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USDA estima moagem de 628 mi toneladas de cana para safra brasileira 2018/19

Governo americano cita dados do setor sucroenergético brasileiro para projetar números e tendências da safra de cana 2018/2019

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O Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou relatório com estimativas para a safra 2018/2019 de cana-de-açúcar no Brasil. No que se refere à moagem da cana, o órgão aposta em 628 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 2%, ou 11 milhões de toneladas, em relação às 639 milhões moídas no período 2017/18.

O relatório atribui a queda ao clima seco que predominou no país entre julho e setembro passados, prejudicando a lavoura.

Considerando apenas a região Centro-Sul, a moagem estimada é de 583 milhões de toneladas de cana, 12% a menos que as 595 milhões da safra anterior.

Nesse caso, além das condições climáticas desfavoráveis, o documento afirma que as limitações financeiras dos produtores para gerir a lavoura são o grande fator para a queda de moagem, uma vez que a falta de recursos enfraqueceu o controle de pragas na plantação. Além disso, canaviais renovados apresentaram falhas na germinação dos brotos e restrições econômicas impedem investimento no replantio.

Leia mais:

- Estimativa de moagem para o Nordeste
- Evolução do ATR e da moagem no Brasil
- Projeção de produção de açúcar e etanol
- Exportação de açúcar
- Balanço dos estoques nacionais
- Consumo doméstico brasileiro

O Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou relatório com estimativas para a safra 2018/2019 de cana-de-açúcar no Brasil. No que se refere à moagem da cana, o órgão aposta em 628 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,7%, ou 11 milhões de toneladas, em relação às 639 milhões moídas no período 2017/18.

O relatório atribui a queda ao clima seco que predominou no país entre julho e setembro passados, prejudicando a lavoura.

Considerando apenas a região Centro-Sul, a moagem estimada é de 583 milhões de toneladas de cana, 2% a menos que as 595 milhões da safra anterior – esses dados, segundo o documento, foram fornecidos pela Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio do estado de São Paulo.

Nesse caso, além das condições climáticas desfavoráveis, o documento afirma que as limitações financeiras dos produtores para gerir a lavoura são o grande fator para a queda de moagem, uma vez que a falta de recursos enfraqueceu o controle de pragas na plantação. Além disso, canaviais renovados apresentaram falhas na germinação dos brotos e restrições econômicas impedem investimento no replantio.

Já a previsão para a região Nordeste é de 45 milhões de toneladas em moagem de cana – leve alta de apenas um milhão em relação à safra anterior. O motivo, nesse caso, está na melhora do clima nas áreas cultivadas.

Apesar da expectativa de uma produção menor para a safra deste ano, dados históricos levantados pelo USDA mostram que tanto o volume de cana moído quanto o índice de açúcar total recuperável (ATR) ao longo do tempo se mantêm relativamente estáveis no Brasil. Ou seja, o setor não tem crescido nem se retraído ao longo das últimas safras.

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Desde a safra 2014/15, a moagem variou entre 617 e 571 milhões de toneladas de cana, enquanto o ATR oscilou de 130 a 136 quilos por toneladas de cana, incluindo a projeção para 2018/19.

Açúcar e etanol

Para o açúcar, o USDA estima o volume total da safra 2018/19 em 34,2 milhões de toneladas – queda de 12,08% em relação às 38,9 milhões da safra passada. Os estados do centro-Sul devem corresponder a 31,7 milhões de toneladas – 92,69% do total produzido, e 12,91% a menos do que em 2017/18 (36,4 bilhões). Já no Nordeste, a produção se mantém estável na casa das 2,5 milhões de toneladas.

Por sua vez, a fabricação de etanol é projetada em 29 bilhões de litros, ou seja, 1,1 bilhão a mais do que os 27,9 bilhões da safra passada.

Os números da proporção entre açúcar e etanol também são destaque no relatório: para o USDA, aproximadamente 42,2% da cana moída será destinada à produção de açúcar, ou seja, 4,2 pontos percentuais a menos em comparação à safra passada.

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Esse deslocamento seria por conta do excesso de açúcar no mercado internacional, que vem impactando as exportações brasileiras da commodity. “Contatos na indústria [sucroalcooleira] apontam que houve deslocamento do estoque mundial de açúcar: passou de um déficit de, aproximadamente, quatro milhões de toneladas na safra de 2016/17, para um superávit de quatro milhões em 2017/18”, descreve o documento.

Outro ponto levantado é que o etanol hidratado passou a ter preço mais competitivo por conta do aumento constante do preço da gasolina no Brasil ao longo dos últimos meses, deslocando, assim, a moagem em favor da produção de combustível.

Exportação, estoques e consumo doméstico

Em termos de exportação, o setor sucroalcooleiro segue em função de possíveis déficits no mercado internacional de açúcar. Para este ano, o USDA propõe uma queda significativa nas exportações brasileiras: de 28,2 milhões de toneladas para 23,6 milhões – o equivalente a menos 16,31%.

Apesar de permanecer competitivo no exterior, o açúcar brasileiro perdeu potencial devido ao excesso da commodity disponível, o que desviou a atenção das usinas para o etanol. De todo o açúcar comercializado este ano, 18,88 milhões de toneladas serão de açúcar bruto (VHP) e o restante representa o produto já refinado.

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Os estoques de açúcar brasileiros ao final da safra 2018/19 são estimados pelo USDA em 850 mil toneladas. O valor é 70 mil, ou 7,6%, menor do que as 920 mil toneladas da estimativa revisada para o final de 2017/18.

Por fim, o relatório do governo americano também estima que o consumo de açúcar no Brasil para o período 2018/19 é de 10,67 milhões de toneladas, pouco mais do que os 10,60 milhões em 2017/18. Esse pequeno aumento é atribuído a uma possível melhora do poder aquisitivo e ao crescimento natural da população.

Nicholle Murmel – NovaCana

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