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Setor de etanol pode ter sido coagido a concordar com pacote do governo

Disputa pelo etanol entre governo e usinas: inflamávelA relação entre as usinas e o governo parece estar cada vez mais desgastada. O portal NovaCana apresenta algumas evidências que reforçam o clima de disputa e interesses questionáveis
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Muito tem se falado nos últimos meses sobre o modus operandi do governo de Dilma Rousseff. Os empresários e dirigentes do setor sucroenergético que comandam a frente de diálogo com o governo acompanham de perto essa movimentação. Assim, muito do que acontece nos bastidores fica restrito a essas conversas particulares.

Um detalhe importante envolvendo o pacote de incentivos do governo foi revelado pela última edição da revista Exame e ajuda a entender como está a relação do setor com o Palácio do Planalto. Segundo a revista, escrevendo com base em declarações de "um político do setor", "o governo ameaçou suspender o pacote se não tivesse apoio oficial da Unica", referindo-se ao pacote que incluiu desonerações tributárias, liberação de crédito e a elevação da mistura de álcool na gasolina para 25%.

O portal NovaCana apresenta a seguir algumas evidências que parecem comprovar que as relações entre o setor de etanol e o governo estão bastante desgastadas e com interesses questionáveis.

Muito tem se falado nos últimos meses sobre o modus operandi do governo de Dilma Rousseff. Os empresários e dirigentes do setor sucroenergético que comandam a frente de diálogo com o governo acompanham de perto essa movimentação. Assim, muito do que acontece nos bastidores fica restrito a essas conversas particulares.

Um detalhe importante envolvendo o pacote de incentivos do governo foi revelado pela última edição da revista Exame e ajuda a entender como está a relação do setor com o Palácio do Planalto. Segundo a revista, escrevendo com base em declarações de "um político do setor", "o governo ameaçou suspender o pacote se não tivesse apoio oficial da Unica", referindo-se ao pacote que incluiu desonerações tributárias, liberação de crédito e a elevação da mistura de álcool na gasolina para 25%.

O portal NovaCana apresenta algumas evidências que parecem comprovar que as relações entre o setor de etanol e o governo estão bastante desgastadas e com interesses questionáveis.

O ministro Mantega estava ao lado de Edison Lobão e da representante maior do setor privado da cana, Elizabeth Farina. A imprensa do Brasil inteiro estava lá. A Globo News chegou até a alterar sua programação para transmitir ao vivo, por mais de duas horas, toda a movimentação.

E, ao vivo, o que a televisão mostrou foram só elogios ao plano e a evolução do diálogo.

Já nos dias seguintes, a cobertura dos grandes veículos de comunicação mostrou uma relação bem diferente, e a primeira ação pública da Unica saiu em forma de um comunicado oficial, que termina de forma crítica, levantando vários pontos sem definição por parte do governo que impedem a retomada do crescimento e da ampliação da oferta. A imprensa, de uma forma geral, repercutiu as mesmas críticas de forma intensa.

A cobertura não deve ter sido bem digerida no alto escalão de Brasília, já que o pacote de incentivos se transformou numa série de motivos para se criticar a postura do governo em relação ao etanol.

Contudo, em apenas uma semana, um segundo comunicado da Unica sobre o pacote apareceria na internet. Embora o documento tenha a assinatura da Unica, quem o publicou foi o governo, através do site do MME. Esta nova declaração trazia só elogios e um título chamativo: Etanol, início de uma nova fase.

Além da supressão dos problemas, os dois comunicados possuem mais uma diferença significativa. O segundo, livre de críticas, não está disponível em lugar algum, exceto no site do MME. Já o primeiro, com as críticas, está em todo lugar. Foi enviado como release por email, disponibilizado no site e reforçado pelas aspas de quase todos os dirigentes que resolveram dar declarações. Essa disseminação mostra bem como a aposta na Unica em investir em comunicação, iniciada alguns anos atrás, conseguiu ampliar o alcance de sua voz de forma excepcional.

Não é difícil de imaginar que o governo gostaria que este segundo documento tivesse a mesma visibilidade e penetração na grande mídia que o primeiro. Seja pelo menor esforço da Unica na divulgação ou pelo esfriamento do tema, isso não ocorreu.

Nessa situação, causa estranheza o governo exigir um documento de apoio às medidas que anunciou de uma entidade que claramente não está satisfeita com a falta de definições. De que serve uma declaração falsa de apoio? Será que o governo esperava que, com isso, os tão necessários investimentos sucroalcooleiros viriam?

E assim segue caminhando o setor. Com os bastidores políticos estimulando a insegurança em um setor que precisa investir no longo prazo, mas acaba sendo dominado por essas disputas que parecem colocar os interesses do país em segundo plano.

Julio Cesar Vedana é diretor de redação do portal NovaCana
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