Açúcar: Exportação

Centro-Sul deve acentuar déficit global de açúcar na safra 2021/22, aponta StoneX

Apesar do contexto favorável para a produção da commodity em diversos países, as perspectivas negativas para o Centro-Sul continuam a pesar sobre a oferta global do adoçante


StoneX - 30 nov 2021 - 10:56 - Última atualização em: 08 dez 2021 - 10:37

Projeções divulgadas hoje, 30, pela consultoria StoneX apontam para um déficit global de 1,8 milhão de toneladas de açúcar da safra 2021/22 (outubro a setembro), representando aumento de 1 milhão de toneladas em relação ao estimado pelo grupo em outubro. Os estoques resultantes devem ser de 72,6 milhões de toneladas (-2,4% no comparativo anual) e a relação estoque-uso deve ficar em 38,5% (-1,3 ponto percentual).

“O Brasil permanece como ponto de atenção em meio aos impactos do déficit hídrico sobre a produtividade dos canaviais do Centro-Sul. Além das questões climáticas, o crescimento do mercado de etanol na Índia também deve contribuir com o déficit no balanço entre oferta e demanda do adoçante”, avaliam as analistas de inteligência de mercado do grupo, Marina Malzoni e Rafaela Souza.

As estimativas apontam para uma fabricação global de 186,6 milhões de toneladas na safra corrente, aumento anual de 1,6%, mas queda de 0,5% frente à publicação de outubro. Esta é a terceira revisão do ciclo feita pela StoneX.

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Conforme a consultoria, pelo lado da demanda há sinais de recuperação, especialmente em países asiáticos e polos de refino. De acordo com as analistas, a recente perda de sustentação dos fretes marítimos contribui com o maior apetite de compra em regiões consumidoras, tendência que é corroborada pela valorização do prêmio do açúcar branco.

Por isso, a StoneX estima que a demanda internacional se situe em 188,4 milhões de toneladas na temporada de 2021/22, ampliação anual de 0,9%.

Temporada brasileira

Em relação ao Centro-Sul do Brasil, a temporada 2021/22 (abril a março) deve ter retração anual de 12,3% na moagem, para 530,8 milhões de toneladas, resposta ao intenso déficit hídrico e à ocorrência de geadas ao longo de 2020 e 2021, conforme a StoneX.

Por outro lado, a entidade relembra que, desde o início de outubro, houve avanço considerável no volume de chuvas no cinturão canavieiro e esse retorno da umidade trouxe perspectivas positivas para a recuperação do potencial produtivo dos canaviais que serão colhidos em 2022/23 (abril a março), ainda que os bons níveis de chuvas precisem seguir até março do próximo ano. Dessa forma, a StoneX projeta que o Centro-Sul produza 31,3 milhões de toneladas de açúcar (tel quel) entre outubro de 2021 e setembro de 2022, queda anual de 12%.

No Norte e Nordeste do Brasil, por sua vez, a consultoria diz que o regime de chuvas favorável ao longo do período de desenvolvimento da cana corrobora com as perspectivas para a safra recém iniciada. A StoneX manteve sua projeção de que a produção de açúcar totalize 3,1 milhões de toneladas (tel quel) na região, aumento de 1,6% frente ao ciclo 2020/21.

A consultoria ressalta que, até o momento, a moagem alcançou 28,7 milhões de toneladas na região, elevando-se em 7% no comparativo anual, ao passo que a oferta de açúcar totalizou 1,3 milhão de toneladas (+3,1%).

No entanto, a expectativa de maior direcionamento de cana para a produção de etanol permanece como ponto de atenção, detalha a StoneX, considerando a necessidade de abastecimento doméstico, especialmente para o anidro. No mais, a previsão de chuvas acima da normalidade entre os meses de dezembro e fevereiro também pode pressionar o andamento da colheita.

Chuva na Ásia

No continente asiático, as chuvas se mostraram favoráveis ao desenvolvimento dos canaviais no período de monções (junho a setembro). Especificamente, na Índia, as condições climáticas também se mantiveram positivas nos meses seguintes. No acumulado desde o início de outubro até a terceira semana de novembro, 148,9 milímetros incidiram na média do país, 47% acima da normalidade.

Nos estados de Uttar Pradesh, Maharashtra e Karnataka, que concentram a maior parte da produção canavieira da Índia, o volume precipitado alcançou 89,5 mm (+162,5%), 106,9 mm (+21,6%) e 341,5 mm (+103,8%), respectivamente, conforme cita a StoneX.

“Ainda que esta condição tenha favorecido o potencial produtivo dos canaviais, a umidade excessiva ainda pode prejudicar o andamento dos trabalhos no campo, bem como a produtividade de parte dos talhões”, explicam as analistas Malzoni e Souza.

De acordo com os contatos da StoneX no país asiático, a oferta de cana na safra corrente deve se aproximar das máximas históricas, considerando tanto as monções positivas quanto a remuneração elevada da matéria-prima – que tem sido mais atrativa que as principais culturas concorrentes. Diante disso, a entidade manteve em 31,5 milhões de toneladas (valor branco) a estimativa para a produção de açúcar em 2021/22, patamar apenas 1% superior ao observado no ciclo anterior e que já desconsidera o direcionamento de 3 milhões de toneladas para a destilação de etanol. Sendo assim, as exportações do adoçante pelo país devem se situar entre 4,5 e 6 milhões de toneladas na safra corrente.

