No começo desta semana, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o Brasil terá uma cota adicional para exportar açúcar aos Estados Unidos. Hoje (24), a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, publicou no Diário Oficial da União o rateio desta nova cota entre as usinas do Norte-Nordeste.
Com um volume de pouco mais de 75 mil toneladas, esta é a terceira adição aos volumes iniciais de exportação, divulgados em setembro de 2019. A novidade é que, mesmo que o rateio ainda se refira ao ciclo 2019/20 (outubro-setembro), os desembarques poderão ocorrer até 31 de outubro de 2020, excepcionalmente.
Segundo Bolsonaro, o adicional faz parte das negociações abertas no início do mês entre o Brasil e os Estados Unidos, após a extensão por três meses da cota brasileira para a importação de etanol. Representantes do setor sucroenergético e diplomatas, entretanto, discordaram desta declaração.
Com a quantia adicionada à cota para 2019/20, o volume total de açúcar a ser exportado aos EUA com reduções de impostos chegará a 293,79 mil toneladas, sendo 144,41 mil da cota preferencial, 12,78 mil da primeira adição e 61,19 mil da segunda. Esta terceira cota adicionou 75,41 mil toneladas ao montante.
Desta forma, o total supera as 169,8 mil toneladas de açúcar enviadas para os EUA no período anterior, 2018/19, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Economia.
Além disso, mesmo que o ciclo vigente se encerre oficialmente no final do mês, as cotas prioritárias para 2020/21 já foram divulgadas. O volume, fixado em 144 mil toneladas, é considerado pequeno pelas usinas nacionais.
Todos os anos, os EUA determinam uma cota prioritária para a compra de açúcar, que é dividida pelas usinas do Norte-Nordeste pelo governo brasileiro. Esta divisão segue um acordo comercial entre os dois países e os volumes vendidos contam com tarifas reduzidas.
Conforme divulgação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a usina que deve exportar a maior quantia no ciclo 2019/20 segue sendo a Coruripe, localizada na cidade alagoana de mesmo nome. Com a adição de 7,85 mil toneladas – a maior desde a cota inicial – a companhia chegou ao volume de 30,57 mil toneladas.

Este também foi o maior volume da nova cota. A segunda maior quantia adicionada no documento de hoje foi para a usina Santo Antônio, de São Luís do Quitunde, também no Alagoas. A unidade segue com o segundo maior rateio da exportação, chegando a 19,19 mil toneladas após a adição de 4,92 mil nesta nova cota.
Ao longo das cotas adicionais, não houve mudanças no ranking das 15 usinas que mais exportarão açúcar para os EUA neste ciclo. O destaque desta cota é justamente pelos maiores volumes, que estão bem acima da primeira adição e pouco acima da segunda.
Também não houve alterações nas usinas que podem enviar a commodity para os EUA. No total, são 36: 15 de Alagoas, nove de Pernambuco, três da Paraíba, duas do Rio Grande do Norte e de Sergipe, e uma de Bahia, Piauí, Pará, Maranhão e Amazonas. Acre, Amapá, Ceará, Rondônia, Roraima e Tocantins não constam na lista.

Consequentemente, com mais usinas, o estado alagoano é o que vai exportar a maior quantia para os EUA: 139,50 mil toneladas. Ele é seguido por Pernambuco, com 84,65 mil, e pela Paraíba, com 13,58 mil toneladas.
Segundo as regras estipuladas pelo Mapa, o rateio é realizado de acordo com a participação de cada companhia no total produzido no ciclo anterior, no caso, em 2018/19. Os valores foram enviados pelas próprias produtoras por meio do Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira (SAPCana).
Rafaella Coury – novaCana.com