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Tebet afirma que aumento na mistura de etanol à gasolina pode neutralizar impacto de tarifaço

Pré-candidata ao Senado e ex-ministra do Planejamento do governo Lula disse, durante agenda em Catanduva (SP), que medida ajuda a preservar empregos no setor sucroenergético


G1 - Publicado: 20 Jul 2026 - 10:28

A pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento do governo Lula (PT), Simone Tebet (MDB), afirmou nesta sexta-feira, 17, que o aumento de 2 pontos percentuais na mistura obrigatória de etanol à gasolina pode neutralizar os impactos da nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos.

A declaração foi feita durante agenda política no noroeste paulista, uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do estado. O etanol é um dos itens que aparecem na lista dos sobretaxados.

Entre os argumentos apresentados pelos EUA na aplicação do tarifaço está a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, afirmou que a tarifa brasileira aplicada ao etanol importado segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não descumpre nenhum acordo bilateral firmado com os Estados Unidos.

Segundo Tebet, a medida de aumento de 2% na mistura é suficiente para absorver, no mercado interno, um volume superior ao atualmente exportado aos norte-americanos, reduzindo o risco de perda de empregos no setor sucroenergético.

“Só o aumento de 2% da mistura do etanol na gasolina já supera uma possível interrupção total das exportações para os Estados Unidos”, afirmou Tebet.

O Brasil cobra 18% sobre o etanol trazido dos EUA, mas paga 2,5% sobre os litros exportados no sentido oposto. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro em 2025, em um total de US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões).

A produção de etanol do Brasil tem como foco o próprio mercado interno brasileiro. Apenas 7% do combustível é exportado – sendo 1% para os EUA. Os dados são da Unica e se referem à safra de 2023/24.

Durante o discurso, Tebet disse conhecer a preocupação dos produtores da região com os efeitos do tarifaço. Ela afirmou que uma eventual queda nas exportações poderia provocar desemprego em massa, já que o etanol brasileiro perderia competitividade diante do etanol de milho produzido pelos Estados Unidos.

Segundo a ex-ministra, a ampliação da mistura obrigatória do etanol na gasolina, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ajuda a preservar empregos e dá segurança ao setor.

Madelyne Boer e Desirèe Assis