Açúcar: Exportação

Usinas de açúcar da Índia assinam exportação com antecedência após geadas no Brasil


Reuters - 29 jul 2021 - 09:10

Os comerciantes indianos assinaram, pela primeira vez, contratos de exportação de açúcar cinco meses antes dos embarques. O movimento segue uma provável queda na produção do Brasil, o que levou os compradores a garantir suprimentos do país do sul da Ásia com antecedência, disseram cinco fontes comerciais à Reuters.

A produção de açúcar no Brasil, maior produtor e exportador da commodity, deve cair devido à seca vista desde o ano passado, sendo também afetada pelas geadas recentes.

Os traders consultados disseram que o provável declínio já elevou os preços do açúcar para perto de seus níveis mais altos em três anos e está levando os compradores a garantir suprimentos antecipadamente da Índia, o segundo maior produtor de açúcar do mundo.

Até agora, os traders contrataram 500 mil toneladas de açúcar bruto para embarque em dezembro e janeiro. De acordo com eles, a commodity foi negociada entre US$ 435 e US$ 440 por tonelada, em regime de free-on-board (FOB).

“As usinas iniciariam a produção de açúcar três ou quatro meses depois disso, mas os traders já venderam produto da nova temporada para embarques em dezembro e janeiro com antecedência”, disse o diretor administrativo da Meir Commodities India, Rahil Shaikh.

Quatro outras fontes confirmaram os acordos de exportação, mas não puderam ser citadas devido às políticas de suas empresas.

Os traders indianos costumam assinar os contratos com um ou dois meses de antecedência e somente após o governo anunciar o subsídio à exportação para as vendas ao exterior.

Nos últimos três anos, as usinas indianas só conseguiram vender de forma competitiva aos exportadores com a ajuda de subsídios. As companhias são obrigadas pelo governo a comprar cana-de-açúcar dos agricultores a um preço mínimo definido, o que prejudica sua competitividade no mercado internacional.

No entanto, nos últimos dias, a alta dos preços globais tornou as exportações de açúcar viáveis mesmo sem os incentivos do governo. O país deve exportar um recorde de 7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2020/21, que termina em 30 de setembro.

Mas o mercado teme que o clima instável no Brasil crie uma escassez no fornecimento entre novembro e abril. Com isso, há uma sensação de que os compradores estariam concentrando as compras da Índia, disse um comerciante de Mumbai com uma firma de comércio global.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disse na quarta-feira que o clima frio afetou plantas de cana-de-açúcar em partes da região Centro-Sul, agravando as perdas já causadas pelo estresse hídrico.

Mas, ao contrário do que ocorre no Brasil, as usinas indianas produzem principalmente açúcar branco. Assim, os traders estão encorajando as companhias a produzir açúcar bruto no início da temporada ao contratar quantidades para exportação, disse outro comerciante de Mumbai com uma empresa comercial global.

“As usinas precisam de recursos para fazer o pagamento da cana no início da safra. Eles poderiam fazer açúcar bruto e levantar fundos rapidamente”, disse o comerciante.

Rajendra Jadhav
Com tradução NovaCana