor sucroenergético comemora 20 anos da liberação dos preços do açúcar e do etanol no Brasil. O fim deste controle governamental também deu origem ao modelo do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), utilizado até hoje para determinar o valor da cana vendida às usinas pelos agricultores.

Ao longo destes 20 anos, o modelo sofreu algumas mudanças, e uma nova e significativa alteração está por vir. No último dia 25, a diretoria do Consecana-SP aprovou uma atualização sobre três principais pontos, que versam sobre valores adicionais que serão pagos ao fornecedor de cana que entregar um produto de melhor qualidade, além de incluírem o RenovaBio no sistema.

Em um primeiro momento, a principal mudança do modelo será um valor adicional no pagamento da matéria-prima dado de acordo com a pureza do caldo da cana-de-açúcar. O valor será calculado por meio da escala Brix, que determina a quantidade de sacarose do caldo. Uma não convergência de opiniões entre produtores e usinas quanto a relação paramétrica do preço da cana estimularam a atualização.

Outra determinação é que os produtores sejam beneficiados com um valor extra pela cana que possui melhor qualidade. A diferença entre este e o primeiro ponto é que não há obrigatoriedade; trata-se de um incentivo. Ademais, o Conselho não oferece um número de referência, pois os valores seriam negociados entre usina e produtor.

Mas a valorização da pureza do caldo e a recomendação de que seja feito algo que já acontece na prática, em grande parte, vieram para suprir uma ausência de renovações no modelo Consecana.

“Queremos mostrar que a cana do produtor tem uma eficiência maior do que a de qualquer indústria, que possui um custo estrutural grande e não consegue ter o mesmo zelo que o produtor tem com uma parcela menor de terra”, Celso Albano de Carvalho (Orplana)

Não é de hoje o desconforto dos fornecedores com a baixa periodicidade de atualização dos parâmetros do modelo. A revisão do Consecana, inclusive, estava atrasada em mais de cinco anos em relação ao determinado em estatuto.

Além dos valores adicionais sobre a qualidade da cana, a atualização do Consecana também trata do RenovaBio. Contudo, ainda não há diretrizes sobre como será o repasse dos ganhos com o programa para os fornecedores.

Por enquanto, o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, esclarece que já existe um grupo designado para fazer o estudo do ponto de vista técnico e de mercado dentro do conselho. “Podemos buscar um modelo em que cada fornecedor tenha uma participação. Aquele que tem uma atividade mais sustentável, provavelmente teria um direito maior do que o que está penalizando a usina porque tem uma nota muito ruim”.

Leia mais:

- Como determinar a pureza do caldo
- Fatores para a bonificação de uma cana de melhor qualidade
- Entrada do RenovaBio nos parâmetros de precificação
- Atualizações no Consecana x práticas de mercado
- Conflitos entre conselho, indústrias e fornecedores
- Determinação de um preço justo para a cana-de-açúcar
- Inclusão do bagaço no Consecana

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