Analistas consultados estimam 19,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul; produção de açúcar deve crescer 38% ante mesmo período da safra anterior
Por Nicolle Monteiro de Castro*
O volume de cana-de-açúcar moído na primeira quinzena de abril na região Centro-Sul deve totalizar 19,4 milhões de toneladas, um aumento de 39,6% ano a ano, segundo uma pesquisa da S&P Global Platts com analistas.
Apesar da chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil – o que inicialmente levantou preocupações sobre possíveis interrupções na colheita –, condições climáticas favoráveis compensaram os problemas com baixos preços do etanol e com restrições sanitárias para a moagem da cana-de-açúcar.
Entre os 12 analistas consultados, três tradings estimaram que a moagem total de cana atingirá mais de 20 milhões de toneladas. As respostas obtidas abrangeram uma faixa de 15 a 23 milhões de toneladas.
Conforme a pesquisa, os analistas esperam que o açúcar total recuperável (ATR) da cana no período seja maior em relação ao ano anterior, com 112,2 kg/t, ante 109,34 kg/t. A abrangência das respostas ficou entre 105 kg/t e 116,5 kg/t.
Os profissionais consultados pela S&P Global Platts também calculam uma média de 1,7 dias de moagem perdidos por conta das chuvas na primeira metade de abril.

A princípio, espera-se que a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgue seus números oficiais de produção ainda nesta semana.
Por Nicolle Monteiro de Castro*
O volume de cana-de-açúcar moído na primeira quinzena de abril na região Centro-Sul deve totalizar 19,4 milhões de toneladas, um aumento de 39,6% ano a ano, segundo uma pesquisa da S&P Global Platts com analistas.
Apesar da chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil – o que inicialmente levantou preocupações sobre possíveis interrupções na colheita –, condições climáticas favoráveis compensaram os problemas com baixos preços do etanol e com restrições sanitárias para a moagem da cana-de-açúcar.
Entre os 12 analistas consultados, três tradings estimaram que a moagem total de cana atingirá mais de 20 milhões de toneladas. As respostas obtidas abrangeram uma faixa de 15 a 23 milhões de toneladas.
Conforme a pesquisa, os analistas esperam que o açúcar total recuperável (ATR) da cana no período seja maior em relação ao ano anterior, com 112,2 kg/t, ante 109,34 kg/t. A abrangência das respostas ficou entre 105 kg/t e 116,5 kg/t.
Os profissionais consultados pela S&P Global Platts também calculam uma média de 1,7 dias de moagem perdidos por conta das chuvas na primeira metade de abril.

A princípio, espera-se que a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgue seus números oficiais de produção ainda nesta semana.
Açúcar ou etanol?
Segundo a pesquisa, a proporção de cana usada para a produção de açúcar na primeira quinzena de abril deve subir para 38,2%, ante os 23,49% registrados um ano atrás. Este maior mix de produção para o açúcar foi explicado pelos preços mais altos de exportação de açúcar em comparação com os preços mais baixos do etanol no mercado doméstico.
De acordo com a Platts, o preço do etanol hidratado convertido em açúcar bruto equivalente ficou em 7,34 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira (24), enquanto o mercado futuro de açúcar em Nova York ficou em 9,40 centavos de dólar por libra-peso. Ou seja, a exportação de açúcar estava pagando 2,06 centavos de dólar por libra-peso a mais para as usinas em comparação com o mercado doméstico de etanol.
Ainda conforme os cálculos da Platts, esta diferença nos preços é equivalente a US$ 45/t. Assim, com a recente desvalorização do real em relação ao dólar, os produtores brasileiros estão recebendo um prêmio de, aproximadamente, R$ 254/t no mercado à vista para exportar açúcar.
Em relação ao volume produzido, os analistas acreditam que o maior mix para o açúcar – combinado com um aumento na quantidade total de cana e de ATR –, deve fazer com que a produção da commodity totalize 798 mil toneladas na quinzena. O valor representa um aumento de 135% ano a ano, sendo o maior volume produzido desde a safra 2016/17 safra, quando 1,44 milhão de toneladas foram fabricadas no mesmo período.
Por sua vez, a Platts estimou uma produção de 695 mil toneladas de açúcar, 13% a menos que a média dos analistas pesquisados. Este menor volume foi justificado principalmente pela diferença no volume estimado para a moagem de cana-de-açúcar.
Além disso, embora a expectativa dos analistas consultados é de uma queda no mix de produção para o etanol, de 76,51% para 61,8%, o volume adicional de cana triturada deve fazer com que também haja um aumento no volume produzido de biocombustível. Segundo a Platts, o crescimento projetado deve ser de 20,9% no volume total, para 834 milhões de litros.
Especificamente para o etanol hidratado, a pesquisa prevê aumento de 12,5%, para 702 milhões de litros, enquanto a produção de etanol anidro deve atingir 132 milhões de litros, um salto de 100,4% em relação à mesma quinzena do ano anterior. A mudança no perfil da produção de etanol foi justificada pelos menores preços da gasolina no Brasil, o contribui para uma maior demanda de anidro.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana