O mercado de veículos flex cresce mais rápido que o consumo de combustíveis do Brasil. Esta diferença vem aumentando a cada ano e coloca pressão na Petrobras, que tem prejuízos na venda da gasolina, e evidencia um mercado onde a oferta possível está cada vez mais longe da demanda ociosa.
Confira a seguir:
- As premissas e os números da demanda reprimida de acordo com a FG/Agro
- Consumo de combustíveis X crescimento da frota flex
- O esgotamento da capacidade industrial
- A oferta de hidratado prevista para as próximas safras será consumida principalmente nos estados produtores
- "A Petrobras vai ter que importar mais ou produzir mais gasolina, o que vai gerar prejuízo igual", Matheus Yamassake da FG/Agro
- O sobe e desce do consumo de etanol, segundo a EPE
O sócio-diretor da FG/Agro, Matheus Yamassake, acredita que a demanda reprimida por etanol hidratado seja de aproximadamente 9,1 bilhões de litros na safra 2013/2014. A análise considera como premissas a disponibilidade no mercado doméstico de 11,2 bilhões de litros de etanol hidratado e 10,8 bilhões de litros de etanol anidro.
A frota atual é de aproximadamente 40 milhões de automóveis, dos quais 52% com motor flex e 4% de veículos exclusivamente movidos a álcool. Considerando o sucateamento da frota de 1,5% ao ano, o aumento para 25% da mistura de anidro na gasolina, e projetando que todos os veículos aptos fossem abastecidos com o biocombustível de cana, o consumo total saltaria de 22 para 31,1 bilhões de litros de etanol, portanto 9,1 bilhões de litros acima da estimativa atual.
A FG/Agro aponta que frota flex tem crescido acima do mercado de combustível. Em 2009, ela 29,89 milhões de veículos, com uma fatia de 46% de automóveis bicombustíveis e exclusivos a etanol. O consumo de combustíveis nas últimas duas safras (2011/12 e 2012/13) aumentou 7,01% e 8,39%, enquanto a fatia de veículos flex e álcool subiu 18,4% e 15,9%, respectivamente. Em 2012/13 o índice cresceu 15,9%, contra 8,39%.

"Para atender o crescimento do mercado consumidor de açúcar e etanol nos próximos anos, o setor precisará expandir sua capacidade industrial", afirma Yamassake. A consultoria atende a companhias que representam 6% da moagem do setor nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Mas, apesar do diagnóstico que aponta para o aumento da demanda e o esgotamento da capacidade industrial, Yamassake não aposta em novos investimentos com a atual política para o setor. "A gente não tem escutado nenhum player se posicionar no curto prazo com projeto greenfield porque hoje a conta não fecha". O desequilíbrio se dá pelo teto que a gasolina, com preços artificialmente definidos pelo governo, impõe ao etanol, limitando a margem de remuneração do setor sucroalcooleiro.
Com isso, de acordo com a consultoria, a oferta de hidratado prevista para as próximas safras será consumida principalmente nos estados produtores. Para controlar o consumo, os preços deverão ser maiores. "Esta demanda se regula por si só por meio do preço, tendo em vista que esse tipo de veículo aceita a migração para a gasolina", comenta. Na prática isso se traduz na ausência de competitividade econômica do etanol para consumidores da maioria dos estados brasileiros.
Diferente do que sugere a lógica, e argumento comum do setor produtivo, o vácuo deixado pelo etanol hidratado, mesmo sendo suprido pela gasolina, não é benéfico para a Petrobras. As refinarias da estatal têm operado no vermelho porque os preços artificiais são inferiores aos custos de produção. Os volumes crescentes de importação também são fonte de constantes prejuízos. "A Petrobras vai ter que importar mais ou produzir mais gasolina, o que vai gerar prejuízo igual", resume Yamassake. Desta forma, a política nacional causa prejuízos à estatal e ainda mina o biocombustível de cana. "O preço artificial da gasolina mantido pelo governo no país é apontado como um dos principais fatores de uma possível extinção do etanol hidratado", diz a consultoria.
Esse risco iminente, resultado da política escolhida pelo governo, é balizado pelos dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Em estudo publicado recentemente, a EPE demonstra que a queda na produção de etanol hidratado foi de 2,4% no ciclo passado, tendência observada desde 2010. Entre os dois anos – 2010 a 2012 – houve uma redução total de 6 bilhões de litros (30,4%), queda bem mais acentuada do que a registrada no anidro, que também sofreu oscilações. Antes deste período, de 2006 a 2010, a produção de hidratado havia dobrado, passando de aproximadamente 10 para 20 bilhões de litros. Esta gangorra do consumo tem como causa principal o preço da gasolina.
Considerando que o cenário presente se mantenha nos próximos anos, em 2019 o prejuízo da Petrobras deve alcançar R$ 15,7 bilhões. Para estabelecer a cifra bilionária, a FG/Agro considerou algumas premissas fundamentais: crescimento médio do mercado de combustíveis de 6% ao ano, incremento anual da produção de hidratado da ordem de 3% ao ano, 22% do refino destinado à gasolina, início das operações das refinarias Premium I e II, Comperj e Abreu e Lima e prejuízo de R$ 0,28 por litro de gasolina importada.

