
Os preços mais elevados do açúcar na atual safra têm suportado as cotações de etanol no início da safra 2016/17 de acordo com estudo elaborado pela consultoria INTL FC Stone. Por outro lado, a queda no consumo de combustíveis no Brasil combinada com a menor participação do etanol hidratado no ciclo Otto são fatores limitadores ao movimento de alta do preço biocombustível ao longo da temporada.
O estudo da consultoria listou entre os principais fatores de influência dos preços para a atual temporada que você confere a seguir:
- Fatores altistas e baixistas para o etanol nacional
- Expectativas para a safra 2016/17
- Desempenho do etanol brasileiro no mercado de exportação
Passado o primeiro trimestre da safra 2016/17, a expectativa de que ela ajudaria as usinas a recuperarem parte do prejuízo das usinas vem se concretizando. O que irá acontecer nos próximos trimestres foi o foco de um estudo elaborado pela INTL FC Stone.
Nele estão listados os principais fatores altistas e baixistas para a cotação de preços do etanol brasileiro ao longo da temporada. Entre os pontos listados estão:
Fatores Altistas
- Expectativa de déficit no balanço global de açúcar e câmbio incentivam a produção de adoçante no Centro-Sul, reduzindo a oferta de etanol
Fatores Baixistas
- Queda anual no consumo de ciclo Otto de 1,1% no acumulado entre janeiro e maio, segundo a ANP
- Maior direcionamento da demanda para a gasolina C no início do ano em comparação com 2015
A análise da consultoria aponta que a entressafra com estoques de etanol baixos levou os preços para máximas históricas no período. No entanto, acompanhando o movimento natural sazonal, a intensificação do processamento de cana-de-açúcar entre abril e junho causou nova queda nas cotações na região Centro-Sul.
Mesmo com o etanol a preços mais baixos do que no início do ano, a FC Stone destaca “que 2016 tem estabelecido novos recordes de cotações nominais de produtos da cana-de-açúcar”.

Com os preços de açúcar demerara rondando patamares elevados – ao redor de R$ 1.500,00/ton na Bolsa de Nova York –, as usinas reduziram o mix alcooleiro. Dessa maneira, o movimento de migração para um mix mais açucareiro tem dado suporte ao etanol, mesmo nesse período de pico de safra.
Apesar da queda do mix de etanol, a perspectiva da instituição é que os preços do biocombustível se mantenham “muito abaixo” da paridade com o açúcar até que as usinas comecem a encerrar a safra. “Esta visão de curto prazo do mercado é resultado da ausência de um mercado futuro com alta liquidez e da relativa baixa capacidade de estocagem”, aponta o documento.

Consumo
A demanda pelo renovável de cana deve permanecer em níveis abaixo dos vistos no último ano. Os principais motivadores da queda no consumo são o cenário econômico adverso nacional e o direcionamento da demanda de combustíveis para a gasolina C, movimento já percebido no início deste ano em comparação com 2015.

Mercado internacional
No início do terceiro trimestre, os preços de etanol devem permanecer suportados no mercado norte-americano por conta do final da safra de milho nos Estados Unidos. O início da próxima safra naquele país, na segunda metade desse trimestre, entretanto, deve fazer com que as cotações do álcool produzido a partir do cereal fiquem pressionadas.
Para a FC Stone, a janela de exportação de etanol de cana-de-açúcar, no entanto, possivelmente continuará fechada em razão dos elevados patamares dos preços no Brasil e o fortalecimento da moeda brasileira nos últimos meses.
O que não deve impedir, por outro lado, que as exportações continuem superando a safra passada, como ocorreu no acumulado entre o início da safra canavieira e junho.
Essa alta é associada principalmente a questões regulatórias, como a retomada do programa de biocombustíveis na Califórnia (estado mais populoso do país) favorável ao consumo do etanol de cana.
Marina Gallucci – NovaCana