Em sua primeira revisão para o saldo global de açúcar na safra 2021/22 (outubro a setembro), a inteligência de mercado da StoneX reverteu sua expectativa de superávit de 1,7 milhão de toneladas da commodity para um déficit de 1 milhão de toneladas.
De acordo com relatório assinado pelas analistas de inteligência de mercado do grupo, Marina Malzoni e Rafaela Souza, tal cenário responde à dinâmica climática adversa no Centro-Sul do Brasil e maior diversificação do açúcar para o etanol na Índia, apesar das expectativas positivas para a retomada da fabricação na Ásia e Europa.
Segundo a consultoria, as perspectivas para as monções na Ásia até o final de setembro se mostram positivas, com as chuvas sazonais tendendo a se situar próximas da média histórica. Na Índia, a conjuntura climática, aliada a expectativa de crescimento da área plantada com cana, corrobora aumento na produção de açúcar.

No entanto, as perspectivas se mostram mais otimistas para a ampliação da capacidade de destilação de etanol do país, de modo a alcançar a taxa de mistura de 10% do biocombustível na gasolina (E10). Por isso, a StoneX considerou que 3 milhões de toneladas de açúcar sejam direcionadas à produção de etanol em 2021/22, contra as 2,5 milhões de toneladas estimadas na publicação de maio de 2021. Consequentemente, a produção de açúcar no país deve alcançar 31,5 milhões de toneladas (valor branco), representando alta anual de 1,9%.
Na Tailândia, a dinâmica climática também tem se mostrado positiva e tende a contribuir para a recuperação da produtividade das lavouras, para entre 59,4 e 62,5 t/ha – crescimento anual médio de 14,7%. Isto, aliado à maior remuneração dos produtores de cana, em torno de 1.200 bahtes por toneladas, corrobora com as estimativas da consultoria de retomada da produção tailandesa em 2021/22, para 10 milhões de toneladas, aumento safra-a-safra de 32,5%.
Uma conjuntura semelhante é observada na China, em que o rendimento médio das lavouras de cana e de beterraba estão previstos para alcançar 65,5 t/ha (alta anual de 1,9%) e 54,1 t/ha (+3,1%), respectivamente. Mesmo assim, a StoneX manteve a sua projeção para a produção de açúcar na China em 10,3 milhões de toneladas (valor branco), recuo safra-a-safra de 3,4%. O volume está atrelado, especialmente, à estimativa de queda de área plantada com a beterraba no país.
Na União Europeia, apesar da expectativa de que a área plantada com a beterraba recue 0,9% no comparativo anual, para 1,5 milhão de hectares, a liberação emergencial ao uso de neonicotinoides continua trazendo perspectivas positivas. Previsões preliminares da Comissão Europeia estimam que a produtividade da beterraba alcance 73,5 t/ha em 2021, valor em linha com a média de cinco anos. “Respondendo a estas perspectivas, mantivemos a produção da União Europeia e Reino Unido em 17 milhões toneladas (valor branco), representando aumento anual de 10,6%”, destacam Marina Malzoni e Rafaela Souza.
Na Rússia, o monitoramento climático será fundamental para avaliar o potencial produtivo da cultura recém-semeada, mas o incremento de mais de 10% na área plantada com a beterraba corrobora crescimento anual de 15,8% na produção de açúcar no país, para 6,0 milhões de toneladas (valor branco).
Nas Américas, as lavouras de beterraba e cana-de-açúcar dos Estados Unidos têm observado déficit hídrico e temperaturas elevadas. Por isso, a StoneX reduziu em 3,2% sua projeção para a produção de açúcar no país, para 8,2 milhões de toneladas, frente as 8,4 milhões de toneladas em 2020/21.
Embora uma conjuntura climática similar esteja sendo observada no México, as áreas canavieiras do país vêm observando maiores volumes de chuvas, o que levou ao aumento de 1,6% na estimativa da StoneX para a produção de açúcar mexicana, totalizando 5,9 milhões de toneladas – crescimento anual de 3,4%.
Segundo a StoneX, o principal ajuste desta revisão ficou com o Centro-Sul brasileiro, em meio às perspectivas de quebra de safra e possíveis impactos das geadas sobre os canaviais, especialmente em 2022/23 (abril a março). Por isso, a estimativa é que a região produza 33,3 milhões de toneladas (tel quel) entre outubro de 2021 e setembro de 2022, queda anual e em relação à divulgação anterior de 9,1% e 6,3%, respectivamente. No Norte e no Nordeste do Brasil, a fabricação de açúcar é estimada em 3 milhões de toneladas (tel quel) – diminuição anual de 1,3%.
Por fim, na Austrália, o processamento de cana vem avançando de maneira satisfatória, mas a possibilidade de maiores volumes de chuva nos próximos meses pode prejudicar o ritmo das atividades de campo. Dessa forma, a StoneX manteve inalterada sua perspectiva para a produção de açúcar no país em 4,5 milhões de toneladas, aumento anual de 2,4%.
Com base nestas revisões, a produção total de açúcar global é projetada em 187,4 milhões de toneladas, crescimento anual de 2,2%. Com a demanda sendo estimada em 188,4 milhões de toneladas (+0,9% no comparativo anual), a safra 2021/22 deve contar com déficit produtivo de 1 milhão de toneladas. Desta forma, os estoques finais em 2021/22 são projetados em 73 milhões de toneladas (queda de 1 milhão de toneladas) e a relação estoque-uso em 38,7% (redução de 0,9 ponto percentual).