Amanda SchArr - NovaCana
Confira a seguir:
- As premissas e os números da demanda reprimida de acordo com a FG/Agro
- Consumo de combustíveis X crescimento da frota flex
- O esgotamento da capacidade industrial
- A oferta de hidratado prevista para as próximas safras será consumida principalmente nos estados produtores
- "A Petrobras vai ter que importar mais ou produzir mais gasolina, o que vai gerar prejuízo igual", Matheus Yamassake da FG/Agro
- O sobe e desce do consumo de etanol, segundo a EPE
O sócio-diretor da FG/Agro, Matheus Yamassake, acredita que a demanda reprimida por etanol hidratado seja de aproximadamente 9,1 bilhões de litros na safra 2013/2014. A análise considera como premissas a disponibilidade no mercado doméstico de 11,2 bilhões de litros de etanol hidratado e 10,8 bilhões de litros de etanol anidro.
A frota atual é de aproximadamente 40 milhões de automóveis, dos quais 52% com motor flex e 4% de veículos exclusivamente movidos a álcool. Considerando o sucateamento da frota de 1,5% ao ano, o aumento para 25% da mistura de anidro na gasolina, e projetando que todos os veículos aptos fossem abastecidos com o biocombustível de cana, o consumo total saltaria de 22 para 31,1 bilhões de litros de etanol, portanto 9,1 bilhões de litros acima da estimativa atual.
A FG/Agro aponta que frota flex tem crescido acima do mercado de combustível. Em 2009, ela 29,89 milhões de veículos, com uma fatia de 46% de automóveis bicombustíveis e exclusivos a etanol. O consumo de combustíveis nas últimas duas safras (2011/12 e 2012/13) aumentou 7,01% e 8,39%, enquanto a fatia de veículos flex e álcool subiu 18,4% e 15,9%, respectivamente. Em 2012/13 o índice cresceu 15,9%, contra 8,39%.

"Para atender o crescimento do mercado consumidor de açúcar e etanol nos próximos anos, o setor precisará expandir sua capacidade industrial", afirma Yamassake. A consultoria atende a companhias que representam 6% da moagem do setor nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Mas, apesar do diagnóstico que aponta para o aumento da demanda e o esgotamento da capacidade industrial, Yamassake não aposta em novos investimentos com a atual política para o setor. "A gente não tem escutado nenhum player se posicionar no curto prazo com projeto greenfield porque hoje a conta não fecha". O desequilíbrio se dá pelo teto que a gasolina, com preços artificialmente definidos pelo governo, impõe ao etanol, limitando a margem de remuneração do setor sucroalcooleiro.
Com isso, de acordo com a consultoria, a oferta de hidratado prevista para as próximas safras será consumida principalmente nos estados produtores. Para controlar o consumo, os preços deverão ser maiores. "Esta demanda se regula por si só por meio do preço, tendo em vista que esse tipo de veículo aceita a migração para a gasolina", comenta. Na prática isso se traduz na ausência de competitividade econômica do etanol para consumidores da maioria dos estados brasileiros.
Diferente do que sugere a lógica, e argumento comum do setor produtivo, o vácuo deixado pelo etanol hidratado, mesmo sendo suprido pela gasolina, não é benéfico para a Petrobras. As refinarias da estatal têm operado no vermelho porque os preços artificiais são inferiores aos custos de produção. Os volumes crescentes de importação também são fonte de constantes prejuízos. "A Petrobras vai ter que importar mais ou produzir mais gasolina, o que vai gerar prejuízo igual", resume Yamassake. Desta forma, a política nacional causa prejuízos à estatal e ainda mina o biocombustível de cana. "O preço artificial da gasolina mantido pelo governo no país é apontado como um dos principais fatores de uma possível extinção do etanol hidratado", diz a consultoria.
Esse risco iminente, resultado da política escolhida pelo governo, é balizado pelos dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Em estudo publicado recentemente, a EPE demonstra que a queda na produção de etanol hidratado foi de 2,4% no ciclo passado, tendência observada desde 2010. Entre os dois anos – 2010 a 2012 – houve uma redução total de 6 bilhões de litros (30,4%), queda bem mais acentuada do que a registrada no anidro, que também sofreu oscilações. Antes deste período, de 2006 a 2010, a produção de hidratado havia dobrado, passando de aproximadamente 10 para 20 bilhões de litros. Esta gangorra do consumo tem como causa principal o preço da gasolina.
Considerando que o cenário presente se mantenha nos próximos anos, em 2019 o prejuízo da Petrobras deve alcançar R$ 15,7 bilhões. Para estabelecer a cifra bilionária, a FG/Agro considerou algumas premissas fundamentais: crescimento médio do mercado de combustíveis de 6% ao ano, incremento anual da produção de hidratado da ordem de 3% ao ano, 22% do refino destinado à gasolina, início das operações das refinarias Premium I e II, Comperj e Abreu e Lima e prejuízo de R$ 0,28 por litro de gasolina importada.

Amanda SchArr - NovaCana