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Açúcar: Exportação

Governo reduz volume das cotas de exportação de açúcar aos Estados Unidos


novaCana.com - 06 set 2019 - 10:56

Foi divulgada, na última quinta-feira (5), em Diário Oficial, uma retificação da cota de exportação de açúcar para os Estados Unidos na safra 2019/20, rateada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O volume total, que na divulgação inicial era de 177,75 mil toneladas, caiu para 144,41 mil toneladas.

As mesmas 36 usinas participam do rateio – sete unidades a menos do que no ciclo 2018/19 –, mas com valores menores que os anunciados anteriormente. Conforme regras estipuladas pelo Mapa, as unidades são da região Norte-Nordeste; o objetivo é que os produtores da região tenham mais previsibilidade para a produção.

Todos os anos, os Estados Unidos determinam uma cota prioritária para compra de açúcar brasileiro e o governo divide o volume entre as usinas do Norte e do Nordeste. A divisão segue um acordo comercial entre os dois países e os volumes vendidos dentro da cota contam com tarifas reduzidas.

Conforme o documento oficial dos Estados Unidos, a cota separada para as usinas brasileiras no ano fiscal de 2019 (outubro a setembro) é de 152,58 mil toneladas métricas. O período é o mesmo que o estabelecido pelo governo brasileiro.

cota acucar NNE EUA tabela 20190906 block

Com a modificação, Alagoas – que detinha 84,44 mil toneladas da cota – poderá exportar 68,57 mil toneladas. Em relação ao total, esse volume representa os mesmos 47,48% frente à divisão feita em agosto.

Já Pernambuco ficou com 41,61 mil toneladas – na divisão anterior o volume era de 51,21 mil toneladas. Assim como Alagoas, o percentual em relação ao todo se manteve.

O ranking das unidades que mais exportam açúcar dentro da cota também segue igual, apenas com volumes menores do que na divisão anterior. A Usina Coruripe Açúcar e Álcool (AL) detém, atualmente, 15,03 mil toneladas do rateio.

Já a Central Açucareira Santo Antônio (AL) e a Usina Central Olho D'Água (PE) poderão enviar aos Estados Unidos 9,43 mil e 9,12 mil toneladas, respectivamente.

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Critérios do rateio

A distribuição da cota de açúcar é, habitualmente, divulgada até outubro, pois a safra da região Norte-Nordeste acontece de outubro a setembro, diferente da do Centro-Sul (de abril a março).

Conforme as regras estipuladas em junho de 2018, o Mapa realiza o rateio de acordo com a participação de cada companhia no total produzido em 2018/19. Os valores foram enviados pelas próprias unidades produtoras por meio do Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira (SAPCana).

Além disso, segundo a publicação mais recente no Diário Oficial, para o novo cálculo foi “descontado o fator de polarização”.

Mais etanol de lá, menos açúcar de cá

A retificação do documento ocorre em meio ao fogo cruzado envolvendo o aumento da cota para importação de etanol livre de tarifas, uma medida que beneficia os produtores dos Estados Unidos. A Portaria nº 547, de 31 de agosto de 2019, amplia de 600 milhões para 750 milhões de litros o volume de etanol que pode entrar no Brasil sem a taxação de 20%.

A decisão contrariou a expectativas das usinas brasileiras, que esperavam o fim da cota e o início da cobrança da tarifa de 20% sobre todas as importações de etanol. Porém, o pleito do governo estadunidense era para o fim da tarifa, conforme política adotada até agosto de 2017. O aumento da cota, assim, foi um acordo diplomático entre as duas partes.

Com a mudança, o esperado era uma maior abertura para a entrada do açúcar brasileiro no país. A existência de uma contrapartida, entretanto, ainda não foi acertada entre os dois países.

“Essa mudança não vai criar grandes distorções no mercado, mas condicionar novas conversas a uma efetiva abertura do mercado americano de açúcar. Foi uma solução salomônica. Uma decisão extremamente firme e equilibrada”, afirmou o presidente da União das Indústrias de Cana de Açúcar (Unica), Evandro Gussi, em entrevista ao El País.

Porém, essa visão positiva em relação à cota não é generalizada. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, considera a medida do governo federal “um desastre” para Alagoas.

De acordo com ele, a importação afeta o comércio de etanol local, interferindo em mais de 20 mil fornecedores de cana e 300 mil empregados em todo o Nordeste. As informações foram divulgadas pela Gazeta Web.

Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com


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