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Análise da ocupação do solo e impactos na biodiversidade: etanol e cana


Força (Strenght): Disponibilidade de terras

Na avaliação das áreas potenciais para expansão da produção (link – cap 4), mostrou-se que há disponibilidade de terras para atender a produção de 205 bilhões de litros de etanol para exportação em 2025, sem entrar nos biomas sensíveis como Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. Os cenários do estudo consideraram o estabelecimento de reservas ambientais em 20% da área plantada e considerou que não se utiliza áreas de reservas florestais, indígenas, parques etc., para a expansão da produção de cana-de-açúcar. Outro aspecto a ser mencionado é que o cultivo da cana proporciona a recuperação do solo, em comparação com a plantação de outras culturas.

O cenário de produção de etanol para o ano de 2025, ao prever aumento da produtividade de cana e etanol para a situação de “tecnologia progressiva”, reduz a área necessária requerida. Isso reduziria possíveis deslocamentos de culturas e pastagens e efeitos sobre a biodiversidade.

O aumento da produtividade dever-se-á às maiores eficiências energéticas no aproveitamento do bagaço para o processo industrial e maior proporção de recolhimento da palha na colheita, que atingiria 50%.

Para a situação de “tecnologia progressiva”, prevê-se um rendimento na produção de etanol de 92,6 l/tc e 102,1 l/tc em 2015 e 2025, respectivamente, um aumento de 9% e 20% comparado ao cenário sem tecnologia (85 l/tc) e à situação atual.

Esses ganhos de produtividade significariam uma redução de 8% e 17% na área de produção de cana-de-açúcar em 2015 e 2025, respectivamente. E uma redução de 17% e 23% no número de destilarias necessárias em 2015 e 2025, comparado ao cenário sem tecnologia.

Fragilidade (Weakness): Queima da cana-de-açúcar

A prática da queima da cana-de-açúcar causa danos à biodiversidade e ecossistemas, com evidente redução de populações de espécies de vertebrados e insetos pela eliminação de habitats ou mortes pelo fogo e da cobertura vegetal. As reservas ambientais, matas ciliares e cobertura de mananciais também são ameaçadas pelo avanço da cultura e/ou prática de queimadas.

A diversificação de habitats terrestres e úmidos está frequentemente associada a uma fragmentação de habitats, que conduz a profundas alterações no balanço entre espécies de interior e espécies de orla, e pode provocar o isolamento genético de populações para além de mortalidade faunística associada a movimentos de dispersão.

Os estudiosos da produção de açúcar e etanol frisam que a expansão da cana-de-açúcar está ocorrendo majoritariamente sobre áreas degradadas e de pastagens. Por outro lado, de acordo com organizações ambientais, os deslocamentos da pecuária e de culturas menos rentáveis podem ocorrer sobre áreas de florestas nativas e de cerrado de modo indireto. Todavia, ainda não existe uma metodologia confiável para correlacionar esses deslocamentos. Mas esses eventuais impactos indiretos não devem ser menosprezados e precisam ser investigados nos estudos de ocupação do solo e impactos na biodiversidade.

No estudo de terras disponíveis apresentado na analise de áreas para expansão [link- -capítulo 4], não foram descontadas as áreas de pastagens que, devido a sua baixíssima produtividade, constituem de fato uma reserva para expansão das atividades agrícolas.

Oportunidade (Opportunity): Criação de corredores de biodiversidade nas plantações de cana

Estímulo à produção de etanol pelo sistema orgânico que, dentre outras boas práticas, realiza a colheita crua da cana e observa as áreas de reserva legal.

Na atualidade há um debate sobre qual a melhor alternativa para manter áreas de preservação ambiental: se é a lei atual, que estabelece o mínimo de 20% da área de cada propriedade rural para reservas naturais, ou se cada estado deve definir uma área de reserva compatível com sua realidade e necessidade.

Ameaça (Threat): Redução da biodiversidade nas áreas de plantio

Caso o aumento da produção de cana-de-açúcar ocorra pelo sistema convencional, é bem provável que haja redução da biodiversidade nas extensas áreas de plantio, conforme indica levantamento realizado pela Embrapa Monitoramento por Satélite em propriedades da região de Ribeirão Preto. Num plantio convencional de cana, não se contam mais do que 30 espécies, ao passo que em propriedades que utilizam o sistema orgânico de produção foram identificadas 248 espécies (EMBRAPA, 2005).

Por outro lado, com o uso da produção orgânica, poderá haver o risco de um aumento das pragas e plantas daninhas, com possíveis impactos na produção e no equilíbrio ecológico local.

Há também o risco de degradação e queima de áreas de reserva, eventos recorrentes, mas pouco difundidos na mídia. Como exemplo, tem-se a Estação Ecológica de São Carlos, Unidade de Conservação localizada no Município de Brotas – SP, com um histórico de danos diretos e indiretos provocados pelas queimadas realizadas nos canaviais que se estendem até seus limites (FERREIRA, 2007).

Alguns autores afirmam que em termos locais poderá haver pressão sobre a oferta e sobre os custos de produção de alimentos, como consequência da reconhecida crescente concentração de terras nas novas áreas de expansão, como na região oeste do estado de São Paulo, sob a forma de arrendamento e compras de terras (VEIGA FILHO, 2007). Uma possível consequência é o rompimento do tecido social e produtivo, com as atividades de menor expressão em nível de macrorregião, mas importantes em nível local, sendo desarticuladas. Por exemplo, pequenas associações produtivas, longamente construídas, e que solidificaram relações socioeconômicas locais com características de sustentabilidade, podem ser rompidas pelo impacto da expansão da cana.

Obs.: SWOT é a sigla para quatro grupos de caracterizações que se busca ao analisar um problema ou situação. Em inglês: Strength, Weakness, Opportunities e Threats.