NovaCana

Unica usa plano do governo para atacar falta de perspectiva

pde2022 v2 131213A projeção do governo de que o setor viverá um novo ciclo de expansão não está alinhada com a realidade, segundo as usinas
NovaCana 3 min de leitura
Numa explícita crítica a falta de perspectiva por parte do governo, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) rejeitou a estimativa de que o setor sucroenergético viverá um novo ciclo de expansão, feita pela Empresa de Pesquisa Energética, e apresentou dados e projeções diferentes do que espera o governo.

Ao participar da reunião da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada no último dia 4 de dezembro, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) rejeitou as estimativas feitas pela Empresa de Pesquisa Energética para o setor sucroenergético para o Plano Decenal de Energia (PDE) 2022 e apresentou dados e projeções próprios para daqui dez anos.

No cenário "principal" da entidade, que prevê a manutenção do status quo, a capacidade nominal de moagem vai atingir 740 milhões de toneladas em 2015 – volume próximo aos 747 milhões de toneladas previstos pela EPE – e apenas 760 milhões de toneladas em 2022, ante as 995 milhões estimadas pelo órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia.

Numa explícita crítica a falta de perspectiva por parte do governo, a Unica afirma que este será o caminho natural para o setor. A pequena ampliação de capacidade nos próximos anos estaria relacionado à expansão das unidades que entraram em operação nos últimos anos e à implantação de novos projetos já planejados e anunciados até 2015. Já no intervalo entre 2016 e 2022, nenhuma nova unidade entraria em operação, contrariando a premissa do PDE de que 39 unidades iniciariam operação nesse período.

A instituição considera que, caso seja estabelecida uma regra clara e previsível para formação de preços da gasolina, é possível que um cenário "otimista" se concretize, com o aumento da capacidade de moagem para 850 milhões de toneladas. Ainda assim, seria necessário que as externalidade positivas do etanol fossem incorporadas ao sistema de preços, que novas tecnologias para ganho de eficiência dos carros flex fossem introduzidas no mercado, que houvesse indução de investimentos em P&D e que fosse estabelecida uma contribuição para redução de custos por litro do etanol.

aprunicapde 131213

Ao mostrar quais seriam os "elementos determinantes para a expansão da capacidade", a Unica põe em xeque as projeções da EPE, porque o Plano Decenal de Energia 2022 não deixa claro como será possível atingir os cenários descritos e parece não levar em conta todos os fatores que impactam as decisões do setor.

Para explicar a estimativa de implantação de 39 novas usinas entre 2016 e 2022, por exemplo, a EPE diz que ela se baseia "nos novos projetos entre 2010 e 2015 e em observações de mercado". Já a expansão da capacidade de moagem para 995 deve ser obtida, segundo o órgão, com "redução de custos de produção" e "algumas alterações na tributação do etanol, de forma que o setor volte a ser competitivo".

No mês passado o portal NovaCana apresentou os detalhes do trabalho da EPE sobre o futuro do mercado. Um resumo está disponível na reportagem: Setor sucroalcooleiro viverá novo ciclo de expansão, aposta EPE.

A apresentação da Unica está disponível aqui.

Vivian Faria – NovaCana
Compartilhar: