Cana: Mercado

Entidades orientam canavieiros a recusar entrega do CAR para usinas

Dados ambientais só devem ser entregues às indústrias que pagarem integralmente o valor obtido com os créditos do RenovaBio, defendem associações


Canal Rural - 30 jul 2021 - 08:44 - Última atualização em: 30 jul 2021 - 18:42

Associações de produtores de cana-de-açúcar estão orientando seus membros a não entregarem os dados de seus Cadastros Ambientais Rurais (CARs) às usinas que não garantirem o pagamento de 100% dos créditos de descarbonização (CBios), títulos vinculados ao programa RenovaBio.

A recomendação parte das maiores entidades canavieiras do Brasil – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e comissão de cana da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Estas organizações se manifestaram pela exigência do pagamento dos CBios proporcional à cana fornecida e ao mix de produção da unidade fabril. Com isso, as associações do setor pelos estados vêm intensificando a orientação de como os agricultores devem fazer isto.

Em assembleia na próxima segunda-feira, 2, a Associação de Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), a Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (Sindicape) devem repassar as orientações aos seus associados, incluindo os argumentos que justificam a não entrega de documentação para as usinas.

Além disso, a Feplana garante que as recomendações também estão sendo feitas pelo conjunto das associações de canavieiros em todos os estados produtores de etanol do Brasil, capitaneados pela Orplana no Centro-Sul e pela Unida no Norte-Nordeste.

A Orplana chegou a produzir um vídeo didático esclarecendo para os seus associados e a sociedade as razões para que as usinas repassem o valor dos CBios aos canavieiros de forma proporcional à cana fornecida às unidades fabris. A comissão de cana da CNA e a Unida têm a mesma posição.

“A razão para essa união nacional do setor canavieiro tem um motivo: não é justo que as usinas usem nossos dados ambientais, derivados da nossa cana, para fazerem o etanol e não paguem 100% dos nossos CBios”, afirma o presidente da Feplana, Alexandre Andrade Lima.

Ele defende que o valor seja pago proporcionalmente, descontando os gastos com impostos, certificações e outros custos referentes aos CBios. “Cada usina tem que levar em conta inclusive seu mix de produção e pagar de acordo ao fornecedor de cana. Se faz mais açúcar, paga menos; se mais etanol, paga mais”, completa.

Sem isso, Lima acredita que o RenovaBio se tornará uma espécie de “bolsa usineiro”, retirando o dinheiro do consumidor por meio da oneração sobre os combustíveis fósseis. Assim, ele defende a atualização da lei que estabeleceu o programa, com o Projeto de Lei 3149/2020, de autoria do deputado Efraim Filho (DEM-PB).