Açúcar: Exportação

Brasil recebe cota adicional para vender 80 mil toneladas de açúcar aos EUA, diz Bolsonaro

Ampliação foi divulgada pelo presidente em rede social e deve beneficiar produtores do Nordeste; há uma semana, Brasil renovou tarifa zero para comprar etanol dos EUA


G1 - 21 set 2020 - 16:32 - Última atualização em: 22 set 2020 - 07:49

O presidente Jair Bolsonaro anunciou em rede social, nesta segunda-feira (21), que o Brasil vai receber uma cota adicional para exportar, com impostos reduzidos, 80 mil toneladas de açúcar para os Estados Unidos.

Segundo Bolsonaro, a cota foi informada pelo representante comercial dos EUA ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O acordo faz parte das negociações abertas no início do mês entre os países, que também resultaram em uma cota de isenção para o etanol que os Estados Unidos exportam para o Brasil.

“A quota para o açúcar brasileiro nos EUA passa de 230 para 310 mil toneladas e, por lei, beneficiará exclusivamente os produtores do Nordeste”, escreveu Bolsonaro. O G1 pediu informações adicionais ao Palácio do Planalto e ao Itamaraty, e aguarda retorno.

- O Representante Comercial dos EUA (USTR) comunicou hoje ao Chanceler Ernesto Araújo que o Brasil receberá uma quota...

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Monday, 21 September 2020

Um acordo comercial entre Brasil e EUA prevê que o açúcar brasileiro exportado dentro da cota está sujeito a uma carga tributária menor. Com isso, o produto chega mais competitivo às prateleiras norte-americanas.

Como funciona

As cotas de importação do açúcar são definidas anualmente pelos Estados Unidos e distribuídas entre diversos países. Em geral, o Brasil fica com a maior cota.

A ampliação dessa cota de produção não é novidade, embora o montante aprovado em 2020 seja maior que o de anos anteriores.

De outubro de 2019 a setembro de 2020, o total já confirmado de açúcar brasileiro com cota para entrar nos Estados Unidos é de 218,38 mil toneladas – além das 144,41 mil estabelecidas inicialmente, houve duas cotas adicionais: de 12,78 mil e 61,19 mil toneladas.

Uma lei de 1996 define que todas as cotas de exportação de derivados da cana-de-açúcar negociadas pelo Brasil devem ser atribuídas aos produtores do Norte e do Nordeste, “tendo em conta o seu estágio socioeconômico”.

Disputa da cana-de-açúcar

O aumento da cota de importação do açúcar brasileiro pelos Estados Unidos beneficia o setor da cana-de-açúcar, afetado negativamente pela escolha do Brasil de ampliar a importação de etanol norte-americano com “taxa zero”.

No Brasil, tanto o etanol combustível quanto o açúcar são produzidos quase exclusivamente a partir da cana-de-açúcar. Por isso, ao trazer etanol barato de fora e garantir exportação de açúcar, o governo sinaliza às indústrias sucroalcooleiras que é mais vantajoso produzir açúcar.

A cana não se desenvolve tão bem no solo norte-americano e, por isso, lá a maior parte do etanol é produzida a partir do milho. O açúcar produzido nos EUA é feito da cana e, em proporção quase igual, da beterraba.

O etanol de milho se beneficia tanto da isenção tributária quanto dos subsídios dos Estados Unidos à produção e, com isso, chega ao Brasil mais barato que o próprio biocombustível nacional.

A cota de isenção tributária para importação de etanol pelo Brasil chegou a expirar, no início do mês, antes de ser renovada em acordo exclusivo com os EUA. Naquele intervalo, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Evandro Gussi, questionou a ausência de contrapartidas dos Estados Unidos às facilitações concedidas pelo Brasil

“Os americanos não aceitaram oferecer qualquer contrapartida como, por exemplo, uma isenção pra tarifa de importação lá do nosso açúcar, que hoje é de 140%”, declarou.

Mateus Rodrigues e Pedro Henrique Gomes
Com informações adicionais novaCana.com