As boas condições climáticas também se mostraram favoráveis para o desenvolvimento dos canaviais na Tailândia, conforme pontua a consultoria, embora enchentes no período pós-monções tenham levantado preocupações em relação à produtividade das lavouras. Em paralelo, a remuneração paga aos produtores de cana tem se mostrado mais atrativa nesta temporada, posicionando-se entre 1.040 e 1.050 bahtes por tonelada, cerca de 13% acima de 2020/21.

Segundo a StoneX, tal dinâmica se coloca como uma das primeiras sinalizações de que o plantio da cana que será colhida em 2022/23 deve ser estimulado em detrimento de culturas concorrentes, como o arroz e a mandioca. Com isso, para 2021/22, a consultoria aumentou suas estimativas de produção de açúcar em 1,9%, para 10,7 milhões de toneladas – alta anual de 41,7%. A expectativa é que, desse total, cerca de 7,5 milhões de toneladas da commodity sejam destinadas para exportação.

Além dos países citados, as perspectivas também são positivas para o Paquistão. A conjunção entre bons volumes de chuvas e preços elevados da cana sustentam a expectativa da StoneX de que a produção de açúcar alcance 6,7 milhões de toneladas (valor branco) no ciclo corrente, avanço de 0,8% frente a 2020/21. Apesar disso, indicações de estoques mais apertados no país devem limitar sua capacidade de direcionamento do produto ao exterior.

Direcionando as atenções para a China, a consultoria afirma que temperaturas atipicamente frias e maior umidade têm sido registradas desde o início de novembro, com destaque para Guangxi, onde se observou geadas em parte das lavouras de beterraba, com consequente atraso para o início da colheita.

Tendo em vista que os impactos dessa dinâmica sobre a produção de açúcar permanecem sendo computados, o grupo manteve inalterada sua estimativa de fabricação em 2021/22, em 10,3 milhões de toneladas de açúcar branco (queda anual de 3,4%), ainda que tal volume ainda possa sofrer revisões negativas.

Perspectivas para a Europa

As expectativas da StoneX para a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido em 2021/22 têm se mantido em destaque diante da provável recuperação das perdas observadas em 2020/21. Segundo a Comissão Europeia, a produtividade média da beterraba deve alcançar 75,4 t/ha no ano corrente, 11,7% acima do observado em 2020 e 2,4% superior à média de cinco anos.

Uma tendência semelhante é observada na Alemanha e na França, principais produtores de açúcar no bloco europeu, onde se espera que o rendimento totalize 78,2 t/ha e 84,6 t/ha, respectivamente, alta anual de 5,4% e 35,3%.

Por isso, a StoneX projeta aumento safra-a-safra de 11,9% na produção da União Europeia e do Reino Unido em 2021/22, para 17,2 milhões de toneladas de açúcar (valor branco) – volume inalterado frente às estimativas de outubro deste ano. Mesmo assim, a região deve continuar atuando como importadora líquida de açúcar no ciclo atual.

Na Rússia, por outro lado, as condições climáticas têm se mostrado pouco favoráveis à produção da commodity. Em meio ao maior volume de chuvas, a consultoria completa que a taxa de extração de açúcar retraiu no comparativo anual, para 13,7% (-2 pontos percentuais). Mesmo assim, o aumento da área plantada com a beterraba deve compensar, levando a produção de açúcar para 5,5 milhões de toneladas (valor branco), alta anual de 6,2%, mas queda de 3,9% no comparativo com a publicação anterior.

EUA e México

Nos Estados Unidos, os impactos do furacão Ida sobre os canaviais do estado de Louisiana levantaram preocupações em relação aos possíveis danos sobre a produção de açúcar, destaca a StoneX.

No entanto, os prejuízos devem ser contrabalanceados pelas perspectivas favoráveis para a produção da commodity a partir da beterraba. A expectativa é de que a oferta em 2021/22 avance 1,1%, para 8,5 milhões de toneladas – volume 1,9% acima das projeções anteriores.

Além disso, um incremento na produção também é esperado no México em vista das condições climáticas positivas ao longo de 2021, atingindo 6,1 milhões de toneladas, contra 5,7 milhões de toneladas na anterior, conforme a consultoria.

La Niña na Austrália

Já na Oceania, chuvas abundantes sobre as principais áreas canavieiras da Austrália, com destaque para Queensland, devem ser fundamentais para o bom desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos em 2022, acredita a StoneX.

No entanto, a consultoria aponta que a continuidade do elevado volume de chuvas tem pressionado os trabalhos em campo no ano corrente. Por conta disso, a entidade oficial do setor açucareiro australiano reduziu em 3,2% as suas expectativas para a moagem de cana em 2021, para 30,4 milhões de toneladas.

Além disso, o maior volume de chuvas tende a persistir, especialmente em vista do La Niña, que costuma provocar maior umidade sobre o território australiano, aponta a StoneX. Embora isso seja prejudicial para a taxa de extração de açúcar e processamento da matéria-prima no ano corrente, a consultoria espera que a conjuntura seja positiva para o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos no próximo ano. Por isso, a StoneX reduziu em 3,4% suas estimativas para a produção de açúcar na Austrália entre outubro de 2021 e setembro de 2022, para 4,3 milhões de toneladas, queda anual de 1,1%.


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