A Índia não pretende permitir mais exportações de açúcar, disseram autoridades do governo e do setor nesta quinta-feira, 19. As declarações enfraquecem as especulações de que o maior produtor mundial da commodity permitiria uma segunda parcela de embarques para o exterior.
A Índia, maior exportadora mundial de açúcar depois do Brasil, enviou um recorde de 11 milhões de toneladas na temporada anterior, encerrada em 30 de setembro de 2022.
Apesar disso, o governo permitiu que as usinas de açúcar exportassem apenas 6,1 milhões de toneladas do adoçante na atual safra. A inflação dos preços dos alimentos foi alta no início da temporada, levando a restrições nas exportações.
A princípio, as autoridades disseram que poderiam avaliar uma segunda parcela de exportações de açúcar depois de terem uma ideia mais clara sobre a produção local.
As usinas indianas já fecharam contratos para exportar cerca de 5,6 milhões de toneladas, e produtores, comerciantes e autoridades do setor esperavam que o governo permitisse um extra de 2 a 4 milhões de toneladas de embarques no exterior.
No entanto, uma possível queda na produção de açúcar reduziu as perspectivas de qualquer exportação adicional no momento, disseram autoridades do governo e do setor.
As menores exportações de açúcar da Índia podem elevar os preços globais e permitir que os rivais Brasil e Tailândia aumentem seus embarques.
“A produtividade da cana-de-açúcar foi bem menor do que no ano passado. A produção não é suficiente para permitir exportações adicionais”, disse um funcionário com conhecimento direto do assunto. Ele não quis ser identificado, pois não está autorizado a falar com a mídia.
“Não é possível atender a demanda da indústria de 3 a 4 milhões de toneladas. Não podemos permitir nem mesmo exportações adicionais de 1 milhão de toneladas”, disse outro funcionário, que pediu para não ser identificado.
As tradings globais esperavam, inicialmente, que a Índia permitisse a exportação de 8 a 9 milhões de toneladas de açúcar no ciclo que termina em 30 de setembro de 2023.
Mas o clima adverso surpreendeu o setor. A produção de açúcar do país – inicialmente projetada para um recorde de 36,5 milhões de toneladas, muito acima da demanda local de 27,5 milhões de toneladas – agora é prevista em 34,3 milhões de toneladas.
Um funcionário do setor disse que existia uma proposta para alocar uma cota adicional de exportação de cerca de 400 mil toneladas para usinas de açúcar que estão produzindo etanol diretamente do caldo de cana.
Contudo, é improvável que essa proposta seja aprovada antes do final de fevereiro, já que o governo prefere ver os números reais da produção antes de tomar uma decisão. “O governo pode não permitir nem mesmo pequenas quantidades se os números da produção continuarem sendo revisados para baixo”, disse o representante da indústria.
A Índia exporta açúcar principalmente para a Indonésia, Bangladesh, Malásia, Sudão, Somália e Emirados Árabes Unidos.
Rajendra Jadhav e Mayank Bhardwaj
Com tradução NovaCana