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ISO reduz previsão de déficit para açúcar em 2021/22 para 2,55 milhões de toneladas

Embora mantenha uma perspectiva de produção inferior ao consumo em seu relatório de novembro, a entidade prevê um déficit menor ante o esperado em agosto

NovaCana 7 min de leitura

Em relatório publicado hoje, 18, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) afirma que o mercado global de açúcar seguirá em déficit em 2021/22 (outubro a setembro). Entretanto, houve uma redução no valor para 2,55 milhões de toneladas, ante as 3,52 milhões de toneladas previstas em agosto.

Mesmo com a mudança, o valor esperado pela ISO ainda é maior que a média calculada no levantamento realizado pelo NovaCana com 17 companhias. No começo do mês, a expectativa era de uma carência de 1,52 milhão de toneladas de açúcar em 2021/22.

Em relação à produção, a entidade prevê 170,47 milhões de toneladas do adoçante em 2021/22, o que representa uma queda de 165 mil toneladas na comparação com o relatório de agosto. Porém, o número significa um aumento de 1,48 milhão de toneladas ante 2020/21.

Já o consumo revisado aumentou, chegando a 173,03 milhões de toneladas, sendo 2 milhões de toneladas acima da temporada passada.

Para 2020/21, a ISO acredita em um déficit de 2,02 milhões de toneladas, aumento ante as 1,45 milhão de toneladas esperadas em agosto. A média no levantamento do NovaCana com as consultorias foi de um déficit de 1,94 milhão de toneladas.

A organização também aponta para uma perspectiva de menor produção mundial, de 169 milhões de toneladas, decaindo 1,34 milhões de toneladas desde o último levantamento. Um dos motivos citados no relatório é a menor produção no hemisfério sul. Já o consumo global foi revisado para 171,02 milhões de toneladas, queda de 771 mil toneladas ante agosto.

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Em relatório publicado hoje, 18, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) afirma que o mercado global de açúcar seguirá em déficit em 2021/22 (outubro a setembro). Entretanto, houve uma redução no valor para 2,55 milhões de toneladas, ante as 3,52 milhões de toneladas previstas em agosto.

Mesmo com a mudança, o valor esperado pela ISO ainda é maior que a média calculada no levantamento realizado pelo NovaCana com 17 companhias. No começo do mês, a expectativa era de uma carência de 1,52 milhão de toneladas de açúcar em 2021/22.

Em relação à produção, a entidade prevê 170,47 milhões de toneladas do adoçante em 2021/22, o que representa uma queda de 165 mil toneladas na comparação com o relatório de agosto. Porém, o número significa um aumento de 1,48 milhão de toneladas ante 2020/21.

Já o consumo revisado aumentou, chegando a 173,03 milhões de toneladas, sendo 2 milhões de toneladas acima da temporada passada.

Para 2020/21, a ISO acredita em um déficit de 2,02 milhões de toneladas, aumento ante as 1,45 milhão de toneladas esperadas em agosto. A média no levantamento do NovaCana com as consultorias foi de um déficit de 1,94 milhão de toneladas.

A organização também aponta para uma perspectiva de menor produção mundial, de 169 milhões de toneladas, decaindo 1,34 milhões de toneladas desde o último levantamento. Um dos motivos citados no relatório é a menor produção no hemisfério sul. Já o consumo global foi revisado para 171,02 milhões de toneladas, queda de 771 mil toneladas ante agosto.

Mudanças que afetaram o mercado

Segundo a ISO, as mudanças na dinâmica do comércio são considerações importantes para o mercado no curto prazo. Os preços mais altos, o frete elevado e os maiores custos operacionais nas refinarias são fatores que, quando combinados, acabam por moldar o comércio de açúcar bruto. Isso também gera uma mudança nos destinos dos embarques do Centro-Sul brasileiro e sua exportação para destinos deficitários, como a China.

Devido à rápida desaceleração na produção de açúcar no Brasil, a perspectiva da entidade é que as exportações do país caiam 4 milhões de toneladas em 2021/22, com os suprimentos nos próximos meses sendo significativamente menores do que na temporada passada.

Além disso, a ISO acredita que os próximos meses deverão favorecer o ressurgimento de fornecedores do hemisfério norte no mercado. Entre eles, a Tailândia deve aumentar o fornecimento para a região asiática, enquanto exportadores da América Central e da Índia também buscarão novos compradores.

