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São Martinho deve importar etanol anidro no fim deste ciclo ou início do próximo


Agência Estado - 11 nov 2021 - 09:55

A São Martinho deve importar etanol anidro – tipo que é misturado à gasolina – neste ano ou no início do próximo, afirmou o diretor financeiro da companhia, Felipe Vicchiato, em teleconferência nesta terça-feira. "É para abastecer o mercado dada a forte demanda por anidro", disse ele.

A demanda por etanol anidro é alta já que o consumo de gasolina vem aumentando, inclusive em detrimento do etanol hidratado, cujo preço está acima da paridade ideal com o derivado do petróleo. O setor sucroalcooleiro busca evitar a falta de oferta de etanol anidro por temores de que o governo reduza a mistura mínima obrigatória do biocombustível na gasolina, hoje em 27%.

Mais etanol

As usinas brasileiras podem usar uma parcela expressiva da cana-de-açúcar na temporada 2022/23, que começa em abril no Centro-Sul, para produzir etanol, afirmou o diretor Financeiro da São Martinho. "Se os preços atuais de etanol prevalecerem, usinas podem fazer bem mais etanol do que açúcar no próximo ano", afirmou ele. "Hoje o etanol paga prêmio sobre o açúcar. Então, do jeito que está, é possível que a safra brasileira seja bastante alcooleira no próximo ano, o que deixaria o açúcar em patamar bastante bom."

Ele destacou ainda que os fundamentos globais também devem sustentar o adoçante. "A Índia está em safra agora e estimamos que a produção deva aumentar pouco, cerca de 1 milhão de toneladas; na Tailândia também deve haver recuperação nesse patamar. Mas achamos que isso não deve mudar muito o jogo, esses aumentos já estão precificados", afirmou. "O lado bom estrutural do açúcar na Índia é a política de aumento da mistura de etanol na gasolina, o que reduz a produção de açúcar na região, algo importante no longo prazo", disse. "Mas ainda vemos um cenário bastante justo de oferta e demanda de açúcar para o próximo ano."

Etanol de milho

A São Martinho estuda apostar ainda mais na produção de etanol de milho e iniciar uma segunda fase da unidade desse tipo de biocombustível, disse o diretor Financeiro da companhia, Felipe Vicchiato. "Dada a forte demanda por etanol prevista para os próximos anos, e a preço mais remunerador, estamos analisando, mas ainda não é possível saber de quanto seria o investimento", afirmou. "Depois que fechamos grande parte dos equipamentos para a planta atual, o custo aumentou muito, então provavelmente o Capex seria maior nessa segunda fase. Mesmo assim, daria retorno", disse o executivo.

A empresa já trabalha na implementação de uma fábrica de etanol de milho em Quirinópolis (GO), com investimento de cerca de R$ 650 milhões. Outro plano de alocação de capital é numa planta de cogeração que deve consumir R$ 350 milhões, metade este ano e metade no próximo.

A companhia também pretende efetuar recompra de ações ou pagamento de dividendos. "No ambiente atual, onde não se paga Imposto de Renda sobre dividendos, preferimos pagar dividendos a comprar ações", disse ele. "Mas se a legislação mudar, a recompra pode ser interessante dependendo do preço da ação e do ciclo de açúcar e etanol."

Quanto à produção de biometano, Vicchiato afirmou que espera novidades nos próximos trimestres. "Evoluímos bem, encontramos um parceiro de tecnologia, temos algo assinado para aprofundar os estudos, e espero que até fim deste ano ou início do próximo tenhamos um projeto desenhado para ver se é viável onde nossas usinas estão."

Augusto Decker


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