Açúcar: Mercado

StoneX revê balanço global de açúcar para déficit em 20/21; consumo tem alta


Reuters - 06 ago 2020 - 11:02 - Última atualização em: 07 ago 2020 - 07:16

A produção total de açúcar no mundo na safra de 2020/21 (outubro a setembro) deve crescer 1,2% em relação a 2019/20, para 183,8 milhões de toneladas, o que não impedirá que o mercado tenha um déficit de 1,3 milhão de toneladas no ciclo, afirmou a consultoria StoneX nesta quinta-feira.

Além de elevar a projeção de consumo, apontando impactos do coronavírus menores que os antecipados, a consultoria explicou a projeção de déficit com a deterioração de safras em importantes players globais, o que reduziu a disponibilidade de açúcar em 1,5 milhão de toneladas ante a última projeção, divulgada no início de junho.

Para o Brasil, a consultoria projeta a produção de açúcar em 34,8 milhões de toneladas no ano internacional, queda anual de 2% e retração de aproximadamente 200 mil toneladas no comparativo com a projeção publicada no início de junho.

“No próximo ciclo internacional, o Brasil deve continuar como destaque em termos de produção de açúcar. Tanto que parte expressiva da fabricação esperada para a colheita de 2021 já foi fixada pelas usinas do centro-sul, de modo que o mix açucareiro deve se manter em patamar relativamente elevado”, disse.

Segundo o relatório assinado por Matheus Costa e Rafaela Souza, em meio às expectativas de retomada no consumo de combustíveis do ciclo Otto no próximo ano, o share da commodity deve ser ligeiramente inferior àquele projetado para a colheita de 2020.

Além disso, acrescentou a consultoria, o clima seco registrado neste ano pode pressionar a disponibilidade de matéria-prima para processamento em 2021.

A StoneX citou ainda como fatores negativos para as safras a situação na Tailândia, tradicionalmente o segundo exportador global, onde “a deterioração da produção de açúcar no próximo ciclo é cada vez mais clara”.

A empresa de análises comentou que condições climáticas atipicamente secas no país persistiram e estimou a produção em 7,6 milhões de toneladas de açúcar, queda de 300 mil toneladas ante previsão anterior e de 10,1% no comparativo anual.

Na União Europeia, as expectativas para a produção de açúcar no próximo ciclo continuam majoritariamente negativas.

“Além da menor área plantada e das condições climáticas mais secas durante a primavera, o que limitou o desenvolvimento inicial da beterraba, as lavouras têm encontrado nos ataques de pulgões – vetores do vírus amarelo da beterraba – outro importante fator limitante”, disse a consultoria.

A propósito, a França anunciou nesta quinta-feira que vai propor a retirada de uma proibição de certos pesticidas acusados de causar danos a abelhas para proteger sua produção de beterraba sacarina, que tem sido impactada por insetos neste ano, disse o Ministério de Agricultura.

A consultoria estimou que a fabricação de açúcar pela União Europeia e pelo Reino Unido deve alcançar 16 milhões de toneladas (valor branco) em 2020/21, queda de 4,2% em relação ao ciclo 2019/20 e de aproximadamente 200 mil toneladas no comparativo a última estimativa.

Consumo

Já o consumo global de açúcar, seguindo tendência de 2019/20, foi elevado em pouco mais de 0,3 milhão de toneladas frente à estimativa anterior em 2020/21, para 185,1 milhões de toneladas, alta de 0,4% na comparação anual.

“A demanda um pouco mais firme vem em meio à normalização relativamente antecipada da procura por açúcar em alguns polos consumidores, como na China e em alguns países da Europa”, disse a StoneX.

Para a consultoria, “o consumo no início da pandemia do novo coronavírus, de fato, foi prejudicado em alguns países, como a Índia”. No entanto, os fundamentos têm mostrado recuperação da demanda.

A conjunção entre esses dois fatores fez com que a projeção para o balanço de oferta e demanda de açúcar em 2020/21 se revertesse em relação ao relatório anterior, saindo de um ligeiro superávit de 0,5 milhão de toneladas para um déficit de 1,3 milhão de toneladas, pontuou.

2019/21

A produção total de açúcar no ciclo internacional de 2019/20 foi elevada em aproximadamente 0,9 milhão de toneladas frente à projeção anterior, para 181,7 milhões de toneladas.

Além de Índia e Brasil, essa alteração é baseada na revisão da produção da União Europeia (incluindo Reino Unido) e da Rússia.

Ainda assim, a oferta total no ciclo corrente representa retração de 2,1% em relação ao anterior.

O consumo foi projetado em 184,3 milhões de toneladas. Embora retração anual de 0,4%, esse volume supera em cerca de 370 mil toneladas as estimativas anteriores.

De modo geral, o déficit produtivo anteriormente projetado para 2019/20 pela StoneX foi reduzido na quinta revisão do saldo global de açúcar, de 3,1 milhões de toneladas para 2,6 milhões de toneladas.

Roberto Samora e Nayara Figueiredo


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