Açúcar: Exportação

Altos preços de frete afetam comércio de açúcar, diz BP Bunge


Reuters - 04 ago 2021 - 08:08
Mario Lindenhayn e Geovani Consul, executivos da BP Bunge, apontam que altas taxas para transporte afetaram o comércio de açúcar

Os altos preços dos fretes transoceânicos levaram consumidores de açúcar ao redor do mundo a interromper compras e utilizar estoques, causando um excesso de oferta temporário do adoçante no Porto de Santos (SP), o que empurrou para baixo os diferenciais de preços.

De acordo com a BP Bunge Bioenergia, companhia de açúcar e etanol de propriedade de BP e Bunge, em alguns momentos de julho o açúcar brasileiro chegou a ser vendido com desconto frente aos contratos futuros negociados em Nova York, em vez de registrar o tradicional prêmio sobre os futuros, já que muitos importadores saíram do mercado.

“O fato é que essa situação com o frete transoceânico causou algum estresse”, disse o presidente-executivo da BP Bunge, Geovani Consul. “Agora está voltando, está melhorando para agosto”, acrescentou.

As altas taxas para o transporte transoceânico – tanto para navios que carregam açúcar a granel e grãos quanto para os contêineres usados para produtos como café e algodão – aumentaram os custos para as empresas e afetaram o comércio.

Analistas afirmam que um aumento nas compras online e desequilíbrios na distribuição de contêineres e navios durante a pandemia, assim como a alta nos preços do petróleo, são as principais causas para o movimento.

Os preços de contêineres estão três vezes acima dos níveis vistos antes da pandemia, enquanto as taxas para os navios tipo Panamax atingiram uma máxima de 11 anos no início de julho.

Consul disse durante uma teleconferência de resultados que ouviu que alguns compradores pediram a outras empresas brasileiras de açúcar para que adiassem embarques do adoçante, enquanto aguardavam por uma queda nas taxas de frete.

Perspectiva favorável

A BP Bunge registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 3,4 bilhões no ano encerrado em março (2020/21), alta de 63% na comparação anual.

A empresa espera ter mais um bom ano em 2021/22, apesar da seca e das geadas no Brasil, afirmando que o teor de açúcar na cana vai compensar parcialmente uma queda de 10% estimada para a safra.

A companhia espera que a safra do ano que vem seja melhor caso as chuvas voltem ao normal entre dezembro e março.

Segundo Consul, a estratégia da companhia é “moer o mais rápido possível a cana que está no campo”, para ter maior prazo no desenvolvimento do canavial para a temporada 2022/23, diante da seca e das geadas.

O presidente do conselho de administração da BP Bunge Bioenergia, Mario Lindenhayn, ressaltou que apesar da seca a companhia sofreu redução “mínima” na produtividade, por ter unidades situadas em outras regiões menos atingidas pelas intempéries.

“Por estarmos distribuídos em cinco estados, temos impacto da seca menor do que outras empresa que estão mais concentradas no Mato Grosso do Sul e São Paulo”, destacou.

A companhia tem 11 unidades distribuídas em Goiás, Minas Gerais e Tocantins, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Na última safra, as usinas da BP Bunge moeram 27,3 milhões de toneladas no período, versus uma capacidade produtiva de 32,4 milhões de toneladas, que deverá ser preenchida nos próximos anos, uma vez que a empresa seguirá investindo fortemente em canaviais – só na última safra foram R$ 1,3 bilhão.

Nesta safra, a BP Bunge projeta novo crescimento do lucro, diante de preços recordes do etanol no mercado interno e da firmeza da cotação do açúcar, disse Consul.

Segundo Lindenhayn, a demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol) está tendo incremento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado, que foi afetado pela pandemia.

“Não chegamos à demanda de 2019, mas estamos muito próximos. Os volumes são bastante fortes, a demanda total de etanol se mostra bastante interessante”, afirma.

A companhia também anunciou nesta terça-feira compromissos relacionados ao desenvolvimento sustentável para os próximos dez anos, com metas que incluem redução de 10% nas emissões de gases de efeito estufa na produção de etanol.

Marcelo Teixeira e Roberto Samora


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