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Colheita

Início da colheita de cana na safra 2022/23 deve atrasar devido a impactos climáticos


RPA News - 28 jan 2022 - 09:31

Na última safra, o setor sucroenergético teve muitos problemas por conta da seca e dos incêndios que vêm atingindo os canaviais ao longo dos últimos dois anos. Estes fatores impactarão o início da safra 2022/23 no Centro-Sul.

De acordo com o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a seca recorrente, principalmente seu longo período em 2021, juntamente com incêndios, são uma herança muito negativa para safra 2022/23 no Centro-Sul brasileiro.

“As brotações difíceis pela seca, em seguida arrasadas pelos incêndios significam falhas nos canaviais que não serão corrigidas por boas chuvas. Como consequência, o canavial fica atrasado para colheita em 2022, expondo-se a um início mais tardio, com os riscos climáticos constantes no período da primavera (final da safra)”, disse à RPAnews.

Ainda de acordo com Carvalho, uma recuperação do canavial é esperada, com a torcida por um verão e início de outono favoráveis ao crescimento do canavial, ou a sua maturação com mais colmos.

Produtividade e renovação dos canaviais

Após uma safra boa safra de recuperação 2020/21, com média de 78 toneladas de cana por hectare, os produtores de cana do Centro-Sul brasileiro chegaram a uma média de 67 toneladas por hectare na safra 2021/22. Para 2022/23, por sua vez, há dois cenários possíveis, de acordo com Carvalho.

“O primeiro, de boas chuvas no verão e em abril e maio de 2022, leva a um ganho de produtividade agrícola sobre a safra 2021/22 – até 10% seria possível. E em um segundo cenário, de veranicos em fevereiro de 2022 e outono seco, a recuperação cairia para metade da esperada no cenário otimista”, avalia.

Desta forma, ele acredita que será essencial que o setor aumente as reformas em seus canaviais face o envelhecimento ocorrido em 2021. No entanto, apesar de querer renovar mais, o produtor pode enfrentar dificuldades de disponibilidade de mudas para um plantio de cana qualificado devido à seca e às queimadas.

“Sendo assim, espera-se aumento no plantio com canas comerciais. Isso deverá ocorrer mesmo que acabe reduzindo o volume de cana para colheita”, adiciona Carvalho.

Investimentos nos canaviais

O diretor ainda relata que os preços do etanol e do açúcar, considerados “muito bons” em 2021, levaram a um aumento dos investimentos por parte de usinas e produtores. Entretanto, a inflação de demanda – com uma grande oferta vindo de encontro a uma demanda em rápida recuperação – traz, de acordo com ele, falta de matéria-prima para a produção de insumos essenciais.

“Soma-se a isso a dependência da oferta de insumos pela China, que face as Olimpíadas de Inverno, fecharam por um período suas fábricas que gerariam poluição local. Esses aspectos trazem dúvidas quanto ao tamanho do aumento dos investimentos do setor sucroenergético em seus canaviais”, afirma.

Nos últimos anos, a cana-de-açúcar perdeu área para os grãos, que remuneravam melhor. No entanto, Carvalho acredita que a expectativa de que os preços do açúcar e do etanol se mantenham elevados poderá fazer com que a cana deixe de ter reduções de área.

“Desde que não haja decisões incorretas do governo”, pondera a alerta: “Se houver alguma intervenção desastrada para influenciar a redução dos preços da gasolina, por exemplo, isso traria uma competição com os grãos”, afirma Carvalho.

Moagem da cana, etanol e açúcar

Enquanto algumas consultorias já fazem previsões para a moagem da safra 2021/22, Carvalho prefere não arriscar. Para ele, ainda é muito cedo para cravar um número.

Em outubro de 2021, a Canaplan indicou uma tendência de oferta de cana para algo em torno de 540 milhões de toneladas. “Coloque-se um erro estatístico de 2% e tem-se uma projeção em bola de cristal esfumaçada”, afirmou à RPAnews.

Assim como outros consultores, a visão da Canaplan é também de uma safra mais alcooleira. “Provavelmente, veremos o petróleo com bons preços, o que deveria manter o mix da safra 2021/22 em torno de 45% para o açúcar e 55% para o etanol”, afirma. “O açúcar também irá remunerar, provavelmente com leve prêmio sobre o etanol”.

As indicações de que o Brasil terá uma produção menor de açúcar, juntamente com uma leve melhoria para o Hemisfério Norte e uma demanda global maior, levariam o mercado global a uma dependência da oferta da Índia que, por sua vez, depende de preços em torno de 20 centavos de dólar por libra-peso para ser competitiva. Assim, Carvalho acredita que a commodity será negociada entre 19 e 21 centavos de dólar.

Eleições 2022

Outra questão a ser observada atentamente durante a safra 2021/22 são as eleições, principalmente presidenciais e estaduais. Carvalho acredita que elas podem vir a impactar políticas de preços dos combustíveis, com o governo buscado formas de baixar impostos a fim de reduzir os valores para o consumidor.

“Há forças no Planalto trabalhando por medidas que contrariam o mercado e, via impostos, reduzam o preço da gasolina, o que levaria à perda de competitividade do etanol. Esse e o maior risco”, aponta.

Natália Cherubin


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