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Sucroalcooleiras recorrem aos recebíveis do agronegócio para se capitalizarem

dinheiro 171014“Quando se faz uma primeira operação dessas se ganha uma exposição grande no mercado. Se algum dia a companhia quiser abrir o capital ou fazer outra captação é positivo ter essa exposição”

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Com a crescente necessidade das usinas de açúcar e etanol por recursos financeiros, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) — uma alternativa às tradicionais linhas de crédito — estão em franco crescimento.

Só neste mês de outubro dois grupos do setor captaram R$ 774 milhões através da emissão de CRA.

“Este tem sido uns dos anos mais fortes. Neste segundo semestre, que é uma coisa que impressiona muito, vai dar quase R$ 1 bilhão e não saímos com duas [emissões] paralelas para não competirem [entre si], mas é uma atrás da outra e estamos tratando de operações já para o ano que vem”, informa o diretor da Gaia Agro, Joao Paulo Pacífico.

Veja a seguir as sucroalcooleiras que conseguiram aproveitar esta opção, as vantagens e dificuldades deste tipo de operação e os detalhes das captações realizadas.

Com a crescente procura por recursos financeiros das usinas de açúcar e etanol, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) — uma alternativa às tradicionais linhas de crédito — está passando por forte crescimento.

Duas sucroalcooleiras devem captaram neste mês R$ 774 milhões através da emissão de CRA.

A Raízen, principal companhia produtora de açúcar e álcool do país, foi responsável pela maior oferta pública de CRA já realizada, com valor inicial de R$ 500 milhões, e a usina Vale do Tijuco Açúcar e Álcool, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), realizou a captação de R$ 99 milhões.

Após finalizar oficialmente o procedimento de bookbuilding, período de reserva dos papéis pelos investidores interessados, a operação da Raízen deve ter o prospecto definitivo liberado hoje aos investidores. Informações do Valor Econômico dão conta que a demanda pelos títulos superou oferta inicial e totalizou a captação limite, de R$ 675 milhões. Os recebíveis serão lastreados por duas cédulas de produto rural financeira (CPRF), emitidas pela Raízen Energia com um aval do braço de distribuição, a Raízen Combustíveis.

Já a Vale do Tijuco finalizou a captação de R$ 99 milhões, com a publicação do anúncio de encerramento da oferta. O valor ficou abaixo dos R$ 150 milhões esperados pela usina mineira. Os títulos são lastreados em Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio emitidos pela CMAA.

As operações tem como securitizadora a Gaia Agro, empresa que já fez a distribuição de CRA para outras duas companhias do setor, a goiana Jalles Machado, que captou R$ 41,5 milhões no início deste ano, e o grupo paulista Nardini, que obteve R$ 120 milhões no final de 2013. Somadas, as quatro emissões de CRA do setor realizadas pela Gaia totalizam R$ 935,5 milhões.

Nos últimos meses o volume das operações – para o setor canavieiro e outros ramos do agronegócio – teve um grande crescimento, segundo o diretor da Gaia Agro, Joao Paulo Pacífico. “Este tem sido uns dos anos mais fortes. Neste segundo semestre, que é uma coisa que impressiona muito, vai dar quase R$ 1 bilhão e não saímos com duas [emissões] paralelas para não competirem [entre si], mas é uma atrás da outra e estamos tratando de operações já para o ano que vem”, relatou.

“Nosso negócio é casar demanda e oferta de dinheiro. Muita usina quer, mas não necessariamente vai ter dinheiro para todo mundo”

Pacífico aponta três principais motivos para a captação de recursos através de recebíveis do agronegócio, o primeiro é o alongamento da dívida, que pode chegar a até cinco anos. Depois a possibilidade de uma fonte alternativa e da diversificação da dívida. Com a crise do setor, as usinas estão com dificuldade de acesso às fontes convencionais de crédito, já que os bancos estão “fechando a torneira” para certas operações.

O terceiro motivador é a exposição positiva para a imagem da empresa que se torna mais conhecida dos investidores. “Quando se faz uma primeira operação dessas se ganha uma exposição grande no mercado. Se algum dia a companhia quiser abrir o capital ou fazer outra captação é positivo ter essa exposição”, explica Pacífico.

No caso de grandes empresas o barateamento do custo da operação também seria relevante, no entanto, não é em todos os casos que se obtém essa vantagem. Já para os investidores o atrativo está na isenção de imposto de renda concedida pelo governo aos investidores pessoas físicas.

O executivo da Gaia Agro afirma que, apesar da demanda das usinas pelos CRA estar crescendo muito, 2015 deve ser um ano de estabilidade, com a consolidação dessas operações como alternativa de captação para o setor, e sem espaço para um aumento no volume das operações.

“Nosso negócio é casar demanda de dinheiro com oferta de dinheiro. Muita usina quer, mas não necessariamente vai ter dinheiro para todo mundo”, ressalva.

Avaliando que os próximos 12 meses vão ser muito sofridos para o setor, o executivo da Gaia acredita em operações selecionadas. “Pouca e boas empresas vão captar dinheiro e imagino duas ou três operações grandes, com pool de usinas”, projeta para o ano seguinte.

Detalhes das ofertas

Inicialmente a Raízen ofereceu R$ 500 milhões em CRA, acrescidos em 20% e com lote suplementar de 15% sobre o valor originalmente ofertado, totalizando R$ 675 milhões.

A oferta foi avaliada pela agência de classificação de risco Moody’s, com ratings provisórios ‘Aaa.br’, a melhor avaliação na escala nacional. Na escala global, moeda local a nota é ‘Baa3’ que, segundo a agência, reflete os bons indicadores de crédito e o posicionamento sólido da empresa nos negócios de produção e exploração e distribuição no Brasil.

A oferta feita em duas séries, uma com remuneração relacionada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e vencimento em dezembro de 2021 e outra série atrelada à variação da taxa DI (Depósito interfinanceiro) e prazo até dezembro de 2019.

O prospecto da oferta afirma que o destino dos recursos captados “será a utilização nas atividades da Raízen relacionadas exclusivamente ao agronegócio, no curso ordinário dos seus negócios”. O que compreende as operações, investimentos e necessidades de financiamento relacionadas com a produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou de máquinas e implementos utilizados na atividade agropecuária.

O coordenador líder da oferta é o Banco Itaú BBA, com atuação também do Citibank e do J.P. Morgan.

A oferta da Vale do Tijuco foi coordenada pelo Banco do Brasil Investimentos e Itaú BBA, com remuneração equivalente a 100% da Taxa DI, acrescida de spread de, no máximo, 3% ao ano.

Os detalhes das operações podem ser acessados no prospecto definitivo da Vale Tijuco e no prospecto preliminar da Raízen.

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