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Açúcar: Exportação

Preço de combustível no Brasil pode reduzir oferta global de açúcar


Reuters - 14 mar 2022 - 07:48

Um forte aumento no preço dos combustíveis da Petrobras a partir desta sexta-feira no Brasil pode levar a uma redução considerável na quantidade de açúcar que o país – o maior fornecedor mundial – enviará para o exterior durante a nova safra que começa em abril, segundo especialistas.

Eles disseram que o movimento da petroleira brasileira de aumentar os preços da gasolina em quase 19%, acompanhando o aumento do preço do petróleo em meio à guerra na Ucrânia, elevará os preços do etanol. Por sua vez, isso levará as usinas brasileiras a produzir mais biocombustível em detrimento do açúcar.

As empresas brasileiras de açúcar e etanol têm flexibilidade industrial para produzir mais ou menos açúcar ou etanol, dependendo dos preços de mercado. Se os preços do etanol subirem, elas desviarão mais cana-de-açúcar para produzir mais biocombustível e menos açúcar.

O analista do setor sucroenergético Claudiu Covrig diz que, se os preços do etanol subirem em um nível semelhante ao da gasolina no Brasil, o valor de venda do biocombustível ultrapassará o do açúcar pela primeira vez em anos.

Ele disse que, mesmo que as usinas aumentem os preços do etanol a uma taxa inferior ao aumento de 19% no preço da gasolina – 15%, por exemplo – em um movimento para aumentar a participação de mercado, elas ainda ganhariam mais dinheiro vendendo o biocombustível do que exportando açúcar.

Nesse cenário, a Covrig estima que o Brasil poderia cortar a produção de açúcar em cerca de 1,2 milhão de toneladas na safra 2022/23 (abril a março).

E essa quantidade poderia ser maior. “Um palpite é que as usinas podem transferir 2,5 milhões de toneladas de açúcar se a diferença de preço continuar atrativa (em relação ao etanol)”, disse o diretor administrativo da Paragon Global Markets, Michael McDougall, em Nova York.

Ele disse que as usinas podem até cancelar contratos de exportação de açúcar com comerciantes de commodities mediante o pagamento de uma taxa (“washout”) caso a diferença de preço for suficientemente favorável, reduzindo ainda mais a quantidade de açúcar que seria produzida.

O consultor de usinas brasileiras Julio Maria Borges diz que a escolha destas últimas por produzir açúcar ou etanol continuará a variar à medida que a safra avance e os preços da energia evoluam.

Marcelo Teixeira


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