Assim, a disponibilidade global de exportação reflete o declínio na disponibilidade da commodity no Brasil, a maior produção na Tailândia, a safra atrasada na Austrália e a contribuição de outros produtores do hemisfério sul.

Outro ponto destacado pela ISO é que a pandemia mudou a percepção sobre o mercado global nos últimos dois anos. Os déficits nesta temporada e nos dois ciclos anteriores diminuíram os estoques, fazendo com que a relação entre a armazenagem e o consumo fique em 53,9%, queda de 2,7 pontos percentuais ante à última temporada. No entanto, a organização destaca que o desejo em manter estoques está se mostrando forte e, provavelmente, será um fator chave para o restante do ciclo 2021/22.

Em relação à disponibilidade para exportação, a ISO estima que a maior safra na Tailândia levou a um crescimento, com sua perspectiva saltando para 60,27 milhões de toneladas, em comparação com as 59,29 milhões de toneladas de agosto. Todavia, a demanda de importação foi reduzida em 1,08 milhão de toneladas, para 59,33 milhões de toneladas, uma vez que as altas taxas de frete reduziram o interesse de compra de Rússia, Índia e África do Sul.

A ISO afirma que mantém uma visão neutra do mercado, com um menor déficit e alta sazonalidade da oferta no curto prazo. Assim, enquanto o consumo de 2021/22 não se ajusta a eventuais bloqueios nacionais, é previsto um cenário otimista.

Perspectivas para os preços

A entidade ainda observa que os preços no mercado futuro se estabilizaram no último trimestre: o prêmio do açúcar aumentou no período, mas os refinadores ainda enfrentam altos custos de frete. Além disso, com o aumento no preço da energia, as despesas ficaram maiores para os processadores, o que acabou desencadeando pressões inflacionárias, enquanto o índice agrícola do Banco Mundial foi pouco alterado.

Desde o último relatório da empresa, os valores do mercado mundial para o açúcar bruto e branco aumentaram. Em novembro, até o dia 11, o acompanhamento de preços diário e o índice para o açúcar branco foram, em média, de 19,43 centavos de dólar por libra-peso e de US$ 508 por tonelada, respectivamente.

Com o vencimento de outubro dos contratos futuros do açúcar bruto, a entidade aponta que houve um período de recuo, motivado por restrições na oferta ou por um forte interesse de compra. Por sua vez, os contratos futuros com vencimento em março estão sendo negociados dentro de sua faixa histórica nos últimos meses, com uma alta de liquidação de 20,33 centavos de dólar por libra-peso no início de outubro, mas abaixo do pico de agosto, de 20,85 centavos.

Segundo a ISO, os especialistas em investimento mantiveram seu posicionamento otimista no mercado de açúcar e em muitas commodities. No entanto, com os preços parecendo estagnados, a aproximação do fim do ano e novos suprimentos entrando no mercado nos próximos meses, o cenário daqui para frente é confuso.

Assim, as perspectivas para os preços da organização permanecem neutras, uma vez que os fundamentos mostram um déficit modesto, que está coberto por estoques reguladores suficientes. A demanda ainda é vista como incerta devido a possíveis bloqueios relacionados à pandemia de covid-19 ou mudanças nos padrões de comportamento individual de cada país.

Mercado de etanol

De acordo com a ISO, a produção global de etanol em 2022 foi projetada em 109 bilhões de litros (elevação de 4 bilhões ante 2021), enquanto o consumo foi estimado em 104,2 bilhões de litros (aumento de 2,9 bilhões). A entidade espera uma recuperação adicional na produção e no consumo nos Estados Unidos, após a maior produção de etanol de milho vista nas últimas semanas.

Enquanto isso, no Brasil, os preços recordes do etanol não têm sido suficientes para fazer as usinas alterarem sua produção e não priorizarem o açúcar, relata a organização. Com isso, a produção do biocombustível segue voltada para o etanol anidro, de modo a atender às necessidades de mistura durante o período de entressafra.

Além disso, a ISO acredita que a combinação de uma moeda mais fraca e de preços mundiais do açúcar suficientemente fortes apontam para uma alocação semelhante da cana-de-açúcar brasileira na safra que terá início em abril de 2022.

Lucas Vasconcelos - NovaCana

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