Apesar do aumento no espaço, a agência americana fez suas apostas sobre como se comportará o mercado e acredita que o Brasil exportará em 2017 a mesma quantidade prevista para este ano
Mantendo sua posição de apresentar metas adequadas para as condições do mercado e da indústria, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) divulgou suas perspectivas para o consumo de biocombustíveis no país em 2017. Os novos números, como já era esperado, não agradaram nem a gregos e nem a troianos. Ou seja, as empresas petroleiras acreditam que a participação dos biocombustíveis deveria ser menor, enquanto os fabricantes – especialmente as usinas de etanol de milho – exigem uma participação maior e voltam a referenciar as metas originais, estabelecidas em 2007 e que já sofreram uma série de revisões.
A proposta da EPA, apresentada na última quarta-feira (18), envolve elevar o volume de biocombustíveis que as refinarias do país devem misturar à gasolina em 2017 para 18,8 bilhões de galões [71,16 bilhões de litros]. Esse montante representa um aumento de quase 700 milhões de galões [2,65 bilhões de litros] em relação à exigência para 2016.
A princípio, trata-se uma boa notícia para as usinas brasileiras. No entanto, mesmo com o maior espaço para biocombustíveis avançados, a EPA acredita que o etanol de cana-de-açúcar não conseguirá competir no mercado e terá espaço limitado.
O NovaCana apresenta detalhadamente o espaço total que o etanol de cana pode ocupar, a principal aposta da EPA para importação de etanol e os 4 cenários alternativos que a agência trabalha que envolvem diretamente as usinas brasileiras.
Mantendo sua posição de apresentar metas adequadas para as condições do mercado e da indústria, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) divulgou suas perspectivas para o consumo de biocombustíveis no país em 2017. Os novos números, como já era esperado, não agradaram nem a gregos e nem a troianos. Ou seja, as empresas petroleiras acreditam que a participação dos biocombustíveis deveria ser menor, enquanto os fabricantes – especialmente as usinas de etanol de milho – exigem uma participação maior e voltam a referenciar as metas originais, estabelecidas em 2007 e que já sofreram uma série de revisões.
A proposta da EPA, apresentada na última quarta-feira (18), envolve elevar o volume de biocombustíveis que as refinarias do país devem misturar à gasolina em 2017 para 18,8 bilhões de galões [71,16 bilhões de litros]. Esse montante representa um aumento de quase 700 milhões de galões [2,65 bilhões de litros] em relação à exigência para 2016.
Para o Brasil, importam duas coisas, o espaço máximo que o etanol de cana pode ocupar e como a EPA espera que este espaço seja ocupado. Para chegar nestes dois pontos a agência se baseou em padrões históricos e no seu entendimento da capacidade de produção e na disponibilidade de matéria-prima.
Assim, dentro do espaço para os biocombustíveis avaçados a agência acredita que o etanol de cana e o biodiesel se destacarão, com este último dominando.
A meta proposta especificamente para o biodiesel avançado em 2017 é de 3 bilhões de galões de etanol equivalente [11,36 bilhões de litros]. Contudo, a EPA acredita que esse valor pode ser ultrapassado em 1,7 bilhão de litros, volume que ocuparia então o espaço do etanol de cana.
Seguindo essa premissa da agência, da meta de 688 milhões de galões [2,6 bilhões de litros] destinadas a biocombustíveis avançados diversos, restariam pouco mais de 900 milhões de litros. Desse total, a EPA estima que 189 milhões de litros serão de outros combustíveis que não o etanol – um crescimento de 98% em relação aos 95 milhões de litros previstos para 2016 –, enquanto as importações de etanol de cana-de-açúcar serão de 757 milhões de litros.

Exportações do Brasil devem se manter estáveis
Embora o aumento das metas pareça ser uma notícia positiva para as usinas brasileiras, a EPA se demonstrou cética em relação à capacidade do Brasil em enviar etanol para os Estados Unidos. A perspectiva de receber 757 milhões de litros de etanol de cana-de-açúcar é exatamente a mesma projetada para 2016. “As metas de 2016 foram em parte baseadas em uma projeção de 200 milhões de galões [757 milhões de litros] de etanol importado de cana-de-açúcar. Nossas visões atuais sobre o potencial de fornecimento de etanol importado para 2017 são majoritariamente as mesmas”, afirma em relatório.
A agência, inclusive, chega a repetir em seu relatório o parecer dado no estabelecimento das metas para 2016, quando apontou as incertezas no fornecimento vividas em anos anteriores. De acordo com a EPA, em 2014, o total de etanol brasileiro somou 64 milhões de galões [242,3 milhões de litros]; já no ano passado foram 89 milhões de galões [336,9 milhões de litros] – um crescimento de 39%.
“Boa parte dessa variação está ligada ao preço internacional do açúcar. Entre 2005 e 2015, a produção anual de açúcar no Brasil aumentou com a mesma frequência com que diminuiu”, critica o estudo, que continua: “O total de gasolina consumida no Brasil continua a crescer, reduzindo o potencial para aumentos substanciais das exportações de etanol em 2017 a medida que o etanol é uma fonte importante e o fornecimento de combustíveis no Brasil precisa atender à demanda”.
Assim, a EPA conclui: “Estas considerações nos levam a crer que 200 milhões de galões [757 milhões de litros] de etanol de cana-de-açúcar é um volume apropriado para determinar o padrão de combustíveis renováveis.”
Este volume de 757 milhões de litros é aproximadamente a média das exportações de etanol do Brasil para os EUA entre 2010 e 2015, segundo a fonte da EPA.
Maior exportação de etanol não é descartada
Ainda assim, a visão da EPA não é determinista. Mesmo assumindo que 757 milhões de litros de etanol de cana-de-açúcar foi o número usado para a definição das metas, a agência acrescenta que as importações podem ser maiores ou menores, dependendo de influências do mercado.
O órgão do governo dos Estados Unidos ainda calculou quatro cenários ilustrativos para o cumprimento das metas utilizando apenas etanol de cana-de-açúcar e biodiesel. Na melhor opção (ao menos para os produtores brasileiros), o etanol de cana-de-açúcar preencheria quase todo o espaço disponível para os biocombustíveis avançados. Na pior, contudo, toda a meta seria ocupada pelo biodiesel.

Além disso, como o atual texto das metas está aberto para comentários públicos, a EPA se comprometeu a ajustar os valores se tiver alguma mudança. No entanto, a agência não parece muito aberta a argumentos e deve basear sua decisão apenas em dados de importação de etanol pelos EUA. “Nós poderemos ajustar os valores para cima ou para baixo baseado em dados mais recentes de importação real de etanol de cana-de-açúcar que forem enviados através dos comentários”, especificou o documento.
Apesar do espaço maior, a Unica soltou comunicado na última sexta-feira com uma crítica a proposta da EPA. A entidade brasileira afirmou que mesmo este espaço maior “não será suficiente para promover o acesso dos consumidores americanos ao etanol brasileiro”. Na opinião da Unica, a EPA deveria aumentar a mistura de etanol na gasolina e criar formas para incentivar menos o biodiesel dos EUA para o que etanol brasileiro tenha mais condiçães de competir.
Renata Bossle – NovaCana