Açúcar: Mercado

Tereos vê espaço para preço do açúcar subir mais com quebra de safra no Brasil


Reuters - 01 jul 2021 - 14:05

A Tereos Açúcar & Energia Brasil, subsidiária do grupo francês Tereos, avalia que enfrentará uma quebra de cerca de 10% na produtividade da cana-de-açúcar devido à seca, mas vê preços do açúcar mais do que compensando financeiramente o recuo na produção, e uma tendência de alta no mercado do adoçante devido aos problemas climáticos no Brasil.

O grupo, segundo maior produtor de açúcar do Brasil e do mundo, que fechou na quarta-feira a emissão de sua primeira debênture com “selo verde” de sustentabilidade no país, no valor de R$ 480 milhões, tradicionalmente destina grande parte da cana para fabricar o adoçante.

Mas os valores levantados com as debêntures serão aplicados no plantio e tratos culturais de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol.

Investimentos em canaviais são fundamentais para lidar com problemas climáticos, como os registrados este ano, evitando perdas maiores de produtividade.

Mas nem o tradicional cuidado da Tereos evitou problemas para as lavouras em 2021/22, tamanha a severidade da seca desde o ano passado, que atingiu as áreas de suas sete usinas no noroeste de São Paulo, que processaram um total 20,9 milhões de toneladas de cana no ciclo passado.

“[O impacto] é significativo, infelizmente. A seca é muito importante e, este ano, tivemos que rever os números”, disse à Reuters o diretor-presidente da companhia no Brasil, Pierre Santoul.

Para ele, a quebra de safra de cana do Brasil “ainda não foi completamente precificada pelo mercado global”, e há espaço para as cotações do açúcar subirem mais.

Os preços do açúcar bruto negociados na bolsa ICE estavam nesta quinta-feira em cerca de 18,40 centavos de dólar por libra-peso, oscilando perto dos maiores níveis desde 2017 em gráfico contínuo.

O mercado, que já vinha sustentado por preocupações de oferta relacionadas à seca, subiu nos últimos dias por temores de perdas com as geadas no Centro-Sul brasileiro nesta semana.

Especialistas ainda avaliam o impacto das geadas nos canaviais.

Mas, no que diz respeito à seca, Santoul acredita que a alta de preços deverá compensar a quebra de produção de 10% esperada para o ciclo atual, até porque a companhia fixou vendas a valores 13% maiores do que na safra passada.

Em 2020/21, a produção de açúcar da companhia no país somou 1,8 milhão de toneladas, direcionando 62% da cana para a produção da commodity, majoritariamente exportada pela empresa (1,2 milhão de toneladas). Na safra atual, o mix de produção está em 63%.

Conforme o diretor de tesouraria e novos negócios da Tereos, Felipe Mendes, a média de preços do açúcar com vendas fixadas pela empresa, em reais por tonelada, para a próxima safra (2022/23), já supera em 18% os patamares fixados para o ciclo vigente.

Foco no canavial

“A manutenção do canavial é a coisa mais importante, a maior parte do nosso capex. Realmente, temos um foco muito importante nas boas práticas agrícolas e o uso das melhores variedades de cana”, disse o diretor-presidente da companhia no Brasil.

Graças aos investimentos em canaviais, a Tereos obteve produtividade de açúcar por tonelada de cana 10% acima da média do Centro-Sul, na safra passada.

Segundo o diretor de tesouraria, o valor levantado por meio das debêntures deve garantir três anos de investimentos em canaviais para a produção de etanol.

Os executivos ainda afirmaram que a emissão fechada na quarta-feira é a maior transação de mercados de capitais da Tereos no Brasil – com esta, a empresa já levantou cerca de R$ 1,5 bilhão em “financiamentos verdes” nos últimos 12 meses.

Em junho de 2020, a empresa disse ter realizado o primeiro financiamento sustentável do setor sucroenergético brasileiro, no valor de US$ 105 milhões, em operação atrelada a metas como a redução anual de emissões de gases de efeito estufa por tonelada de cana processada, redução no consumo de água por tonelada de cana processada; aumento anual da porcentagem de cana certificada.

Em março deste ano, a companhia emitiu aproximadamente R$ 350 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), em operação também caracterizada como “verde”.

Roberto Samora


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