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Exportação de etanol para os EUA cai e traders olham para importação

porto-santos-importacao-141013Enquanto o volume exportado apresenta queda, as discussões começam a se voltar para as importações de etanol
NovaCana 5 min de leitura
O total de etanol exportado pelo Brasil para os EUA até agora corresponde a apenas 45% do volume estabelecido pela EPA para a "porção indiscriminada" da RFS, bem abaixo das expectativas prévias do mercado, e é bem provável que seja menos do que o necessário para suprir a meta de mistura em 2013.

As exportações brasileiras de etanol para os Estados Unidos caíram para 139,4 milhões de litros em setembro, uma queda de 51% em relação ao melhor resultado de 2013, alcançado em agosto, e de 53% em relação a setembro de 2012, segundo dados publicados pelo Secretariado de Comércio Exterior dos Estados Unidos na última quinta.

O volume enviado aos EUA representou 47% do total de 297 milhões de litros de etanol exportados pelo Brasil em setembro.

De janeiro a setembro, o Brasil exportou 1,4 bilhão de litros de etanol diretamente para os EUA, um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em 2012, as exportações totais do Brasil aos EUA chegaram a 2,03 bilhões de litros, a maior parte no segundo semestre. Mas isso não deve se repetir em 2013. A expectativa é que as exportações para aquele país sejam interrompidas conforme a colheita da safra de cana 2013-14 se aproxima do fim no centro-sul do Brasil.

"Acho que não vamos ver nenhum mercado real de anidro até a próxima safra", disse um operador.

A ampliação da meta de mistura obrigatória para biocombustíveis avançados em 2013, finalizada pela Agência de Proteção Ambiental americana no começo de agosto, turbinou as exportações de cana brasileira para os EUA. A "porção indiscriminada" da RFS avançada – na qual se enquadram as importações de etanol de cana do Brasil – é de aproximadamente 3,1 bilhões de litros.

Contudo, o total exportado até agora corresponde a apenas 45% desse volume, bem abaixo das expectativas prévias do mercado, e é bem provável que seja menos do que o necessário para suprir a meta de mistura em 2013. Neste caso, a diferença terá de ser preenchida com RINs D5 que sobraram de 2012 e/ou com biodiesel.

De janeiro a agosto, 85% dos RINs D5 gerados corresponderam a produto importado.

Cenário de elevação

Essa queda em setembro já era esperada, com a arbitragem de exportações brasileiras para os EUA sofrendo deterioração em meio a um cenário de elevação dos preços internos e forte backwardation (situação em que contratos a termo e de futuros são fechados abaixo da cotação esperada para a data de vencimento) no mercado americano de etanol. O preço do etanol anidro FOB no porto de Santos, seguindo um aumento nos preços cobrados na porta das fábricas, acumulava alta de 8% no final de setembro em relação ao final de agosto. Já os preços dos contratos FOB a termo no porto de Nova York, com prazo de um mês, caíram 6%.

A arbitragem para exportações de etanol anidro diretamente para os EUA é fechada por completo a US$ 0,83/galão, de acordo com cálculos da Platts unidade Kingsman.

Operadores descreveram o mercado como uma "cidade fantasma", dizendo não haver mercado para anidro FOB Santos neste exato momento.

"Confesso que não andei olhando os mercados FOB Santos ultimamente, meu tempo está todo ocupado com tratativas de importação", disse um operador.

Fontes acreditam haver pouquíssimos volumes e navios ainda programados para embarque em Santos. As discussões começam a se voltar para as importações e já surgem no mercado ofertas em torno de US$ 520/m3 para chegada no 1º trimestre de 2014 com base CIF Santos.

"Cargas de etanol partindo para o norte são quase inexistentes", disse uma fonte da área de fretes, acrescentando que "alguns proprietários chegaram a optar por voltar a lastrear seus navios no Caribe a fim de explorar melhores oportunidades".

Pelo terceiro mês consecutivo, não houve registro de exportações saindo do Brasil para algum dos países da Iniciativa da Bacia do Caribe (IBC). As exportações brasileiras para o bloco vêm declinando desde que a Agência de Aduanas e Proteção de Fronteira dos EUA confirmou mudanças nas cotas da IBC em 2013. Com isso, a tarifa ad valorem cobrada sobre importações americanas de etanol (2,5% do valor do produto) deixou de ser isenta para materiais vindos de países caribenhos.

Outro destino relevante para as exportações brasileiras em setembro foi a Coreia do Sul, com um total de 46,6 milhões de litros. Embora o resultado seja 23% menor do que em agosto, as exportações no período janeiro-setembro já eram 26% superiores aos 165,6 milhões de litros exportados ao longo de todo o ano de 2012.

Segundo fontes, a menor disponibilidade de volumes no Paquistão, que passou a enviar mais produto para a Europa, está ajudando o Brasil a reconquistar participação no mercado de etanol categoria B rumo à Coreia do Sul.

Outros destinos importantes das exportações brasileiras em setembro foram a Holanda, com 32,7 milhões de litros, os Emirados Árabes Unidos, com 20,9 milhões de litros, e a Índia, com 15,3 milhões de litros. Fontes confirmaram que o volume enviado para a Índia destinava-se à produção de plásticos.

Fonte: Platts
Tradução e adaptação NovaCana
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