Açúcar: Exportação

Cota extra de açúcar aberta ao Brasil pelos EUA valerá por 30 dias


EPBR - 23 set 2020 - 07:53

A Secretaria de Agricultura do governo dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) definiu que a cota adicional de 80 mil toneladas de açúcar brasileiro que poderá entrar no mercado norte-americano com tarifa reduzida precisará ser importada até 31 de outubro.

A informação foi confirmada nesta terça (22) em comunicado da autoridade reguladora de comércio exterior dos Estados Unidos, o U.S. Trade Representative (USTR).

Na segunda-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro afirmou em rede social que a cota adicional seria “o primeiro resultado das recém-abertas negociações Brasil-EUA para o setor de açúcar e álcool”. Representantes do setor sucroenergético e diplomatas questionam esta informação.

O governo brasileiro definiu que vai permitir a importação adicional de até 187,5 milhões de litros de etanol isentos de tarifa até dezembro. Ou seja, a vantagem tarifária ao produto norte-americano terá duração superior que a anunciada contrapartida dos EUA ao açúcar brasileiro.

A Secretaria de Agricultura dos EUA definiu o aumento do volume de açúcar importado com tarifa reduzida um dia antes da reunião da Camex, em 10 de setembro. A ocupação da tarifa de açúcar, contudo, só foi anunciada ontem.

Ao todo, o Brasil terá direito a utilizar 80 mil toneladas da cota. A Austrália ficará com outras 11 mil toneladas.

Com o novo volume anunciado, o Brasil terá direito a 310 mil toneladas de açúcar bruto de cana com tarifa reduzida a US$ 14 por tonelada nas exportações para os EUA. O volume representa menos de 2% das exportações brasileiras de açúcar. Acima da cota, o açúcar brasileiro exportado aos EUA paga US$ 337,92 por tonelada.

A renovação da cota de importação de etanol pelo governo brasileiro foi criticada pelo setor sucroenergético e por parlamentares da esquerda à direita como uma medida desproporcional nas trocas comerciais entre os dois países. Mas foi defendida pelo chanceler Ernesto Araújo como uma garantia ao “conforto político” do presidente Jair Bolsonaro.

A fala, feita em reunião com parlamentarem no começo de setembro, e reproduzida pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS) à EPBR, é uma referência à oportunidade de o governo brasileiro reafirmar seu alinhamento à gestão de Donald Trump, que concorre à reeleição em novembro, quando a vantagem ao açúcar brasileiro já estará extinta.

Guilherme Serodio