Preço médio do ATR deve variar entre R$ 0,57 e R$ 0,66 por quilograma na temporada
Apesar das águas de março terem beneficiado o desenvolvimento dos canaviais do Centro-Sul, a estiagem entre dezembro e janeiro influencia negativamente no resultado da safra 2019/20, se refletindo nos preços projetados para a temporada.
Em relatório lançado em maio, o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) traça um panorama do mercado, da produção e do clima do setor sucroenergético. O último deles foi feito em parceria com o sistema Tempocampo, que expressa os efeitos isolados das condições meteorológicas nas culturas agrícolas e suas consequências no desenvolvimento dos canaviais.
Com base na moagem das últimas três safras, o Pecege estima que o preço médio do açúcar total recuperável (ATR) na temporada 2019/20 ficará entre R$ 0,57/kg e R$ 0,66/kg, com média de R$ 0,62/kg. Como o preço médio da safra 2018/19 foi de R$ 0,58/kg, a perspectiva é de uma alta de 6,8% na remuneração da cana-de-açúcar para o ciclo atual.
Segundo o relatório, apesar da precipitação ter gerado uma onda de otimismo, especialmente com o aumento da produtividade, ela pode reduzir de forma considerável a qualidade da matéria-prima colhida caso se mantenha muito intensa – tanto em 2019 quanto em 2020.
Os responsáveis pela análise são Haroldo Torres e Lucas Rodrigues, do Pecege, além de Fábio Marin e Evandro Moura Silva, do Tempocampo.
Confira as projeções de produtividade agrícola, preços dos produtos, produção de cana e ATR na reportagem completa.
Apesar das águas de março terem beneficiado o desenvolvimento dos canaviais do Centro-Sul, a estiagem entre dezembro e janeiro influencia negativamente no resultado da safra 2019/20, se refletindo nos preços projetados para a temporada.
Em relatório lançado em maio, o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) traça um panorama do mercado, da produção e do clima do setor sucroenergético. O último deles foi feito em parceria com o sistema Tempocampo, que expressa os efeitos isolados das condições meteorológicas nas culturas agrícolas e suas consequências no desenvolvimento dos canaviais.
Com base na moagem das últimas três safras, o Pecege estima que o preço médio do açúcar total recuperável (ATR) na temporada 2019/20 ficará entre R$ 0,57/kg e R$ 0,66/kg, com média de R$ 0,62/kg. Como o preço médio da safra 2018/19 foi de R$ 0,58/kg, a perspectiva é de uma alta de 6,8% na remuneração da cana-de-açúcar para o ciclo atual.

Segundo o relatório, apesar da precipitação ter gerado uma onda de otimismo, especialmente com o aumento da produtividade, ela pode reduzir de forma considerável a qualidade da matéria-prima colhida caso se mantenha muito intensa – tanto em 2019 quanto em 2020.
Os responsáveis pela análise são Haroldo Torres e Lucas Rodrigues, do Pecege, além de Fábio Marin e Evandro Moura Silva, do Tempocampo.
Açúcar e etanol
Especificamente para o açúcar, o Pecege espera uma produção menor na temporada 2019/20 não somente no Brasil, mas também na Índia e na Tailândia, o que serviria como um fundamento altista para a commodity. Ainda assim, a expectativa para os preços futuros da Bolsa de Nova York gira em torno dos 13 centavos de dólar por libra-peso.
Já no mercado interno, os preços para açúcar cristal devem permanecer fortes no comparativo com outros derivados da cana.

Por sua vez, para a análise dos preços do etanol, o relatório considera que houve uma queda inesperada em março de 2019. Ainda assim, os valores devem se recuperar – a expectativa do Pecege é de crescimento da demanda ao longo do ano, com o mix caminhando de acordo com essa visão.
Em retrospecto, mesmo com o aumento dos preços na entressafra, a cotação do barril de petróleo manteve a competitividade do renovável na bomba, que acumulou alta de 6,22% no contrato para abril. Logo, o início da safra favoreceu a comercialização de etanol.

Desta forma, a perspectiva é que o cenário de competividade dos produtos permaneça praticamente estável em relação à safra passada. Conforme o Pecege, ao final da temporada, o açúcar cristal era o produto que representava a maior receita para as usinas, sendo comercializado pouco abaixo de 15 centavos de dólar por libra-peso. Na sequência estariam o etano anidro, o açúcar VHP e o etanol hidratado.

Menos cana e produtividade para 2019/20
Segundo o Coeficiente de Produtividade Climática (CPC) do sistema Tempocampo, na safra 2019/20, as condições serão mais favoráveis ao crescimento da cana-de-açúcar na região médio-norte de Mato Grosso e no sudeste de São Paulo, onde os ganhos produtivos devem variar entre 1% e 5%.
Já a produtividade no Centro-Sul, conforme o estudo, deve variar de 70,9 a 75,5 t/ha. As quedas produtivas são decorrentes da estiagem registrada no sudeste mato-grossense e no oeste paranaense. Nestas regiões, a ausência de chuvas fez com que a produtividade não passasse de 70 t/ha.
O Pecege, com base em suas análises, no sistema do Tempocampo e em informações do IBGE, visualiza uma moagem entre 548 e 582 milhões de toneladas de cana para 2019/20. Os montantes representam uma variação de entre -3,3% e 2,7% em relação aos dados apresentados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a safra 2018/19. No comparativo com os dados da União da Indústria e Cana-de-açúcar (Unica), a variação é entre -3,9% e 2,1%.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana