Açúcar: Mercado

Mercado de açúcar fechará 2019/20 com déficit 64% menor que o previsto, diz FCStone


Reuters - 04 jun 2020 - 07:22

O mercado global de açúcar em 2019/20 (outubro a setembro) deve ter déficit de 3,1 milhões de toneladas, uma redução de 64% na comparação com o volume previsto em março, com aumento na produção do Brasil e queda no consumo global em meio aos impactos do coronavírus, projetou nesta quarta-feira a consultoria INTL FCStone.

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil na atual temporada deverá atingir um recorde de 37,4 milhões de toneladas na safra local 2020/21 (março a abril), com aumento de quase 40% na comparação anual, ajudando a reduzir o buraco no mercado em ano de menor disponibilidade de outras nações.

“O firme crescimento do mix açucareiro no centro-sul do Brasil na colheita de 2020 deve compensar de forma expressiva a retração observada em players como Tailândia, China, Estados Unidos e México”, disse a consultoria.

A produção total de açúcar no mundo foi estimada em 180,8 milhões de toneladas em 2019/20, alta de 3,1 milhões no comparativo anterior, mas ainda uma queda de 2,5% de uma safra para a outra.

A demanda global por açúcar em 2019/20 sofrerá impacto das medidas para combater o coronavírus, com a FCStone estimando uma redução de 2,4 milhões de toneladas no consumo mundial ante a previsão anterior, para 183,9 milhões de toneladas.

“O grande ponto a analisar é que três dos principais consumidores de açúcar no mundo, China, Índia e União Europeia, adotaram medidas restritivas de isolamento social em combate ao Covid-19, o que pesou no consumo de açúcar”, disse.

Para a nova safra 2020/21 (ano internacional), a consultoria vê excedente de 500 mil toneladas no mercado global de açúcar, com produção no mundo avançando 2,5%, para 185,3 milhões de toneladas, em meio a uma fabricação “relativamente elevada” do Brasil, que se somará à recuperação observada em países como Índia, Estados Unidos e México.

Já a demanda atingirá 184,8 milhões de toneladas, aumento de 0,4% ante a temporada atual, um índice menor que o registrado em anos anteriores, já que o PIB global terá retração.

Roberto Samora